| Mercenário - ´Princípio do Motim |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por Brunno |
Qui, 24 de Janeiro de 2008 16:16 |
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Após dar o nome, o jornalista que era amigo de Hassan e sócio de Endean no jornal, estava muito mais afoito. Usara palavras fortes com o egípcio que revidou na mesma moeda. Os dois tinham quase o mesmo peso dentro do consórcio de empresários. Ambos eram associados do Grupo. Faziam parte dos quase doze homens que de dentro da Europa, África e Ásia, decidiam muitas coisas importantes visando somente seus lucros, politicamente inclusive.
Lince explicou o tamanho que essa operação tomava e Gascoin ainda não acreditava que poderia haver no mundo gente tão poderosa, capaz de dominar questões de governo sem jamais ter tomado parte efetiva da política de suas nações. Parte da imprensa de todo mundo é taxativa quando prega que em dezenas de países são os empresários que tomam conta da nação. Fazendo conchavos com políticos e determinando quando e onde as decisões devem ser tomadas. É bom para ambos os lados e isso normalmente acontece nos países em desenvolvimento, onde a impunidade e a desorganização são geralmente maiores. Mas tratava-se da Europa, o continente que Gascoin mais admirava. Os últimos traços de patriotismo haviam sucumbido quando notou que era muito mais interessante ser cidadão europeu, para seus ganhos, obviamente, do que manter sua nacionalidade original. Não podia conceber que realmente existisse um grupo de homens capazes de tomar decisões e passar com isso por cima de qualquer lei ou costume nacional. Hassan era parte desse Grupo. Não precisavam de nome, sede ou estatuto. Eram como chacais famintos trancados numa sala fechada, mas que por algum motivo, evolução talvez, aprendeu que trabalhando juntos e pensando da mesma maneira, podiam dominar quaisquer outros animais que ali entrassem, esses animais eram o povo. Nos tempos em que estavam em Alexandria participavam de festas ocasionais promovidas por Hassan para os demais membros do Grupo. Praticamente semanais, essas festas eram para associados que estavam de passagem pelo Egito. De tempos em tempos alguém promovia uma grande festa onde eram comensais, inclusive, as famílias dos sócios, e contavam com a companhia de primeiros ministros, reis, príncipes, embaixadores, presidentes e empresários. Numa dessas festas Gascoin foi apresentado a um homem sombrio. Era um empresário grego, de trinta e poucos anos, dono da poderosa V.Corp., que produzia desde ogivas nucleares até os motores dos ônibus espaciais, passando por porta-aviões e todo tipo de coisa bélica que se pode imaginar. Victor Vox não era grego de nascimento, mas naturalizado como Gascoin. Era casado com uma de suas executivas, uma linda morena de olhos verdes tão sombria e fechada quanto ele. Moram numa ilha artificial que Vox mandou construir em pleno mar Egeu e chamou Tenébria. Deslocava-se geralmente por barco para onde quer que fosse e normalmente contava com um exército particular como segurança. O homem conversou bastante com Gascoin e parece ter gostado deste. Ambos tinham idéias parecidas e vinham de histórias semelhantes, Vox também havia iniciado do nada seu império desde muito cedo trabalhando com venda de barcos de pesca para um velho grego. As contas de todos os mercenários membros do Grupo, tanto os agentes de campo quando os de inteligência eram no Vox Bank, sediado em Tenébria e livre que qualquer crivo ou fiscalização governamental. Chase disse ainda que Vox é Presidente, Vice-Presidente, Chefe de Estado Maior, ministro de tudo o que fosse possível de sua ilha, que por sua vez era considerada uma nação à parte. “Considerada por quem? Pelas cuecas dele?” ironizou Gascoin. “Não, pela Organização das Nações Unidas. Vox é o patrocinador do exército deles e doador