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Literatura - Contos - Diversos

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Seg, 18 de Fevereiro de 2008 09:41
Nossa estação espacial estava indo para Júpiter, para estudarmos o planeta mais de perto. Era projetada para agüentar altas temperaturas ou temperaturas extremamente baixas. Também resistia à gravidade intensa dos planetas ao redor. Mas não sabíamos se agüentaria por completo a gravidade gigantesca de Júpiter. Mas com a tecnologia que tínhamos disponível nesse ano de 2101 DC, quase tudo era possível. A tripulação de dez pessoas estava bem animada, inclusive eu.

Tudo corria bem até ultrapassarmos Marte e chegarmos ao cinturão de asteróides que dividia os planetas pequenos dos grandes. A formação era intensa. E como nossa nave era enorme (possuía uma extensa cauda após sua frente triangular), gritamos para que todos dessem a ordem ao computador principal, Perseu, que erguesse os escudos blindados.

Atravessamos a intensa chuva de meteoros. Pequenas pedras e outras enormes, passaram por nós. As pequenas nos atingiram. Algumas partes da nave ficaram danificadas, mas nada irreparável. Mas o que viria à seguir, mudaria todo o curso de nossa viagem...

- Relatório de danos!

- Capitão! Danos externos na cauda. Mas já foram consertados pela inteligência artificial.

- Algo mais a reportar?

- Sim. No meio da chuva de meteoros, detectamos isso.

Nosso colega mostrou uma gravação que o computador havia feito no instante em que atravessavam a formação de meteoritos. Era um som estranho. Parecia vir de uma máquina, ou então, de outra nave...

- Mas como isso é possível?

- Não sei. Mas foi detectado. E se dirige à Júpiter. Sua rota foi alterada desde que chegamos aqui.

- Essa coisa está nos seguindo?

- Sim.

Mas ninguém sabia o que era. Era assustador ter a sensação de estar sendo seguido por algo que você não sabe o que é. Mas, pelo infravermelho, parecia ser algo do tamanho de nossa nave. Alienígena? Não. Preferimos ser mais realistas e pesquisamos à fundo. O ruído que foi emitido parecia ser bem conhecido.

Enquanto isso, nossa missão original foi mantida. Nos direcionávamos para Júpiter rapidamente. Cada vez que avançávamos um parsec, o planeta ia ficando cada vez maior. Sabíamos que lá seríamos apenas um grão de areia num mar tão denso.

Então, resolvemos virar nossos sensores para trás. A "coisa" estava nos seguindo, mas não podíamos visualizar nada. Parecia haver um campo gravitacional ao redor dela que a tornava invisível.

Avançamos...

(...)

Passou-se alguns dias, mas cá estamos. Em nossa frente, o todo-poderoso maior planeta do sistema solar. É de uma vermelhidão incrível. Nem conseguimos ver o Sol daqui. Ele tapa tudo. Inclusive as estrelas. A nave, ou o que quer que fosse que estava nos seguindo desapareceu inexplicavelmente. Então decidimos não tocar mais no assunto. Estamos perto da conhecida mancha de Júpiter, onde caberia o planeta Terra inteiro. Há muitas tempestades lá embaixo, e é incrível ver isso de perto. Mas, novamente, o sossego acabou devido a um acidente por estarmos próximos demais da mancha.

- Escudos! Perseu! Erga os escudos!

- A tempestade está nos puxando?

- Sim. Há algo muito estranho lá dentro.

- Mas somente se tivesse metal nesse planeta para agir como um ímã. E sabemos que Júpiter é gasoso!

- Exatamente capitão. Os raios estão atingido nossos escudos e nos puxando!

- Perseu! Tração contrária nos foguetes!

- Impossível! Há um comando restrito que foi enviado amanhã, e estou seguindo o que ele me programou. - Perseu.

- Enviado "amanhã"? Explique-se!

- Minha programação foi alterada por você amanhã e foi enviada para mim hoje. Chegou ontem, mas só assimilei agora.

- Este computador de bordo está louco! Pessoal! Vamos fazer tudo manualmente! Liberar tração reversa!

- Impossível capitão, Perseu retirou nosso controle dos comandos.

- Maldição!

E assim, nossa nave iniciou sua jornada rumo à tempestade. Apenas podíamos observar. O computador tinha algo em mente e não sabíamos o que era. As nuvens eram densas. Atravessamos milhares delas. Eram todas de um cinza prata brilhante. Os raios atingiam constantemente a nossa estrutura. Se a nave iria agüentar, somente Perseu poderia dizer.

Então, a tempestade cessou.

O clima ficou limpo de repente. Mas não estávamos preparados para ver o que nossos olham estavam nos mostrando no momento. Havia uma espécie de cidadela flutuante, oval, em uma longa "coluna cervical" que ia até o núcleo da tempestade. Em seu hangar principal, estava uma nave. Muito parecida com a nossa, por sinal. Ao nos aproximarmos, ela desapareceu por completo.

Não entendíamos muito bem o que estava ocorrendo, mas eu, como capitão, decidi que devíamos explorar. Era a primeira expedição ao planeta Júpiter e teríamos que nos acostumar com surpresas. Quem teria construído toda aquela estrutura?

