| Conquest - começa a missão |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por Brunno |
Seg, 25 de Fevereiro de 2008 16:26 |
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Do outro lado do Atlântico Liv virava mais uma vez na cama. Ela tinha um apartamento pequeno, mas bastante aconchegante, perto das cataratas. A grande cama de casal parecia um mar forrado com edredom. Mesmo dormindo de calcinha e blusa leve ainda sentia calor. Sentou na beirada da cama. Foi até a cozinha exígua e pegou uma cerveja na geladeira.
"Sua burra. Por que fez aquilo? Idiota!" Não era para ele sair mesmo do país. Ela ainda não sabia se ele havia saído ou não, mas também não sabia se queria procurá-lo ou não. Não sabia se tentava parar de pensar nele ou se parava de imaginar como seria ficar com ele. "Como eu sou burra!" __ É isso ai, Liv. Amanha você vai procurar o cara. - falava consigo mesma - Eu só preciso vê-lo mais uma vez... Chegou à galeria decidida a resolver o assunto. Foi direto à sala de Madame Neve para comunicar que finalmente ia tirar férias. Ela não gostou muito porque Liv era o pilar da galeria, mas trabalhava lá há três anos e ainda não tirara férias. Assim que Mirele começou a falar ela disse logo que ia procurar o cara. Mas precisaria de ajuda. Não tinha a menor idéia de onde ela estava hospedado. Simples. Um cara como ele, corredor, piloto, seja lá o que for, deve ter grana e, portanto estaria num dos melhores hotéis da cidade. Começaram pelo Hyatt, depois pelo Paradise, o Hilton e finalmente o Marriots. Em todos usaram a mesma desculpa: tinham uma entrega para monsieur Gascoin que não podia ser deixada na recepção, tinha de ser entregue em mãos. Faziam isso porque sabiam que esses hotéis não divulgam os nomes dos hóspedes, por questão de segurança. Mas quando a atendente do Marriots disse que, infelizmente, monsieur Gascoin havia deixado o hotel há dois dias, elas tinham de checar para onde ele havia ido. Chegaram ao Marriots às quatro da tarde. Liv só sairia de férias dali dois dias porque Neve pediu que ela ficasse um pouco mais para poder ajeitar tudo. No balcão da recepção um jovem rapaz escutava atentamente o que dizia um mais velho, talvez o gerente. Elas aguardaram algum tempo e assim que o mais velho saiu foram logo ao rapaz. __ Eu não vou fazer isso, Liv! Que coisa feia! __ Coisa feia nada, você mostra os seios pra qualquer um! Ela considerou que era realmente verdade, não dava muito trabalho chegar ao sutiã de Mirele. A ruiva abriu um pouco a blusa expondo os lindos e alvos seios protegidos pela lingerie preta e ficou entretendo o pequeno aprendiz de recepcionista enquanto Liv, do outro lado do balcão, checava o livro de saída dos hóspedes daquele dia. Depois rapidamente acessou o computador do balcão para tentar encontrar alguma coisa que ligasse a Gascoin. Dois minutos e muita saliva depois, ela puxou Mirele pelo braço fazendo descer novamente ao mundo o jovem rapaz. __ Ele pediu um motorista para levá-lo ao aeroporto Talahasse. - Niágara Falls tem dois aeroportos internacionais e saber em qual ele saíra deixava a pesquisa mais fácil. No aeroporto, as duas não tinham idéia de onde começar a procurar. __Air France! - exclamou Liv - Ele disse que queria o quadro para decorar o apartamento em Paris! As listas de passageiros da Air France ficam disponíveis por até um mês na internet e elas acessaram de um cyber café de dentro do próprio aeroporto. __Achei: Henri Gascoin, primeira classe, saída ás sete e trinta com destino à Paris, há dois dias. __Perfeito. Já era, Liv. Pode ter perdido o homem da sua vida! - reclamava no compacto Minicooper Azul Royal de Liv - Você apenas teve o que mereceu. Ficou chutando o cara e ele se mandou! O que queria? Só que ele foi para outro país... Ah, desculpa, outro continente! __Mirele você não está ajudando, mas eu sei quem pode dar um jeito... Paris, nove da noite. Gascoin estava sentado numa cadeira dura com os cotovelos apoiados sobre a mesa simples, tomava um café fumegante e acendia um cigarro atrás do outro. Checava as instalações da mansão de campo do Duque. Era uma propriedade enorme, o muro ficava a quilômetros da casa em alguns pontos. Usando os códigos dos satélites da ESA a Agência Espacial