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Literatura - Contos - Diversos

Escrito por Brunno
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Qui, 03 de Janeiro de 2008 12:34
As pessoas ficaram paradas até que o rapaz em companhia da moça veio correndo para ver se podia ajudar o homem ou para passar pelos assassinos e chegar á porta.
Gascoin deixou a arma sobre a mesa e estendeu o braço quando o rapaz ia passando. Acertou um golpe com o lado da mão em sua garganta. Ele tentou se desvencilhar e passar pelo lado, o novato segurou seu punho esquerdo e com um puxão, o tirou o equilíbrio. Em seguida segurou sua nuca com a mão direita puxando seu tronco para baixo ao mesmo instante em que levantava o joelho direito contra o tronco do rapaz.
Depois da segunda concussão ele caiu ofegante com os pulmões praticamente colabados. Gascoin então pegou a arma sobre a mesa e apontou para o rapaz. Nisso Chase e Lince já tinham suas armas apontadas para quem mais estivesse no bar.
__Calma senhores! – gritou o homem atrás do balcão – acabam de abater um delator. O resto de nós não vai resistir.
Gascoin ainda tinha a arma apontada para o rapaz. A namorada dele levantou e com um braço estendido pediu que não o ferisse.
__Eu sou um dos contatos de Hassan! Agora, por favor, deixe meu namorado em paz! Ele não sabia que ia dar nisso. Nem sabe o que eu faço!
Gascoin apertou o gatilho espalhando uma boa quantidade de cérebro cinzento pelo assoalho do bar. Dessa vez até Lince e Chase pararam atônitos. O assassino foi até a moça, paralisada, sem acreditar no que estava acontecendo. Quando Gascoin chegou até ela, a cápsula da arma ainda tilintava no chão ao lado do corpo.
__Ele realmente não sabia o que você fazia?
Ela assentiu dando um passo para trás.
__E ainda assim você trouxe o cara para esta reunião? – era claro, para ele, que todos naquele bar eram membros do Grupo e que o próprio bar era uma fachada bem montada. A moça assustada e iniciando o choro concordou novamente – Então diga logo o que o Hassan quer que saibamos e vamos todos continuar nossas vidas, sim?
Chase olhou os dois corpos. Lince olhou o corpo do rapaz vertendo rios de sangue pela cabeça. Um dos garçons já vinha com um esfregão e um balde de água oxigenada.
__ Ele disse que você tem de chegar a esse homem. É o repórter que tentou publicar a história sobre ele... – a jovem soluçava copiosamente – Hassan me contratou há dois anos, mas nunca me deu trabalho de campo. Disse que ainda não era o momento, que eu não estava preparada para fazer sacrifícios.
__Temos o endereço do tal repórter. Mas não podemos afirmar com segurança se ele é a fonte da informação ou se a conseguiu com outra pessoa. – interpelou o homem atrás do balcão – O homem que mataram era um delator pago pela polícia secreta. Estava investigando nosso bar havia meses, mas jamais havia conseguido nada. Parece que foi mais rápido que nós em conseguir identificar o código de vocês – o homem tinha pesar na voz por dois motivos: primeiro porque ele deveria ter prestado mais atenção e identificar Lince e Chase, e segundo porque era o treinador da moça e havia negligenciado suas ações permitindo que ela trouxesse um “civil” para aquele encontro.
__Esse jovem disse que gostaria de participar do que fosse preciso porque estava descontente em seu emprego. – completou o homem do bar.
Os garçons estavam recostados nos cantos. A garçonete novinha segurava um pano de limpeza com tanta força que iria rasgá-lo a qualquer momento.
__Sabíamos que eram os mercenários pessoalmente recrutados pelo senhor Hassan, mas eu não imaginava que tinham essa facilidade em apagar alguém. – disse um dos garçons.
A moça entregou a Gascoin o endereço do alvo e desabou na cadeira. O homem atrás do balcão sabia que tinha agora dois corpos para dar um jeito e isso não seria fácil. O novato pegou o papel, leu o endereço e queimou dentro de um dos cinzeiros.
Voltou para onde estavam Lince e Chase. Ela olhava para ele como se não acreditasse no que ele havia acabado de fazer. Lince olhou para a moça, para os funcionários do bar e para Chase.
__Não deixamos vingadores...
A essa ordem a loura levantou sua arma e aproveitando o movimento matutino da tarde agitada do lado de fora, metros acima no nível em que estavam, disparou um único tiro que abriu um furo pouco maior que o calibre da bala na testa da jovem e um rombo do tamanho de uma laranja na parte de trás.
