| Crepúsculo das Estrelas - Parte Final |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por offline |
Qui, 13 de Março de 2008 10:41 |
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Capítulo 7: Visionário
Calisto correu para dentro da maior árvore que existia ali e destruiu vários cipós, folhas, galhos e muito limo. Acabou por revelar controles antigos com muitos botões enferrujados. Ela sentou no que parecia ser um trono e colocou cada mão sobre um encosto arredondado que possuía duas esferas. Colocou a mão esquerda primeiro e depois a direita. Mas nada aconteceu. - Lara era inteligente. Tenho certeza que ela criou um mecanismo de defesa para que ninguém, além de sua linhagem, pudesse usar a máquina do tempo. Quantas pessoas já passaram por aqui e talvez fizeram o mesmo que eu e não obtiveram sucesso. Mas agora, reivindico seu poder, não para um bem pessoal, egoísta. Mas sim, para um bem universal. Calisto retirou suas luvas do uniforme e tocou diretamente nas duas esferas. A da esquerda começou à brilhar de forma intensa, num tom avermelhado. A da direita fez o mesmo, mas num tom azul. Enquanto os outros tinham suas preocupações, nem notaram que a rotação de Megatera havia aumentado. Calisto não sentia nada. O planeta girou, girou e girou... Até desaparecer por completo num extenso facho de luz... - Eu só preciso destruir uma pessoa da época de Abel, e todo o caos subsequente será desfeito... - Calisto. Megaterra parou. Era algo incrível, mas acabara de ser feito. Calisto olhou para o céu ao redor e notou que era muito diferente de sua época. Ela havia voltado em torno de três mil anos no passado. Era muita coisa. O universo mudara constantemente nesse período. Ao longe, podia observar uma pequena lua azulada. Era a Terra. Como os planetas mudavam de lugar conforme os anos, ela estava frente à frente com a Terra. Podia ver claramente Terra, Terra 2, Animecha, Ramsus e Aereon. Mas seu destino era encontrar Abel. Pegou um dos animais que havia sobrado e tornou à dirigí-lo. Ele estava mais devagar, visto que a atmosfera de sua época era notavelmente diferente. Mas o besouro voador atravessou o espaço em direção ao seu destino. A Terra parecia ser muito bonita nesta época. Haviam gramados, planícies, florestas, animais e muitos habitantes. Mas Calisto mirou seu alvo. Um prédio onde ocorria uma convenção científica. Lá estaria Abel. Calisto aterrisou atrás do prédio, para não chamar a atenção para ela. Desceu do animal e se dirigiu para a entrada do prédio. Avistou vários cientistas e um em especial, trazia consigo um robô que parecia ser muito inteligente. Era ele. Abel e o protótipo. Calisto se aproximou. - Boa tarde. Eu também sou uma cientista e prevejo que talvez seu robô possa ficar fora de controle algum dia. Recomendo que instale nele algumas diretivas. Confie em mim. Eu sei porquê estou lhe dizendo isto. - Eu tenho a impressão de que já nos conhecemos, ou, vamos no conhecer. - Abel. - Não. Você deve estar enganado. Mas trabalho muito com inteligência artificial e sei que sem diretivas, seu robô se torna instável. - Muito bem. Obrigado pelo conselho. Você me parece ser uma pessoa confiável. Vou incluir em sua programação diretivas de segurança. Farei isso antes de iniciar minha palestra. Talvez umas três sejam suficientes. - Serão. Calisto deixou o cientista sair de sua frente e ficou pensando no que deveria fazer. Não sabia se teria coragem de fazer isso. Mas, pelo menos, havia ajudado Abel. Calisto se dirigiu para os fundos da convenção, e esperou a oportunidade certa. Apenas uma morte e evitaria tudo e todo o caos que se seguiu durante séculos. Ela se preparou quando a palestra de Abel começou e apontou sua arma de phóton. Quando ía atirar, não conseguiu. Como poderia cometer esse ato contra o criador de sua linhagem? Como poderia fazer isso e desaparecer com toda a sua família e inclusive à si própria? Não poderia matar Abel. Foi uma idéia impensada. Acabaria com todo o caos? Talvez não. A linha do tempo sempre deu um jeito de consertar as coisas. Pelo menos havia dado uma dica importante para Abel. Calisto precisava ficar sozinha e meditar. Dirigiu-se aos lugares que seriam encontradas as naves e as tocou. Era uma sensação diferente de qualquer outra. Ela sabia que naquela tarde, as descobertas arqueológicas mudariam tudo. Como ainda estava no controle de Megatera, resolveu voltar e averiguar o espaço ao redor, para ver se encontrava alguma pista ou respostas para suas perguntas. Perto do que no futuro haveria de ser uma nebulosa, Calisto encontrou vestígios deixados pela entidade Proteus. Talvez esses vestígios no futuro viessem a criar Stardust, uma experiência de seres desconhecidos. Ela usou a potente máquina do tempo à seu favor e notou que em cada época havia vestígios de Proteus. Era uma força universal que parecia romper barreiras do espaço-tempo. Então, voltou para sua época.