de quantias estratosféricas para os fundos de ajuda às vítimas de tudo quanto é porcaria no mundo”. Mas era membro do Grupo? Quer dizer, por que um homem com tanto poder precisaria de outros para mandar? __É estranho – comentava Gascoin naquela festa – Com tanta segurança pessoal para a esposa ele mesmo não é acompanhado por ninguém? __É defendido pelas nações que tem sedes da V.Corp. Victor Vox é tido hoje como tão importante para os negócios do mundo capitalista que nenhum idiota tentaria alguma coisa contra ele ou sua família. Do contrário seria o mesmo que desembarcar em Washington vestido de árabe e gritando “morte aos infiéis!”. Fuzilado em vinte segundos. Voltando à reunião dos assassinos. __Temos a identidade do outro jornalista. Foi passada pela mesma fonte que deu a primeira dica a Hassan. Isso é uma importante quebra de sigilo. – comentava Gascoin. __Por que é quebra de sigilo? – perguntou Chase. __Por que o nome do primeiro homem foi passado através dos agentes de inteligência, no pub, logo que chegamos a Londres. Dessa vez a fonte disse o nome por telefone. Provavelmente estão ficando desesperados. Aposto que a fonte é parte do Grupo e membro importante da imprensa de Londres. Lince deu um soco na mesa. __Não é prudente ficar conjecturando as identidades dos membros do Grupo, senhor Gascoin. Aos que fora apresentado deve ter extremo cuidado ao falar, aos que não fora, não fale! __Mas ele tem razão, Lince. É quebra de protocolo e você sabe disso. Portanto vamos resolver essa merda logo. Essa missão ta começando a sair do nosso controle. Estamos brigando entre nós por nada. Precisamos de descanso e precisamos logo. Teremos assim que tudo isso terminar. – ponderava Chase, entre os dois. __Ela ta certa. Olha Lince, você nos passa o nome do homem que está com a informação e Chase e eu o eliminamos, sem considerações de última hora dessa vez, sem falhas. – prometeu Gascoin. Lince pensou um pouco. Era uma forma de se redimir e definitivamente aquela missão estava se tornando bastante irritante. Gascoin não fora contratado e treinado durante um ano para ser descartado, tinha de aprender de uma vez por todas e suas considerações quando aos novos rumos das comunicações estavam certas. Passou a Hassan os planos dele e o homem pediu para falar com Chase. Ela ouviu por algum tempo e começou a sorrir. __Você é minha linda Princesa das Neves. É a treinadora do novo recruta. É seu dever fazer com que ele se torne tão eficiente quanto você e Lince. Tenho certeza que conseguirá, minha querida. Depois que tudo terminar vamos todos velejar pelos mares quentes do Mediterrâneo e tomar sucos e comer as mais frescas tâmaras! __Certo, senhor Hassan. Vou cuidar de tudo. – desligou e voltou para os dois – Ele quer que eu comande essa ação, quer Gascoin como principal agente de campo e Lince lidera ao largo. Da mesma forma que a invasão em Gatwick. Lince assentiu e finalmente os ânimos iam se acalmando. Era normal em missões desse tipo, em que comandados têm de passar tempo demais esperando resultados e ordens que quando tardavam chegar, esquentavam as relações pessoais. Os militares do bled, o interior da África do Norte, chamavam isso de Fúria dos Quartéis. Novamente no escritório do London Daily. Aquela tarde estava pouco mais fechada que o de costume em Londres, os carros pareciam mais silenciosos assim como as pessoas, menos comunicativas. Parecia que todos estavam aguardando com pesar as comemorações do aniversário de Sua Majestade a Rainha. Nascida em Abril de 1926, ela tradicionalmente recebia de presente de seus súditos uma festa magnífica para comemorar mais um ano de vida. O fabuloso Estádio de Wembley tornava-se palco de apresentações mundialmente assistidas e uma legião de fãs ia prestigiar seus ídolos. Tudo aconteceria em dez dias e a cidade, naquela tarde em especial, parecia ignorar