
| Da Lua à Terra |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por offline |
Qua, 02 de Abril de 2008 04:55 |
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- Será que um dia conseguiremos chegar até lá? - Andrew.
- Aonde professor? - Walter. - À Lua. - Nossa tecnologia está cada vez melhor. Creio que no futuro sim. - Ela é tão linda. Gostaria de conhecê-la de perto. - Um dia iremos professor, um dia... A planície em que eles moravam era muito bonita. Havia pequenos grupos de árvores que formavam um círculo ao redor da fazenda de Andrew. Apesar de morar numa fazenda, ele era um cientista. Possuía um laboratório na parte de trás da casa e de lá produzia suas experiências. O ano era 1945 e ainda estava muito longe de o homem pisar na Lua, mas era seu grande sonho. Ele e seu aprendiz testavam no momento uma pequena experiência feita com ímãs. Na mesa estava uma miniatura de um avião que flutuava devido à sua estrutura possuir ímãs na base. Na mesa, foram colados ímãs na posição contrária do avião. Como as forças emitiam repulsão, o avião levemente flutuava. - Veja Walter. Se tivéssemos um ímã imenso, poderíamos repelir algum objeto ou nave daqui da Terra até a Lua. - Sei. Mas o magnetismo da Terra é muito forte. Teríamos que ter um ímã gigantesco. - É. Seria inviável. E além do mais, não teríamos como voltar. Naquele dia, uma jovem professora visitou a fazenda científica de Andrew. Seu vestido era comprido, possuía alguns laços, e era uma mistura das cores branca com vermelho, dando um tom rosado a todo seu traje. Seu chapéu era típico, com alguns babados caindo pela parte de trás. É obvio que acabou por chamar a atenção do professor solitário. - Bom dia! - Muito bom dia! Que honra tê-la aqui! - Vim visitar sua fazenda cientifica. A universidade me informou que havia um professor que possuía um retiro para criar experiências. Achei tentadora a idéia de visitá-lo. - Então seja muito bem vinda! Andrew mostrou todas suas experiências que já havia concluído, tais como aparelhos de transmissão de longa distância, calculadoras financeiras gigantescas, aparelhos domésticos, protótipos de carros e o mais importante de todos: o projeto de enviar o primeiro homem à Lua. - Ainda estamos estudando. Mas um dia ainda chegaremos à Lua. - Puxa, tudo isso é muito surpreendente. Imagina se vocês conseguirem algo que leve o homem à Lua. Ela é tão encantadora... - É o que pretendemos. O dia passou rapidamente e o professor achou muito agradável a nova companhia. Terminaram com uma bela caminhada à luz do luar pelo lago central. - Ah, o céu. É tão encantador. Seus pontinhos brilhantes, sua "lanterna" noturna. - Elisabeth. - Gosto de ver a luz do luar refletida no lago. Parece tudo tão próximo. - Andrew. - Mas às vezes, não podemos apenas prestar atenção ao que não está ao nosso alcance. Precisamos ver o que temos aqui. Essas palavras se infiltraram profundamente no coração do professor. Eles iriam se ver mais vezes, isto era certo. Não fosse o que iria ocorrer dali uma semana... Após uma semana... O professor acordou disposto, tomou seu café, saiu à rua e respirou fundo o ar da manhã. Hoje ele iria iniciar uma nova experiência. Mas, na entrada da fazenda, um calhambeque preto, militar, se aproximava. Após alguns segundos notou mais alguns policiais e governamentais surgindo no horizonte. O que estariam fazendo ali? Estava em dia com seus impostos e tinha licença para ter um laboratório particular. - Professor Andrew Worth? - policial. - Sim, sou eu. - O governo solicita sua presença. - Por que? - O senhor é famoso por ter inventado vários aparelhos que nos serão úteis. - Úteis? O que está havendo? - O senhor não sabe? Estamos em guerra com a Alemanha. - Meu Deus! E o que pretendem comigo? - Vai inventar armas de combate para nós. O senhor pode vir como voluntário, ou então, como preso. - Quer dizer que não tenho escolha? Mas minhas invenções não são para guerra. Meu maior objetivo é chegar à Lua. - Professor... Por favor. Está tão atento aos seus sonhos que não consegue olhar em volta. O senhor não é o primeiro cientista que recrutamos. Esta é a Segunda