Lince olhou o homem atrás do balcão. Agora era três corpos para ele cuidar.
__Emitam um relatório ao senhor Hassan. Manteremos contato se necessário.
Saíram do bar com a informação que haviam ido buscar e era somente isso que importava. Dentro do Hoover indo para o apartamento designado como base, Chase estava séria e calada.
__Não se mata alguém sem que isso traga conseqüências, Gascoin. Aguarde um pouco mais para apertar o...
__Cala boca, loura. Íamos fazer o quê? Deixar o garotão sair pela rua correndo assustado e chamar a polícia?
__O que ela quer dizer, monsieur Gascoin, é que o rapaz pode ter uma família que pode querer procurá-lo. Isso vai levar a vizinhos e estes dirão que ele tinha uma namorada e que ambos freqüentavam certo pub com regularidade...
__A polícia vai até lá, não acha merda nenhuma e nós continuamos nosso trabalho. Se não fosse assim os dois já estariam presos há tempos. Limpeza total é o que eu digo. Ouvi quando disse que não deixamos vingadores, Mister Lince.
O apartamento em que ficariam resguardados era no bairro de Gravesend, distrito de Tilsburry, leste de Londres, as margens do pequeno porto que dava acesso ao gélido Mar do Norte. A rua era cinzenta como o céu. Os prédios eram quase todos de cinco andares e ele ocupariam o quinto de um prédio numerado coincidentemente de 666.
Descarregaram o carro e subiram com os equipamentos disfarçados dentro de grandes bolsas de viagens. Lince guardou o Hoover numa garagem próxima e subiu pelas escadas pequenas e sacolejantes.
__Hei, Gascoin. Isso é sério – disse Lince segurando seu braço – Não é necessário executar pessoas com essa frieza. Chase e eu queremos que seja eficiente no momento certo. No fim você pensou com rapidez e isso foi correto. Tinha razão quanto ao jovem, ele traria a Scotland Yard assim que pudesse.
Gascoin soltou o braço da mão de Lince calmamente e deixou suas coisas pessoais sobre o sofá que ele mesmo designara como sua cama, já que o pequeno apartamento tinha dois quartos. Acendeu um cigarro e sentou na cadeira de espaldar reto, pôs-se a admirar as águas escuras pelo óleo dos barcos de pesca.
__Sabe que eu realmente não senti nada quando matei o garoto. Não entendo o por quê disso, mas para mim, era somente o que eu tinha de fazer.
Lince concordou e disse que sairiam ainda naquela noite para checar o endereço do alvo. Pediu que os dois descansassem. Ele mesmo iria tirar um cochilo e queria silêncio.
Chase ligou o velho aparelho de TV da sala e deixou num volume baixo. Olhava um programa qualquer sem prestar muita atenção. Gascoin fumava perto da janela com os pés sobre a mesa e evitava olhar para ela.
__Que droga Gascoin! – disse em voz baixa – Por que tinha de fazer aquilo? Não consigo parar de pensar.
__Está entendido, senhora. Não vou mais fazer o que achar certo, somente o que a senhora mandar. Isso realmente está se tornando o jeito militar de pensar, ou seja, não pensar!
__Tava falando do que disse sobre eu não ser feminina. Quando me comparou com a garçonete, seu idiota! Eu sei que não sou exatamente uma mocinha, toda delicada e cheia de cores rosa na cabeça. Mas não precisava me jogar isso na cara. – ela baixou os olhos.
__Sei. E quando eu for me desculpar por ter magoado você vai rir e dizer que eu sou idiota... Como mulher ainda é uma ótima instrutora, senhora.
“Perfeito, criei um monstro” pensou consigo. Desligou a TV e jogou os ferinos olhos azuis a um horizonte qualquer. Depois olhou o colega que brincava com a fumaça do cigarro antes de soprá-la. Foi até ele e retribuiu aquele beijo da varanda ainda em Alexandria.
__Se eu sou um tanque de cabelo loiro porque me beijou naquela noite, no Egito? – Chase sentou-se sobre as pernas dele ainda apoiadas sobre a mesa.
__Porque é a mulher mais fascinante com quem eu já conversei. Mesmo sendo essa coisa feita de infância traumática e cheirando à cordite... – Gascoin falou sério. – isso e o fato de que fica mais gostoso quando é proibido e arriscado.