Européia, pôde isolar áreas e analisar melhor os dispositivos de segurança dos perímetros. Havia sensores de terra para evitar que alguém cavasse um túnel por baixo do muro; câmeras de vigilância sensibilizadas por mercúrio o que deixa a hipótese de tocá-las, descartada; cães que guiavam homens armados periodicamente; uma torre de observação na ala nordeste; heliporto com um Agusta pousado e bombas de combustível perto; e no bosque que cercava o local, pequenos pontos brilhantes indicavam sensores de laser cruzando a mata. Gascoin sabia como Lince trabalhava. Era seu líder de campo do grupo original. Extremamente metódico, competente, um snipper inigualável, entroncado e duro como uma rocha, e vivo. O safado estava vivo, mesmo depois da missão Londres, que dizimou o grupo e o fez iniciar a carreira solo, Lince havia saído vivo daquele inferno. De qualquer modo era uma missão governamental. Se fosse um contrato civil estaria mais simples. Mas não se pode fazer esse tipo de coisa e envolver gente do governo. Tinha de ser feito da maneira mais discreta possível. O mais complicado, no entanto não era entrar na casa e sim localizar a informação. Ninguém sabia onde Fabre havia guardado: um lap top, um pen-drive, um pedaço de guardanapo sujo de café. Podia estar dentro de uma gaveta num criado mudo ou dentro de um cofre pesando dezenas de toneladas, moda dos milionários europeus. Depois de fazer todo o planejamento solicitou alguns equipamentos ao governo. Roupagem preta, de brim, botas com solado de borracha, máscara com olhos de safira e sensores de calor, seis granadas concussivas, uma faca de lâmina de titânio preta fosca, bússola, equipamento de escalada eletrônico com fio de até cinqüenta metros, explosivos remotos pequenos e um detonador, um celular, um fio NiTi que é uma liga de níquel e titânio com memória - este deveria ser acondicionado em um rolo - de no máximo quarenta centímetros, uma lanterna de luz verde, um decoder wireless e duas pistolas Glock 9mm de cerâmica com silenciadores. Na mesma noite ligou para o comando aéreo e mandou abastecer um Hércules M39. Gascoin decolou da base Jean Lorrete, extremo leste da área de Paris às três horas da madrugada. A propriedade do duque ficava nos arredores de Mulhouse, divisa com a Suíça. O tempo de vôo foi estimado em uma hora e trinta minutos e o piloto disse que o faria rigorosamente no prazo. Estariam voando a seiscentos quilômetros por hora a dezoito mil pés de altitude. Gascoin sentou-se na parte de trás do avião e assim que estabilizou pediu ao piloto para abrir a imensa porta traseira, o que aliviaria o calor e o arrasto da aeronave. No tempo em que ficou sentado repassou seus planos e falou com o comando da missão em Paris, pra tratar dos últimos detalhes. A linda moça acordou de um sobre salto numa manhã de quarta feira do início de março. A estação das chuvas em Falls estava somente começando e mesmo assim seu cabelo era liso como uma corda de violão. Arrumou-se de qualquer jeito e saiu sem tomar café, faria isso pela rua. Com seu carro pequeno foi até uma loja de computadores e assessórios de um amigo e o encontrou cuidando de um cliente. Liv sorriu e esperou algum tempo. Depois, Maurice foi falar com ela. __Liv! Há quanto tempo! Como você está? __Bem, Maurice. E você? Eles conversavam meio sem jeito. Ela havia ido até lá porque o tal amigo era um racker de renomada reputação entre os demais. __Então... Ta procurando alguma coisa? Eu posso te ajudar? __ Pode sim, Maurice. Preciso que localize um apartamento em Paris. Tenho o nome do dono, ele é meu amigo e tenho de falar com ele com urgência. O cara não gostou nada. Sabia que aquilo era ilegal e perigoso. Tinha um esquema todo preparado para piratear sinais e jamais entrava em coisas importantes, não depois de passar dois anos numa prisão de segurança mínima. __Esquece, Liv. Isso eu não vou fazer. Deve ter algum outro jeito. Liga pra ele e pergunta. Mas eu não vou fazer isso. - foi duro. __Vai sim. Vai fazer porque se não fizer... - ela chegou mais perto dele através do balcão - Eu conto pra Ariel que nós ficamos juntos naquela festa quando ela estava viajando. - foi mais dura que ele. __ Não aconteceu nada de mais... __ É nós não fomos pra