Parece que você não efetuou o “login”, ou não é registrado. Cadastre-se, é gratuito. CLIQUE AQUI
 
MERCENÁRIO - CONTINUAÇÃO - Abordagem a Saint Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Diversos

Escrito por Brunno
(0 votos, média de 0 em 5) "Caso queira votar neste texto, clique de uma a cinco estrelas"

Ter, 08 de Janeiro de 2008 16:40
O outro sócio, Charles Manington, simplesmente desaparecera. Não havia registros de óbito, partida do país ou um novo endereço. Manington desistira de votar, renovar seu seguro social ou pagar seus impostos. Aprofundando mais nas investigações Richard descobrira que Charlie também fora um combatente nas frentes Estrangeiras na Argélia, e que pelo que parecia, havia sido traído pelo sócio.
Então onde estaria Manington hoje? Na segunda tarde o repórter foi até o antigo endereço do sumido para tentar localizar alguma pista. A única coisa que encontrou foi uma mercearia. O dono era um senhor de idade que insistiu várias vezes para que ele ficasse para tomar um chá. Saint educadamente recusou a continuou sua busca.
Nos arquivos não havia sequer uma foto dos sócios, uma menção a seus destinos, um passaporte em nome deles, nada. Depois de três dias procurando estava sem idéias. Só conseguia acender um cigarro atrás do outro e pensar. Ao menos não estava bebendo mais. Sentia que finalmente tinha um norte a seguir.
Eles não deixavam vingadores. Richard deu um beijo de boa noite em Tiff e voltou para a sala, para a máquina de escrever e para seu cinzeiro lotado de pontas e as anotações feitas à mão. Nem sequer notou o Hoover parado quase sempre no mesmo lugar, sempre com três pessoas de cera dentro.
Lince apôs o silenciador em sua pistola e ficou decidido que ele daria o tiro, de longe, do lado de fora assim que o indivíduo ficasse distraído. A distração? Uma loira deslumbrante bateria a sua porta às altas horas da noite com o cabelo molhado e a blusa entreaberta deixando exposto o sutiã de renda branca.
__E eu? Que eu faço nisso tudo?
__Você está com hormônios demais, monsieur Gascoin. Provavelmente vai entra chutando tudo  e derrubar o cara somente depois que a guarda nacional cercar o prédio. – respondeu Lince.
__Qual é Lince? Deixa eu fazer alguma coisa! Ela vai agir porque é gostosa e você porque atira bem, e eu?
Os chefes de equipe se olharam e novamente trocaram aquela confidência. Resolveram que pela planta do apartamento, a porta devia dar acesso a praticamente todo ele. O trabalho de Gascoin então seria entrar sem ser notado.
__Qual a primeira regra para uma invasão furtiva? – perguntou Chase. Neste momento eles estavam no telhado do prédio e Lince sobre a ponte de Heakey. O ex combatente inglês estava há mais de cinqüenta metros do alvo, usando uma jaqueta de couro preta, fumando seu cigarro e olhando o passar do braço do Tamisa sob seus pés. Tinha linha de mira desobstruída e podia ver o alvo sentado trabalhando numa máquina de escrever.
__ Verificar se o local está coberto. – respondeu Gascoin, bem próximo ao parapeito de uma queda de quinze metros.
__ E como se faz essa verificação?
__Não há vigilância nas ruas. Nosso relatório aponta que provavelmente não há câmeras de observação nem sequer alarmes de posição. A janela norte está aberta e o alvo posicionado no cômodo principal.
__Qual a posição de Lince?
__Cinqüenta metro no contra norte. Pronto para atirar se necessário.
__Qual seu objetivo?
__Imobilizar o alvo e checar o perímetro.
__O que consta como provável ameaça no perímetro?
__Mais uma pessoa. Sexo feminino. Um metro e sessenta, cinqüenta quilos.
__ Qual a providência para manter sua cobertura?
__ Inutilizar comunicações. Fios de telefone da central do prédio já estão cortados. Nenhuma luz acessa na loja alvo.
Chase jogou o cigarro no chão e olhou para o céu.