Na Terra, a equipe de Azrhaim conseguiu sugar parte das energias de Proteus, mas não derrotá-lo. Temendo deixar de existir, Proteus convocou suas outras partes. Não era o esperado, mas foi o que ocorreu... - Um encontro de família, então. - Neotron Mestre. - Vocês! Finalmente nos encontramos! Vocês não sabem o trabalho que nos deu consertar todos os seus erros ao longo da história. - Elitron Mestre. - Eu faço parte de você, esqueceu? - Infelizmente. Mas isso acaba hoje, aqui. - Eu espero que sim. Para vocês somente! Para nós é o começo de um novo futuro! Proteus, como era um organismo desprovido de inteligência, apenas instinto, agitou-se. Seus instintos destrutivos acordaram novamente. As luzes que estavam recolhendo material espacial cessaram. A batalha final havia começado. E nessa batalha, os humanos não participariam. Apenas poderiam torcer para o resultado ser a favor deles. Proteus emitiu ondas de choque contra os Neotrons. Os Neotrons usaram seu poder dimensional para transferir o ataque para os Elitrons. Os Elitrons com seu poder superior, criaram uma barreira esférica ao redor de seus tronos. Eles não poderiam se tocar, então, os ataques eram apenas direcionados, de longe. A luz bateu intensamente na barreira da esfera e desviou para o espaço exterior. A luz cegou os espectadores. Mais ao fundo, um planeta sem vida acabara de ser destruído. - Meu Deus! E isso foi um ataque sem sucesso! Imagina se eles realmente se atingirem! Ou, nos atingirem! Temos que sair da Terra o mais rápido possível. Ou melhor, não só da Terra, deste setor inteiro! - Calisto. - Tem razão. Essa luta não é mais nossa. - Azrhaim. Azrhaim usou todo o restante de sua força titã, que ainda existia, para chamar o maior animal de Megatera. Ele ficava embaixo da terra, e ninguém o conhecia, senão os titãs. Megatera estremeceu, e debaixo do palácio real, surgiu a enorme criatura. Era uma espécie de formiga rainha, que cuidava de todos os outros veículos. Ouvindo o chamado, ela partiu. Bateu intensamente seus dez pares de asas e suspendeu seus oito pares de patas. Partiu velozmente em direção à Terra. O Elitron Mestre brandiu seu cajado e uma energia intensa se acumulou na ponta. Apontou para os Neotrons e disparou. Os Neotrons também criaram uma barreira, que acabou por desviar o tiro para Proteus. Sua estrutura superior foi atingida. Alguns mecanismos foram danificados. Proteus, por instinto, lançou uma rajada de material estelar nos Elitrons. A esfera deles foi sacudida. A formiga gigante pousou na Terra. - Vamos! Ajude-me a chamar todos! Precisamos subir na rainha! A rainha ficou carregada de humanos e titãs. Sentiu certa dificuldade em levantar vôo, mas conseguiu. Era necessário muita velocidade para escapar dos tiros. Afastaram-se para o mais longe possível da Terra. De lá se via as explosões e clarões de luz, resultantes dos ataques descomunais. De repente, um ataque triplo foi lançado. Cada um deles foi atingido e jogado para trás. As partes atingidas começaram a se desintegrar. O Elitron Mestre olhou para sua mão e notou que ela estava sumindo, transformando-se em moléculas separadas. Um pedaço do monolito se desprendeu e ocorreu o mesmo. O Neotron Mestre foi atingido no braço, que tornou-se parte do elemento do universo. Eles estavam sumindo. Quem conseguisse atacar mais os outros ganharia essa disputa e o tornaria uma simples "sopa" de moléculas. Mas era melhor do que ter o universo reformatado. Pelo menos era isso que os Neotrons queriam impedir. - Ótimo. Como imaginei! Tragam-me a