este que é um grande acontecimento para os ingleses. O homem sentado na imponente cadeira de couro atrás da mesa enorme baixava as duas folhas contendo uma matéria investigativa um tanto complicada de entender e olhava sorridente para a pessoa à sua frente. __Achei muito interessante essa matéria e gostaria sim de publicá-la. Mas nós aqui do jornal temos algumas regras para admitir trabalhos de freelance, você bem deve saber. Para evitar qualquer tipo de problemas gostamos de exclusividade. Se você se comprometer a somente fornecer a nós essa matéria, lhe pagaremos adiantado e garantimos, obviamente, seu nome ao final da publicação, que, posso assegurar, será de primeira página. Ashley Vaughan abriu tanto os olhos verdes quanto o sorriso enorme de tanta felicidade. Havia saído da faculdade de jornalismo do West College há menos de dois meses é ao contrário de seus colegas de turma, teria tão logo uma publicação de primeira página, e no London Daily! Não podia ser melhor! __Eu garanto, Sr. McNamara! Pode confiar em mim! Como disse, não é o primeiro jornal para quem tento trabalhar, mas os outros foram tão cruéis dizendo que eu era ruim e que tinha de aprender a checar minhas fontes! O senhor está sendo tão amável... __Gosto de pensar em mim mesmo como um patrono aos novos colegas de profissão! Tenha certeza de que essas informações serão levadas a conhecimento público e você, reconhecida como uma jovem promessa do jornalismo. Agora me diga novamente, como chegou a essas linhas, minha querida? Ela ajeitou-se na cadeira, toda empolgada e começou a contar a história de como estava com Steven, seu namorado, tomando sorvete em Piccadilly Circus. Estavam sentados numa das mesas da calçada quando um homem a ouviu comentar que talvez desistisse do jornalismo porque estava difícil conseguir emprego. Imediatamente o homem, que parecia preocupado, tirou um pedaço de papel do bolso, escreveu rapidamente uma série de informações e entregou a ela. Ele estava ofegante e disse que se ela queria começar uma carreira, aquela era a melhor forma. Na mesma hora a empolgada jovem correu até seu apartamento e fez a matéria. __E tudo isso foi há dois dias? – admirou-se McNamara – Você deve ter um faro jornalístico inominável! De qualquer forma, meus parabéns. Vou cuidar para que isso saia o quanto antes possível. Agora me garanta que esses são os originais e você não tem cópias em sua casa. __Esses são os originais, prometo – e riu beijando os dedos – só tenho o que ficou salvo em meu computador. __Muito bem, está ótimo então! Deixe por favor, seu endereço e telefone com minha secretária para que possamos entrar em contato com você para quando precisarmos de outro trabalho dessa qualidade. – levantou-se, estendeu a mão e sorriu abertamente. – E lembre-se: agora é uma jornalista de primeira página, não deve comentar sobre esse trabalho como ninguém! __Não senhor, sou muda como um cadáver! A jovem fez o que ele havia pedido e deixou a redação ligando do celular para seus pais. Os dois não podiam ficar mais felizes! Sua filha recém-formada seria publicada na primeira página de um grande jornal! Vinte andares acima daquela ligação, McNamara estava de frente para a janela observando o correr da City. Sua secretária entrou trazendo um papel que deixou sobre a mesa, dizendo que eram as informações que ele havia pedido. O velho editor pegou o telefone e discou uma série de números, mais que os normais para uma ligação local. Num apartamento simples em Gravesend o crepitante aparelho acusou uma chamada desviada por dois satélites diferentes. Chase tirou o fone do gancho e não disse nada. __Avenida Epsom, trinta e cinco, Sutton. – e desligou imediatamente. A bela bateu o fone calmamente e deu o olhar azul, frio e mortal que Gascoin adorava. __Senhor Lince, diga ao Senhor Hassan que nós estamos entrando. Nunca devem