__Qual o maior perigo nessa ação?
Gascoin começou a pensar. Era uma pergunta hipotética?
__Sei lá... Pode ser... Eu morrer antes de chegar à janela... Você atirar em mim pelas costas por algum motivo obscuro...
__Vizinhos, seu idiota. Não acorde os malditos vizinhos.
Ele estava ansioso para usar o equipamento de escalada. Constava de uma trava com um imã eletromagnético que aderia a qualquer superfície metálica depois de ligado e um fio de kevlar de oitenta metros que podia suportar cento e dez quilos. A soltura do fio era feita por um controle remoto. Havia ainda uma cinta de nylon que permitia ao mosquetão do fio, correr das costas ao ventre com um simples jogo de corpo de quem estivesse descendo.
Gascoin prendeu o dispositivo e ligou a bateria. Puxou o fio, ligou-o à cinta e pôs os pés na beirada do parapeito. Os três tinham um rádio sem fio nos ouvidos direitos. Os dois mais experientes iriam coordenar a ação do novato e Lince atiraria de onde estava se necessário.
Ele parou na ponta de frente para Chase. Passou o fio para suas costas e ela não gostou. Era arriscado descer de cabeça para baixo. Henri apoiou as mãos na fachada do prédio e foi soltando o fio pelo controle remoto.
A loja alvo, ou simplesmente apartamento, ficava no terceiro andar, portanto, Gascoin desceria por sete metros. Ele parou a poucos centímetros acima da janela, esticou os olhos na direção do cabelo e viu a rua parcamente iluminada e a bruma da madrugada que emulava pelos postes.
Quem já desceu por uma corda pendente há mais de cinco metros sabe o quanto essa coisa pode oscilar com qualquer brisa leve. Quando se está em posição normal basta arquear as pernas para manter o controle do equipamento de escalada, mas quando se está de cabeça para baixo a única coisa que mantém o controle de descida é a mão que segura a corda. Neste caso não havia mão, então, Gascoin começou a balançar como um pêndulo pouco acima da janela.
Conseguiu controlar o corpo e usando uma das mãos se apoiou na parte de cima do parapeito. Olhou discretamente pelo vidro fechado e vê Saint na cozinha exígua abrindo a geladeira.
__Entrando. – girou o corpo no ar e por pouco não bateu no vidro. Ficou com as pernas exatamente onde a janela terminava embaixo e soltou um pouco a corda. Arqueou as pernas como Chase havia ensinado e quando notou que Saint saía da cozinha deu mais corda e esticou as pernas. Ficou em noventa graus com a parede de fachada do prédio e Saint retornou à sua máquina.
Gascoin ficou imóvel por um tempo. Tinha dificuldade para manter o equilíbrio e Lince dizia no rádio que estava pronto para atirar. O novato pediu que ele esperasse mais. Chase disse para Lince atirar.
Gascoin apertou o comando de retroceder no controle e o dispositivo do gancho puxou-o rapidamente para cima. Ficou novamente com os pés apoiados no parapeito. Saint tomava um gole de chá quente quanto olhou o lado e viu a figura de preto, mascarada, que abria sua janela da sala e entrava com extrema habilidade, pousando suavemente no chão a sua frente.
Ele tentou levantar, mas Gascoin já havia desengatado o mosquetão de escalada e com um chute giratório que passou por cima da máquina de escrever, acertou em cheio o rosto que Saint.
O jornalista caiu desorientado e Gascoin afastou-se em direção à porta do quarto. Aguardou um tempo olhando o corpo moribundo de Richard que tentava firmar os pés. A porta do quarto se abriu e uma sonolenta Tiffany apareceu segurando a frente de seu penhoar. A pobre moça não viu de onde veio o soco. Mas foi um upper que parou na ponta de seu queixo, fazendo abrir um corte no mento e derrubando-a antes que o sangue chegasse a escorrer pelo pescoço.
Gascoin balançou o braço direito pela dor forte que sentia na mão e olhou novamente o alvo. Saint estava de pé e já se preocupava com sua namorada desfalecida à entrada do quarto deles. Sua primeira reação foi pensar em assalto, mas daquela maneira era um tanto exagerado.