Espiral! - Neotron Mestre. - Espiral? O que é isso? - Elitron M. - Uma surpresinha. De outra dimensão surgiu um aparelho gigantesco em formato de espiral, carregada com muitos raios, átomos e partículas. - Essa é a Espiral! Vocês dois serão sugados para dentro dela e somente nós sobreviveremos e reinaremos sem contratempos, tais como a parte de mim que ainda gosta dos humanos - vocês! E a força destruidora Proteus ficará aqui dentro, pronta para ser usada quando alguém questionar minhas ordens! - Você percebe o que está fazendo? A Espiral usa energia universal para distorcer o espaço ao redor! Você acabará com esse universo! - Eu sei. Mas somos seres dimensionais, esqueceu? Posso viver em qualquer outro lugar. E já estou cansado de meus brinquedos não me obedecerem. Vou procurar outro lugar onde me obedeçam e ninguém me atrapalhe. - Brinquedos? São humanos! - Você ainda os protege, não é? É por causa dela? - Quem? - Você sabe muito bem. Esmeralda, Celes, Orquídea, Aliandra, Lara e Calisto. O problema é o "amor" não é? - O quê? - O ser que nós éramos. Gilgamesh. Você sabe que nunca voltará a ser como era antes e projeta seus desejos nos humanos. Você também é egoísta! - Não... Quer dizer... Acho que você está certo. - Viu? Eu não disse? Eu só quero acabar com seu sofrimento. - Me confinando numa arma? - Eu não disse que ía ser gentil... - Vamos terminar logo com isso! Os Neotrons concentraram toda sua energia na Espiral, os Elitrons transformaram seu escudo numa espada, e Proteus carregou toda sua potência destrutiva para disparar no próximo tiro. Ao longe, Calisto olhava triste para o espaço ao redor, porque ela sabia o que iria acontecer. Era inevitável. Eles iriam se chocar. Se sobrevivessem, teriam tido a maior sorte do universo. Mas ela sabia que isto não iria acabar assim. Vira em seus sonhos. Como ela mesmo havia chegado a conclusão, o tempo sempre dá um jeito de a história acontecer, estando escrita, predita, passada ou não... Mas tivera dias felizes. Viu a humanidade se desenvolver, voltar a um estado natural e sempre sobreviver ao tempo. Quem sabe dessa vez não acontecesse o mesmo? Bem que ela gostaria de pensar assim. Mas o fim havia chegado. A única coisa que ela podia fazer era aproveitar seus últimos momentos. Enquanto os outros se afastaram, ela pediu para ficar em Megatera. Lá, pelo menos, podia resgatar algo de sua família. Não tinha ninguém, mas toda a história que encontrava na Enciclopédia Galáctica a reconfortava. E ela seria mais um capítulo do livro de sua família. Conhecera Abel rapidamente, mas o suficiente para crer que sua linhagem tinha o dom especial de consertar as coisas. E que tudo que um dia tem um início, tem um fim. Ela não conseguiria consertar as coisas agora. Não era mais um problema dos humanos. Era um problema que envolvia o universo inteiro. Era diferente de todos os problemas que sua geração antepassada havia enfrentado. Nem mesmo a máquina do tempo resolveria essa questão. Era um paradoxo. Se ela voltasse ao passado e consertasse tudo, não haveria uma guerra entre seres dimensionais, e consequentemente, não seria necessário construir uma máquina do tempo. Ou seja, no momento em que ela consertasse as coisas, a máquina do tempo deixaria de existir e o tempo daria um jeito de tudo voltar à acontecer... Proteus ligou seus motores e direcionou-se contra os dois seres que estavam prestes a se chocar. O Elitron Mestre brandiu sua espada estelar e com um corte, rasgou ao meio a Espiral Neotron. O Neotron Mestre agarrou-o pelo pescoço e sugou suas