acontecer erros, mas dessa vez era ainda mais importante que a coisa toda desse muito certo. A visão da sala do pequeno apartamento dos mercenários era única. Num canto, próximo à porta da cozinha, Chase fechava o zíper de sua blusa, punha o colete à prova de balas, embainhava uma faca sobre o seio esquerdo, encaixava um pente de dezesseis tiros no cabo de sua Glock e guardava mais dois nas costas, ajeitava o rádio no ouvido direito e sob o braço esquerdo punha outra pistola, esta uma Imbel, com silenciador e um pente extra. Perto da janela agora fechada, Gascoin fechava as travas de seu colete à prova de balas, punhas duas glocks em coldres nas costas assim como dois pentes extras, a faca na cintura do lado direito, o relógio no punho esquerdo, rádio, e enfiava na sacola o equipamento de escalada, duas granadas de fragmentação, equipamento de chave mestra eletrônica, fita adesiva, a máscara negra e uma bomba de fumaça. Do quarto surgiu Lince sem colete e segurando seu fuzil de precisão. __Vamos logo. Pouco antes de saírem Gascoin enfiou pelo bolso da calça cargo uma embalagem plástica semelhante a um tubo de dentifrício e um pequeno aparelho eletrônico. Isso ele havia conseguido de um fornecedor misterioso, quando deixou o apartamento para esfriar a cabeça depois da briga. O Land Hover preto deixou a rua dos portos de Gravesend em velocidade mediana. Era três horas da tarde e eles teriam de enfrentar um trânsito pesado até Sutton, sul do centro da cidade. O plano era identificar o alvo como sendo “Ashley Vaughan”, vinte e poucos anos, cabelos castanhos claros ondulados, olhos verdes, um metro e sessenta e oito e cinqüenta quilos. Objetivo da missão: eliminação e queima de arquivo, literalmente. Era para ser simples. Chase ficou o tempo todo calada dentro do carro, no banco da frente à esquerda de Lince, ao volante. O rádio do carro tocava uma versão das mais antigas de London Calling como se fosse exatamente o que eles estavam fazendo. A temperatura estava em torno de dez graus, mas a sensação térmica era de três. O carro era mantido aquecido pelo sistema de ar condicionado e Gascoin logo começou a sentir-se mal pelo calor. Lince disse que não abriria as janelas, seria loucura. Estavam a poucos quarteirões do apartamento da jovem e esperariam o cair da noite para invadir e finalizar aquela missão. Enquanto aguardavam o desvencilhar do tráfego pesado Lince recebeu duas mensagens em seu celular. Chase perguntou o que era e disse que era Hassan querendo saber em tempo real como estava o andamento de tudo. Chegaram ao número trinta e cinco da Avenida Epsom às seis e vinte. O mesmo percurso em horário tranqüilo teria sido coberto em menos de vinte e cinco minutos e isso os deixou ainda mais cansados e estressados. Chase repassou com Gascoin o que ele deveria fazer. O novato saiu do carro dizendo que estava passando calor demais e assim que pisou na calçada disse a seus dois treinadores que iria até o pub da esquina ver se conseguia comprar cigarros. Tendo retornado poucos minutos depois. Haviam recebido de Hassan, com uma ajuda de seus contatos na prefeitura de Londres, a planta do apartamento, portanto, sabiam que havia somente duas saídas. A da porta a frente era coberta por uma marquise e tinha uma banca de jornal exatamente em frente. Se Lince se posicionasse em algum ponto diante daquela porta para abater o alvo caso eles falhassem, teria de passar por um número excessivo de obstruções. A outra saída era por trás e dava acesso a uma escada de incêndio que descia por um braço de metal controlado por lastros até um beco atrás do prédio, ali seria um bom ponto para aguardar o alvo. Decidiram que Lince ficaria dentro do carro, do outro lado da vasta avenida e ficaria no banco de trás, sentado de frente para o beco com o fuzil em punho. Se visse a jovem descer pela escada saberia que eles