Ela ia abrir um sorriso. Mas Lince passou pela porta, o que a fez levantar antes que ele visse a cena e foi caminhando para a cozinha ditando instruções de tiro ao discípulo, que não ouvia. Naquele momento estava olhando os barcos pequenos atracarem e saírem. Sentiu saudade do mar.
Lince sentou-se à mesa depois de afastar os pés de Gascoin.
__Ai, Gasco. Me dá um cigarro desses... – acendeu e começou a examinar o mapa de Londres na região próxima ao endereço do alvo. Gravesend não é muito longe de Gatwick. É necessário passar pelo centro, mas às altas horas da madrugada o trânsito é praticamente nulo e isso facilita uma fuga rápida se preciso.
Lince determinou que fossem os três ficar de guarda pelo tempo necessário para estabelecer alguma rotina para o alvo. Na primeira noite notaram que Richard chegou em casa por volta das vinte horas. Uma jovem vestindo uniforme de garçonete deixou o prédio em sua companhia às dez e ambos retornaram trazendo sacos de compra quinze minutos depois.
Na manhã seguinte Richard saiu às sete, ficou a manhã toda fora só voltando para a casa as quatorze horas e deixando novamente o apartamento em seguida. Conversou com poucas pessoas nos arredores do apartamento e parecia um homem pacato e comum.
Lince determinou que agissem na terceira noite. Depois que as luzes do apartamento se apagassem. Nesses três dias Richard esteve muito ocupado.
Voltando à tarde em que chegaram ao apartamento em Gravesend, Richard tivera muito que fazer. Segundo o que dizia aquela carta uma empresa havia sido fundada com base em Londres e tinha três sócios: dois ingleses e um egípcio.
Os nomes dos dois ingleses eram Thomas Crowford e Charles Benkley Manington.  Ambos tinham apenas uma parte simbólica de dez por cento nos lucros dessa empresa. Aparentemente foram recrutados por dois motivos: um, estavam precisando que qualquer dinheiro rapidamente, e dois, eram ingleses e isso contava bastante para o terceiro sócio.
Nominado como Arkam Al Hassan, o sócio majoritário havia conseguido com os dois britânicos algo bastante importante para sua empresa, uma base em terras londrinas o que significava total liberdade de crédito para comércio em um país neutro. Principalmente em se tratando dos anos sessenta, início de um grande aumento na confiança mundial na Inglaterra.
Usando os nomes e endereços de seus dois “laranjas”, Hassan abriu sua empresa com um nome qualquer, um endereço qualquer e um faturamento inicial qualquer. Como norma das empresas abertas em terras inglesas naquela época, segundo o relatório obtido na Moodies, toda empresa deveria ter, para sua fundação, um secretário, um advogado, um livro ata contanto da reunião de fundação assinado pelo secretário e pelo presidente, e uma carta constitutiva outorgando poderes ao sócio majoritário sobre número de quorum necessário para que se aprovem emendas e novos projetos.
Estava claro que a carta constitutiva, assinada pelos devidos presentes numa reunião que ocorrera numa tarde chuvosa em East End, dava quorum necessário como somente um dos três sócios, o que dava a Hassan plenos poderes para decidir o que e quando as mudanças seriam feitas.
Deixando uma margem de lucros registrados bem abaixo da realidade os sócios de Hassan tinham faturamento simbólico e a empresa jamais teve ações públicas com que se pudesse negociar. Uma conta numerada foi aberta no Zwigly Bank da suíça que somente Hassan sabia. Uma participação interessante nos lucros foi oferecido ao gerente do banco que não fez objeções à mentiras se acaso fosse perguntado.
Richard havia saído da redação do London Today direto para a Moodies, onde seu colaborador anônimo havia estado dias atrás. Ele queria localizar os sócios ingleses de Hassan e se possível, levá-los às autoridades.
Uma fraude daquele tamanho seria sua grande história. Dois cidadãos ingleses haviam permitido – sem que soubessem, na verdade – que um estrangeiro ex-membro da Legião Francesa negociasse em libras esterlinas a venda de armamento pesado aos soviéticos numa época em que James Bond teria um trabalhão pra resolver.
Depois de consultar suas fontes no mundo jornalístico Richard descobriu que um dos homens, Thomas, havia sido encontrado morto dentro de um barco de pesca no píer de Dover com um tiro na testa. O assassino jamais foi encontrado.



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Qui, 03 de Janeiro de 2008

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Última atualização em Sex, 04 de Janeiro de 2008 04:51
 
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