energias. Neste instante, Proteus se chocou contra os dois. - Vai começar... - pensou Calisto, cheirando as flores azuis. Um clarão de cor azul atravessou o universo inteiro. Em seguida um clarão amarelado. Após isso, uma rajada vermelha. As estrelas ao redor sentiram o impacto. A estrela norte, do nada, começou a se movimentar em direção à explosão. A gravidade estava puxando. A luz que fora espelida, não conseguiu escapar. Em questão de segundos foi sugada. Outras estrelas começaram a ser puxadas pela gravidade da explosão. Em pouco tempo, asteróides, cometas, meteoros que passavam por ali, foram sugados. Tudo estava sendo puxado para o centro do incrível fenômeno que estava se formando. Chegou então a vez de Megatera. O maior planeta desse sistema não resistiu. Pouco à pouco, pedaço por pedaço, foi desaparecendo. O restante continuou a ser sugado. A massa ao redor do fenômeno cresceu milhões de vezes. O universo começava a perder seu brilho. O vazio começou a tomar conta de tudo. Estava tudo concentrado num único ponto. Conseguiria alguém sobreviver à isso? À formação de um novo universo? Não. Então, aconteceu... O ínfimo ponto estremeceu... Contraiu-se... Seguido por uma irradiação jamais vista, o ponto explodiu... Big...
Bang...
Um imenso e bonito Sol brilhou na sala de aula de Ricardo, na universidade de Havard, enquanto ele estudava cosmologia. Era interessante saber como funcionavam os oito planetas do sistema solar de um modo como um relógio funcionava. Tudo tão perfeito, e ao mesmo tempo complexo demais para o homem entender. O Criador havia caprichado em seu trabalho. Tudo estava lá, em perfeita ordem. Sol, Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Urano, Saturno e Netuno. Todo o sistema girava ao redor do Sol. Mas, seu pensamento foi interrompido, quando seu amigo entrou com um livro na mão e o mostrou. - Que livro? - Esse aqui. Diz aqui no sumário: "Enciclopédia Galáctica". E a introdução diz: "Esse livro futuramente será uma Enciclopédia Galáctica, com memórias de todas as gerações que passaram por aqui. Meu nome é Oliver Prime e inicio essa missão, com relatos de meu avô. Quem arquivar esse livro, por favor, tenha muito cuidado. Toda uma geração se encontra descrita aqui. Enquanto não se tornar uma enciclopédia, denominarei esse livro com o nome que mais achei apropriado: "Somente as Estrelas sabem". Este título, descreve muito bem o que estou sentindo agora, ao iniciar essa jornada..." - Puxa. Sempre gostei de ficção científica. Aonde você encontrou? - Simplesmente achei jogado por aí. Parece ser antigo. - Mas, muito bem cuidado. Quem sabe ele não caiu do céu? - Sim, claro. Um universo foi destruído, o nosso foi criado, e a única coisa que sobrou dele foi esse livro? Você é engraçado! - Ué, poderia ter acontecido... - Quem sabe... - Bem, te vejo amanhã! E me empreste esse livro quando terminar de ler! - Pode deixar! Era um dia tranquilo. Os pássaros cantavam, as árvores balançavam ao vento, o sol iluminava à todos e podia ser visto a lua no céu. Um lindo céu azulado. E a única testemunha do que havia acontecido era um livro. Um livro que sobrevivera inexplicavelmente e agora era apenas encarado como um simples livro de ficção científica nas mãos de um jovem de vinte e cinco anos. Não poderia falar, apenas ser lido. Mas toda a história de um universo estava ali. Sob uma capa de couro, cujo título brilhava em letras garrafais e douradas: "TRILOGIA DAS ESTRELAS"... Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Qui, 13 de Março de 2008 12:30 |