haviam fracassado e, então, seria sua deixa para derrubá-la e sair imediatamente dali. Chase e Gascoin entrariam pela porta da frente, encontrariam o apartamento e fariam a coisa toda da maneira mais simples: invasão, execução, recuperação do arquivo e retirada. __Oito e trinta. Chamamos? – Chase perguntou ao líder de campo se deveria ligar e recebeu uma resposta afirmativa. Ao que fez isso, ouviu a jovial voz de Steven que obviamente estava feliz pelo sucesso da namorada. – Gostaria de falar com a senhorita Vaughan, por favor. __Ah, sim. Só um momento que vou chamá-la. Chase desligou o telefone e olhou para trás. Gascoin tinha as duas mãos nas armas e parecia ter sangue nos olhos. Ela meneou a cabeça e imediatamente os dois começaram a tomar suas posições. Gascoin usava, assim como Chase, uma capa preta sob a roupa também preta. Em Londres aquilo não chamava muita atenção, portanto, passaram praticamente despercebidos quando cruzaram a avenida larga até a fachada do prédio de seis andares de cor predominantemente amarelada. A noite já era evidente e o primeiro problema surgiu logo na entrada, a porta estava trancada e funcionava através de uma trava eletrônica que somente os moradores tinham acesso. Gascoin estava ansioso para usar o novo equipamento, mas foi Chase, em segundos, quem destravou a porta. Ao que passaram pelo hall de entrada um senhor de mais de sessenta anos levantou de sua cadeira e veio na direção deles. Parecia bravo, carregava um jornal, tinha óculos de leitura levantados sobre a cabeça e dizia alguma coisa parecida com o fato de que eles não podiam estar ali. Os dois assassinos se olharam. Gascoin deu o primeiro passo e Chase não o deteve. O novato parou diante do homem que ergueu lentamente as mãos como que quisesse afastar o homem mais alto. O senhor olhou Gascoin de cima a baixo e a primeira coisa que notou foi a faca na cintura. Antes que ele pudesse levantar o olhar novamente, Gascoin havia recuado um passo para dar ao braço sua extensão mais eficiente e golpeara o homem na ponta do queixo. A cabeça verteu rapidamente para os lados e o corpo ai caindo, mas foi barrado pelos braços do agressor. A loura ajudou a carregar o corpo dormente do homem, que foi deixado com as mãos atadas pela fita adesiva e com a boca selada da mesma forma em um armário de mantimentos ao lado da portaria. __Quinze segundos... – Chase disse para que Lince soubesse quanto tempo da missão havia decorrido desde sua entrada. Aquele prédio tinha elevador e Gascoin foi o primeiro a entrar. Chase ficou parada no primeiro degrau da escada aguardando o colega. Assim que veio até ela, a bela esclareceu que não havia necessidade de subir quatro andares de elevador correr o risco de prejudicar a missão ficando preso dentro dele. Gascoin ainda tinha muito que aprender, mas ia bem. Chegaram ao corredor do quarto andar. Era um prédio modesto com oito apartamentos por andar. Mais comprido que largo, as divisões haviam sido feitas para deixar um corredor central em que se chegava pelo centro. À esquerda e direita ficavam as portas distribuídas em número igual de quatro e todas do lado da escada. A parede do lado oposto era tomada pelos acessos à escada de incêndio. O alvo era o número 44 e deram com uma porta simples, de cor creme, com um olho mágico no meio e uma plaqueta com dizerem amistosos. “Sejam bem vindos”. Chase bateu duas vezes e já podia ouvir vozes alegres do lado de dentro. Gascoin estava recuado dois passos para o lado e portando sua Glock presa pelas duas mãos. Chase olhou para ele e discretamente mandou que guardasse a arma. Ele não entendeu, mas ela queria fazer a coisa o mais silenciosamente possível. Assim que a sorridente jovem abriu a porta travada pela corrente, deu de cara com uma linda moça, loura, de olhos angelicais e vestida de preto, sorrindo para ela e falando docemente. __Boa noite. É a senhorita Vaughan? __Sim, sou eu. Em que posso ajudá-la? __Olá. Eu sou Clarice Marie, sou do Saint Martin’s College. Por favor, perdoe minha visita fora de horário. Gostaria de falar com a senhorita sobre um assunto de trabalho que infelizmente não pode aguardar até amanhã. Pode ser aqui mesmo do corredor. – Chase abria seu sorriso mais cativante. Gascoin há dois passos dela ainda de arma em punho não entendia porque ela não chutava aquela porta logo e mandava bala em todo mundo. __Eu não entendo. Disse que é do colégio das madres?