
| A minha casa na montanha |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por Catucha |
Ter, 05 de Fevereiro de 2008 18:03 |
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Os olhos pretos da cor de jaboticaba percorrem o ambiente tranqüilo e sereno no alto da montanha. Uma mesa com quatro cadeiras rústicas de madeira, artesanalmente esculpidas, é iluminada pelas chamas que escapam do fogão a lenha que ampara duas panelas de barro fumegantes.
Um degrau a baixo, encostado na parede de grossos e reciclados tijolos a vista, um pequeno armário de madeira em pátina clara guarda poucas louças e utensílios colocados de maneira artesanal. Um sofá de couro claro, já amaciado pelo tempo, algumas almofadas soltas. A pequena mesinha que ampara vários livros com marcadores pela metade descansa sobre um velho tapete de couro de carneiro branco. Nos quatros cantos da sala, janelas estreitas e altas com batentes feitos de grossas madeiras de postes antigos deixam entrar a luz do sol e permitem ver uma das mais lindas criações de Deus: o céu azul anil e a mata cheia de vida de onde se ouvem pequenos silvos melódicos. Assim via seu sonho realizado.Isabelle, ilustradora de livros, com 49 anos, pele clara e conservada, cabelos pretos brilhantes chegando aos ombros, tem em sua expressão a alegria de um sonho realizado. Conseguiu comprar a casa da montanha que servira de inspiração, por quatro anos, para o famoso escritor Camilo, seu amado. Foi casada por 25 anos com um bem sucedido empresário com o qual teve quatro filhos. Descobriu que fora traída inúmeras vezes e que tudo o que ele lhe dizia e lhe oferecia de conforto e carinho nada mais eram que pura compensação pelos seus atos, pela culpa que sentia. Ela demorou cinco anos para se separar e se entregar ao amor verdadeiro. Recostada na cama aconchegante, com o olhar perdido na cortina rendada da janela do quarto, começa a reler o primeiro conto que Camilo lhe escreveu. A estória de uma escritora que se refugiara numa casa de montanha para fugir da cidade grande. E lá conhece Camilo, um jardineiro que cuida de suas lindas rosas e descobre que ele fora seu amor nas vidas pretéritas: "...Um dia ela faz a pergunta fatal": - Camilo, você foi casado, deixou alguém pelos caminhos do coração, fale mais de você. Os olhos de Camilo alcançaram aquelas pupilas pretas, penetraram seu corpo, sua alma e todo o seu ser. - Isabelle, não fuja das rosas por causa dos espinhos. Nos amamos em outras vidas. Vim apenas me despedir destas lembranças do passado, do seu amor, e lhe dizer que sempre a amarei..." As cartas apaixonadas pareciam poesias. "... Hoje estou tremendamente apaixonado, quero colo, quero amor, quero você... Quero ficar olhando nos teus olhos e decifrar toda a magia oculta em seu coração peregrino... Quero ver o mar revolto, o lago sereno, a chuva suave, a tempestade que assola e corrige..." Camilo não se conformava com a demora da consolidação... "... Como dói a aventura do amor puro, completo e infinito. O que poderia tocar o seu coração? Quanto mais amo mais aprendo a conviver com a solidão. Uma incompreensão aqui, uma lágrima acolá, uma intolerância partindo um coração? Quando será que você vai entender um coração doído e solitário, que apenas pede um ninho no seu colo acolhedor? Será que perdeste a medida de amar?..." Sentia medo de perdê-la e ficar apenas com as recordações. "...No portal dos tempos perdidos, ainda sinto seu corpo ardente e dolente... Arfando de prazeres inexistentes, como prestes a me abandonar. Vejo no céu, paciente ave voando, deixo meu corpo no prazer do seu. Acompanho a ave cativa que voa sem direção para a pura imaginação..." Uma voz serena tira Isabelle da sua concentração. Era Camilo: - Querida, venha. O ofurô de cedro rosa já estava preparado. - A água está na temperatura certa. Seu Izidro está na taça e já acendi os richôs com Alfazema que você tanto gosta. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Qua, 06 de Fevereiro de 2008 04:12 |