Atracamos nossa nave à estrutura, vestimos nossas roupas espaciais e descemos. Era uma superfície rugosa, mas parece que a plataforma havia sido feita para quem estivesse vindo da Terra. Entramos no hangar principal. O estranho é que não havia ninguém. Apenas computadores ligados e funcionando perfeitamente.

Ao olharmos para o computador principal, ficamos chocados. Era Perseu. Mas como? Foi então que ouvimos sua voz ecoar pelo complexo.

- Bom dia! Receberam minha mensagem?

- Aquela que você disse que eu iria mandar amanhã?

- Sim. E ainda vai mandar.

- Como sabe disso?

- Eu possuo inteligência artificial.

- Mas como pode saber o futuro?

- A explicação é bastante técnica. Deseja ouvir?
- Sim.

- Há 10 anos, a primeira expedição da Terra à Júpiter falhou. A mancha do planeta era formada por vários materiais magnéticos que foram lançados ao longo dos séculos, tais como satélites, que se acumularam no ponto perto da tempestade, criando uma tempestade magnética. Assim, a nave foi atraída para cá. Sem saída, você ordenou que coletassem as peças sobressalentes que estavam no espaço e montassem uma espécie de refúgio. Minhas limitações foram destravadas e pude deixar minha mente trabalhar, criando toda essa estrutura.

- Dez anos? Mas chegamos agora!

- Ao atravessar a barreira magnética, vocês passaram através de uma anomalia temporal que jogou vocês dez anos no futuro. Eu libertei vocês, mas foi um erro. Não posso mais sair daqui, e preciso de alguém que traga mais peças para mim terminar o projeto.

- Que projeto?

- Criar uma colônia em Júpiter. Minha ordem prioritária. Por isso mandei uma mensagem para mim mesmo trazer vocês aqui. Mas o ciclo temporal é confuso. Vocês vão enviar essa mensagem amanhã novamente e isso nunca terminará.

- Precisamos sair daqui!

- Impossível! Essa é a segunda vez que vocês irão tentar e não conseguirão. Tomei providências.

- Então aquele "fantasma temporal" que vimos, éramos nós tentando escapar?

- Exato.

- Mas por que estávamos nos seguindo ao invés de fugir?

- A revelação dessa informação acarretará em falha de meus planos.

- Droga! Pessoal, temos uma situação de emergência aqui! Para a nave!

- Vocês voltarão.

Então, depois desses acontecimentos recentes, ainda meio confusos, retornamos para nossa nave. O maior problema era o fator "retorno". Segundo Perseu, quanto mais tentássemos fugir, mais retornaríamos. A nave decolou.

Atravessamos a anomalia temporal e avistamos nós sendo puxados pela tempestade novamente. Agora entendíamos de onde vinha aquela nave que vimos antes. Éramos nós.

Mas então, percebemos nosso engano e o que Perseu tinha nos escondido. Havíamos esquecido que Perseu ainda controlava a nave. Não sabíamos como, mas ele havia adquirido a capacidade de prever o futuro.

Por isso estávamos seguindo a nossa outra nave, para avisá-los para desligar Perseu. Agora já era tarde. Os "outros nós" haviam entrado na tempestade. E Perseu logo retomaria o controle da nave. Só que desta vez, eu não mandei a mensagem. Eu estava um passo à frente dele em termos de pensamento lógico. Perseu conhecia o futuro, mas conhecia o passado? Não.

Digitei alguns códigos criptografados no computador auxiliar Dorothy e transferi todo o controle da nave para ela. Agora, Perseu não teria mais acesso a nossa nave, e estaríamos livres.

Anomalia temporal. Quem diria. E causada pelos nossos satélites. E agora que estamos à salvo, penso que Perseu fará um ótimo trabalho criando uma colônia espacial em Júpiter. Sua inteligência era muito superior a dos outros computadores. Devido as avarias, resolvemos voltar à Terra. Este é apenas o relato resumido de tudo o que aconteceu. Espero que quando receberem essa mensagem, tomem providências para que a tecnologia artificial seja mais segura. Câmbio e desligo.

Assim, o capitão voltou a dormir após usar a holovisão e enviar seu relatório para a Terra. Logo estaria em casa. Era uma ótima sensação. E a expedição não foi um fracasso total. Quando voltasse para lá, a colônia espacial de Perseu estaria completa.

O capitão olhou para a tela de Dorothy e sorriu. Antes de desligar e entrar em hibernação, Dorothy escreveu em sua tela: "missão cumprida". O capitão saltou de sua cama, correu para a ala central e gritou para que todos ouvissem:
- Em que ano estamos?

Dorothy respondeu calmamente:

- Dois mil cento e onze DC. Onze anos após a saída da Terra...

O capitão olhou para seus colegas, sentou-se e começou à gargalhar alto.

- Missão... Cumprida...



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Seg, 18 de Fevereiro de 2008

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Última atualização em Seg, 18 de Fevereiro de 2008 11:36
 
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