cama, graças a mim claro, porque não esqueci as coisas sujas que me falou na festa... Acho que a Ariel não vai acreditar que foram uns dois beijos no corredor e depois cada um pra sua casa. Eu posso dizer a ela que... __Ta legal! Merda! Me dá o nome do cara que eu localizo. Depois te ligo pra ver se achei alguma coisa. __"Se achou" não, Maurice. É bom você encontrar algo concreto e que seja verdade. Se disser que não achou nada ou se o endereço for falso, eu conto tudo pra ela. O rapaz queria meter a mão na cara de Liv, mas isso não ajudaria em nada. Fez tem que pagar, de um jeito ou de outro. O piloto queria fechar aquela maldita porta devido ao frio intenso dentro da aeronave, mas a carga insistia para que ficasse aberta. O comandante do Hercules tinha instruções para obedecer à carga. O homem atrás estava sentado num banco de aço comum, na lateral da aeronave, fumando mais um cigarro e olhando o céu negro à esquerda. Sem aviso, uma luz verde acendeu no teto no mesmo momento em que um bip estridente tocou. O co-piloto virou-se para o homem e fez sinal de positivo. Ele apertou as correias nos ombros, levantou e caminhou em direção à grande porta. Olhou novamente, fez mais um sinal de continência aos pilotos e se atirou. Menos de duzentos metros depois da porta já estava a quase duzentos quilômetros por hora. Gascoin tinha treinamento em pára-quedismo de velocidade, ou seja, abrir o pára-quedas o mais perto do solo quanto fosse possível. O último momento antes da morte certa eram os 750 metros. Em uma ocasião, treinando para uma exibição na Itália, ele e Michaela, uma amiga que participa da equipe, abriram seus equipamento pouco acima dos 400 metros. Teriam ganhado a competição se não tivessem sido desclassificados, mas a diversão foi mais importante. O equipamento que usava naquela noite não era preparado para o tipo de salto, mas não podia simplesmente demorar dois minutos em queda e arriscar ser visto. Havia saltado exatamente sobre o alvo, mas cairia pouco além. Havia uma ravina há duzentos metros da casa, isolada da propriedade, porém próxima ao muro. Uma encosta dava exatamente o que ele queria: base para observação da rotina. Uma de suas experiências em saltos em locais de difícil acesso deu-lhe a sabedoria necessária para entender que a pior coisa é cair em um local íngreme. A ravina não tinha encostas longas nem platôs de boa formação, mas somente um pequeno nível que formava, com a parede, uma caverna aberta. Era ali que Gascoin tinha de cair. Disparou o piloto do velame das costas, abaixo da bolsa e puxou os slashes de controle fazendo com que ambas as pontas da lona arqueassem ao mesmo tempo, diminuindo o ritmo de descida. Controlou para os lados esperando não ser visto da mansão e caiu quase exatamente onde queria. Normalmente nesses saltos à noite, com equipamento preto para não ser visto, o ideal é soltar o pára-quedas pouco antes de bater no chão, caindo o suficiente para suportar a queda. Mas ele passou da plataforma e não pôde soltar o pára-quedas. Caiu há meio metro de onde havia planejado e começou a escorregar. O velame o puxava para fora da ravina e se ele soltasse as mãos iria parar dentro dos muros da casa e começaria a coisa toda com problemas. Forçando até as unhas para se manter preso à pedra, o mercenário conseguiu sacar a faca e cortar uma das cordas presas a seus ombros, se soltasse as duas o pára-quedas cairia dentro da propriedade levado pelo vento e daria no mesmo fracasso. Assim que a resistência no velame se desfez ele escalou rapidamente a pedra e ficou no platô. As mãos já doíam bastante. Guardou tudo e recostou na parede. Sua visão seria linda se pudesse parar para olhar a paisagem. Havia a sua frente uma lua imensa que banhava de cinza todo o bosque e a casa abaixo. Era como ele precisava, tinha visão privilegiada e não era visto. Sua habilidade sobrenatural de suportar o frio mais que qualquer outra pessoa era essencial porque isso permitiria que ele passasse a noite naquele lugar sem precisar acender uma fogueira ou se preocupar em manter o calor do corpo. Uma simples chama de isqueiro naquela imensidão negra seria um farol costeiro. Pretendia ficar escondido ali durante dois dias observando a rotina da mansão, se