O mercenário deu dois passou e segurou Saint pelo pescoço.
__Richard Saint. Quero saber onde obteve as informações que tentou publicar a poucos dias.
Saint estava confuso, tinha uma mão segurando seu pescoço, acabara de levar um chute no rosto e via sua namorada inocente sangrando por algum lugar que ele temia fosse fatal, não estava exatamente aquiescido a responder perguntas.
Gascoin o afastou o suficiente para que outro chute, este de pé esquerdo, o atingisse novamente no rosto.
__Ta fazendo barulho demais, seu idiota! Acha que um corpo caindo não acorda os vizinhos? – disse Chase pelo rádio.
__Está ai há quarenta segundos e teve três quedas. Logo alguém deve bater à porta. – disse Lince na ponte.
__Diga. Onde conseguiu as informações que tentou publicar? – insistiu o mercenário.
Saint estava no chão, olhando o homem mascarado e imaginando o dia em que aquela carta passar por baixo da porta. Era um homem pacífico, não imaginava ser agredido de forma tão vil.
__Calma, senhor. Digo tudo o que quiser, mas não machuque minha namorada. – Saint notou que sua boca doía muito e alguma coisa dura rolava pela língua.
__Sabemos que tentou publicar uma matéria há poucos dias e queremos sua fonte. Diga Saint. – Gascoin cometia um erro.
__Uma carta... Uma carta foi deixada para mim, aqui mesmo, mas sem remetente ou endereço. Quem a deixou apenas passou por baixo da porta e correu... – o jornalista cuspiu um dente.
Gascoin ficou sem ação por um momento. Três batidas na porta do apartamento. Saint tinha sangue descendo pelo canto da boca e não era pouco. O vizinho do apartamento ao lado, um senhor de idade, perguntava se estava tudo bem.
Os olhos de Gascoin por baixo da máscara negra ordenaram e Saint atendeu.
__Está tudo bem Sr. Jones! Eu apenas deixei cair umas coisas do armário...
O homem disse alguma coisa e se calou.
__ Oitenta segundos! Executa logo esse cara e se manda daí, Gasco! Você já fez merda! – ordenou Lince.
__Quero ver a carta. – disse o agressor.
Saint vasculhou rapidamente a gaveta sob a máquina e encontrou, fez isso o tempo todo olhando Tiff desmaiada e começou a chorar.
__Ela não tinha nada a ver com isso... – lamentava-se entregando a carta ao homem de preto que olhou rapidamente o conteúdo e guardou depois de se certificar que era mesmo o que ele exigia.
__ Agora ouça. Se disser qualquer coisa às autoridades nós voltamos e terminados o serviço...
“O que?” pensaram ao mesmo tempo Lince e Chase, o agressor continuou.
__ Entraremos em contato com você em pouco tempo. É melhor que tenha uma pista sobre quem mandou essa carta.
Gascoin deixou o homem caído no chão de sua sala, apanhou do chão o mosquetão junto à parede da janela e prendeu no cinto. Deixou as pernas soltas e subiu novamente para o telhado.
Encontrou uma loura furiosa, porém, concentrada. Desengataram o dispositivo de escalada e desceram pela escada de incêndio até o beco atrás do prédio onde o carro esperava. Ela entrou do lado direito e arrancou.
No apartamento, Saint arrastou-se até o corpo de sua namorada que para sua glória reagiu quando ele a tocou na perna. Os dois ficaram chorando sentados no chão enquanto ela aparava o queixo que naquele momento cessava de sangrar.
Chase foi até a ponte, com Gascoin desatarraxando o silenciador de sua arma e puxando pela frente a máscara negra. Lince entrou e os três tomaram a Lambeth Palace Road, atravessando a Ponte de Londres e indo na seqüência pela Cannon e Moorgate street de volta a Gravesend.



Crie um banner deste artigo em outros sites


Para criar um banner deste artigo em outro site,
copie e cole o texto abaixo em sua página.




Visualizar :


Última atualização em Ter, 08 de Janeiro de 2008 17:46
 
Comentários (0)
Somente usuários registrados podem comentar!