- perguntou ainda um pouco desconfiada. __Sim, mas eu não sou uma dar irmãs. Apenas trabalho no setor de divulgação da fundação que toma conta do colégio. Soube por um senhor do ramo da imprensa que a senhorita foi procurada pelo London Daily. O que quero dizer, senhoria Vaughan, é que precisamos de alguém de sua qualidade para redigir uma matéria sobre o colégio. Como sabe precisamos de muitos alunos para o próximo ano e é hora de pensar nisso. Ashley começou a abrir um sorriso. __Mas eu não a devia estar incomodando a essa hora da noite. Façamos o seguinte: porque a senhorita não vai até o colégio na semana que vem para que possamos nos reunir e posso lhe dar as diretrizes do trabalho que precisamos... Ainda que seja urgente, acho que podemos esperar. __Pode aguarda só um momento, por favor?- Ashley fechou a porta e abriu um grande sorriso para Steven, sentado no sofá com o controle remoto na mão. Disse em voz baixa que era uma proposta de emprego do colégio clérigo e Steven imediatamente disse para ela mandar a pessoa entrar. A jovem soltou a corrente e abriu a porta sorrindo. __Pro favor, entre. Como disse que se chamava? __Permita-me que eu me apresente devidamente... – Do lado de fora Gascoin ainda ouvia diálogos calmos dentro da casa. Começou a pensar se devia estar ali. Era simples demais. Assim que Chase executasse a menina ele deixaria de receber ordens, era hora de amotinar... Enquanto Gascoin pensava no que acontecia lá dentro, Chase se apresentava da melhor forma possível ao jovem casal. A moça estava na cozinha preparando um chá e falando pelos cotovelos tendo deixado seu namorado fazendo sala para a loura simpática. Enquanto Ashley esquentava água e pegava o mate dentro do armário, na sala, Chase tinha Steven deitado de bruços no tapete. Ela travava com uma das mãos um braço de Steven, segurava suas pernas com as dela e a outra mão espremia o pomo de adão que só não sangrava com as unhas de Chase devido às luvas de couro. Ela quebrou a traquéia do rapaz em quarenta segundos. __Dois minutos e meio... – os dois ouviram pelo rádio a evolução da missão. Gascoin pensou em entrar, mas logo em seguida ouviu da precavida chefa a ordem para ficar do lado de fora. __... Eu dizia a mim mesma quando estava na faculdade: você será uma grande jornalista! Assim que as primeiras propostas de trabalha aparecerem você será nacionalmente conhecida! Onde está Steven? __Acho que ele foi ao banheiro – dizia Chase ainda sorridente. O corpo morto de Steven jazia realmente no banheiro. __Homens são assim mesmo! Não podem ouvir uma conversa séria que logo ficam entediados! Sob a bota esquerda de Chase, no tapete, a única mancha de sangue vertida pela boca do rapaz estava escondida. Ashley ainda notou que era estranho o fato de uma mulher trabalhar para o setor de divulgação de uma fundação tão grande como aquela não ter controle mais adequado de suas visitas profissionais. Chase se calou e ficou olhando a menina servindo chá em silêncio. Ashley olhou para ela e perguntou novamente onde estava o namorado. Em seguida chamou por ele no banheiro, não respondeu. Foi até o quarto e viu que a cama estava arrumada e retornou à sala. A mercenária já segurava a arma silenciada. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Sex, 25 de Janeiro de 2008 12:36 |