alguma coisa desse errado ele saberia, se houvesse mudanças na posição das sentinelas podia indicar que sabiam de alguma coisa e pior, se visse uma patrulha deixando a casa saberia que havia sido visto. O celular que levava consigo era dos vagabundos e a única coisa importante que tinha era um tela preparada para receber fotos, e assim, monitorava via satélite o que acontecia nas proximidades da casa, o Departamento de Defesa e Comando Aéreo enviavam imagens atualizadas do que ele pedisse. Novamente em Paris, o Presidente retornava a sua residência oficial quando seu assessor, sentado no bando da frente recebeu um telefonema. O homem virou-se para seu chefe que olhava pela janela as gotas de chuva e disse alguma coisa. Sarkozy chegou em casa e pesarosamente disse a sua namorada, que não iria poder vê-la àquela noite porque tinha problemas mais urgentes. Convocou uma reunião extraordinária no gabinete da mansão em que somente um homem fora chamado. Acordado às três da madrugada, Magny encontrou o Presidente sentado numa das confortáveis poltronas de seu escritório em que uma cor ocre predominava naquele momento. Os dois eram amigos de longa data. Haviam iniciado juntos sua carreira política, no partido conservador, mas Magny engajou-se nos serviços de segurança enquanto o amigo foi disputar a presidência. Confiavam um no outro. __Acha que isso pode ser verdade? - perguntou Mangy. __Como vamos ter certeza? Seria terrível para todos nós. Se esses dois estiverem mesmo conspirando teremos de eliminar nosso trunfo, Phillip. __Não creio que seja necessário tomarmos nenhuma atitude agora, senhor Presidente. Devemos primeiro investigar essa denúncia e falar com Vox. Vejamos o que ele diz. __Você mesmo ouviu, Phillip! O homem disse ser amigo dele, padrinho da filha de Vox! Acha que ele entregaria o amigo se tivesse essa chance? __Senhor Presidente, homens como Victor Vox não têm amigos, fazem alianças, sabe disso. Temos um relacionamento com Vox que segue além dessas expectativas. Hoje somos seus principais clientes nos produtos nucleares. O senhor falou com o General Jubert? __Esse é o problema, Phillip. A denúncia veio de Jubert... - o rosto do presidente esperava uma reação melhor do amigo. Na ravina Gascoin entrava na primeira manhã antes da incursão. Observou pelo binóculo que a movimentação era intensa, mas não se estendia até os muros. De onde estava podia divisar parte da casa, o heliporto, uma torre de observação no canto da face leste e alguns homens da segurança. Segundo as fotos recentes que recebera dois carros haviam entrado na propriedade, deixando-a depois de algum tempo. Gascoin era amigo de um homem que tinha uma grande área na Escócia, e sabia que algumas coisas eram importantes dentro de um lugar como aquele, isolado de qualquer cidade, a água. O abastecimento de água tinha de ser feito de algum lugar específico. Provavelmente um poço artesiano em algum lugar, mas as fotos não mostravam nada parecido. Pediu ao Dep. de Defesa que apurasse o mais rápido possível, que carros eram aqueles que haviam entrado no local. Depois de três horas recebeu a resposta: eram carros que traziam, periodicamente, água para dentro da mansão. Era, então, o momento de pedir ajuda ao SDECE. Disse que atrasaria a incursão em um dia se necessário. Algum tempo depois, naquela mesma manhã, outro telefone toca, só que era dentro da casa do Duque. O homem que o atendeu estava sentado sobre os calcanhares, numa sala isolada de barulhos, e gostaria que continuasse assim. Sua meditação oriental foi interrompida pelo aparelho estridente dentro do bolso da camisa deixada sobre uma cadeira. Lentamente o homem levantou-se sem usar as mãos e foi até o telefone. Atendeu e ouviu a voz que lhe era familiar. __Há insetos sobre seu ombro, Lord Lince. - e desligou. Bear Lince quase era o mesmo homem dos tempos do Grupo Original, exceto, agora, pela cicatriz que lhe descia do lado esquerdo do rosto. Um quelóide de mais de vinte centímetros resultado de um tiro de raspão, bem de raspão. Lince guardou o aparelho e voltou à sua meditação oriental, só que sorria e pensava de forma diferente de antes. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Seg, 25 de Fevereiro de 2008 16:45 |