Guerra Mundial, e o senhor vem conosco! Então, depois de muito argumentar, o professor teve que acatar as autoridades e foi levado à força. Não era o que ele queria, mas agora não tinha mais volta. Neste mesmo dia, Elisabeth apareceu novamente para passear com o professor, mas teve a triste noticia de seu aprendiz que ele tinha sido levado pelo governo. - Essa não... - Elisabeth. - Eu sei, é triste. Talvez nunca mais venhamos a ver o professor. - Walter. - Se ele não fosse um cientista obcecado, estaríamos passeando juntos agora. (...) Inevitavelmente a guerra se espalhou pelo planeta todo e o sonho de um cientista de levar o homem à Lua, foi deixado de lado. Testemunhou muitas coisas horríveis que fizeram com suas invenções. Foram inventadas bombas atômicas, carros de guerra, tanques, armas destrutivas e tecnologia bélica. Foi uma época de profunda tristeza para Andrew. Todas suas invenções haviam caído nas mãos dos militares, com o propósito principal de aniquilação. Até que um dia, cansado de tudo, Andrew desistiu de fabricar invenções que serviriam para matar. Como conseqüência de sua desobediência, foi trancafiado em uma solitária, onde havia uma pequena janela. À noite, olhava para fora toda aquela fumaça e barulho que nunca cessavam. As nuvens eram densas. Mas, num breve intervalo, as nuvens se espalharam e uma luz reconfortante iluminou a cela. Era a Lua. Sua eterna companheira. Ao olhar para ela, lembrou-se que havia deixado alguém muito importante para trás. Elisabeth. E não sabia quando a veria de novo. (...) O período de guerras passou e a humanidade começou a se erguer dos destroços e seqüelas que haviam ficado. Encontraram muita dificuldade em encontrar forças diante dos acontecimentos, mas aos poucos, tudo foi voltando ao normal. Mas a ciência ficou de lado por um bom tempo. Era considerado o principal mal e estopim da guerra. É claro que outros fatores tiveram culpa, tais como a política, mas as invenções de guerra destruíram muitas vidas. O professor perdeu seu emprego e sua fazenda. Mas não a esperança. Num mundo reerguido das cinzas, ele caminhava mal vestido, sem ter para onde ir, sem ter dinheiro, sem ter casa, nem família. A única coisa que lhe sobrara era a visão da Lua sobre sua cabeça. Aproximou-se de uma praça e foi até seu lago. Sentou-se no gramado que restara e começou a pensar na vida. Ergueu a cabeça uma vez e notou que havia alguém do outro lado, observando a mesma coisa que ele: o reflexo da Lua no lago. Levantou-se e gritou: - Elisabeth! - Andrew? Os dois correram e se abraçaram longamente. Ela chorou. - O que houve com você? - Me recusei a criar armas para o governo de minhas invenções, e acabei por perder tudo. Você estava certa. Precisamos prestar atenção ao que está em nossa volta e não o que não alcançamos. Senti muito sua falta. - Eu também. - Eu estou horrível não é? - Não. É a pessoa gentil que sempre conheci. - Você estava certa. Talvez ainda não seja a hora de o homem pisar na Lua. Que coisas horríveis ele faria por lá. É melhor ficarmos por aqui e não estragarmos os outros astros. - Não perca a fé na ciência. A ciência não tem culpa e sim o homem que a dirige. Garanto que em suas mãos, teremos uma nova era. - Mas, por enquanto, prefiro apenas passear com você. - Veja Andrew. O homem pode chegar à Lua, mesmo sem sair da Terra. Ela está próxima de você o tempo todo. Olhe seu reflexo no lago. - É verdade. Andrew, que já não se importava em ficar sujo, pulou dentro do lago e sapateou a água em torno do reflexo da Lua. - Veja Elisabeth! Sou o primeiro homem a pisar na Lua! - Meu doidinho lindo... Após alguns anos, a ciência já estava de pé novamente. O professor recuperou seu prestigio e ganhou um novo laboratório. Agora trabalhava junto de sua amada. Ela também acabara por virar cientista. Um dos novos assistentes adentrou correndo a porta principal com um pequeno aquário na mão, que mostrava ter um polvo em seu interior. - Professor! Professor! - O que foi? Que gritaria é essa? E o que faz aqui com um polvo? - Não te lembra nada, professor? - O que? - Preste atenção. Qual era sua visão de anos atrás? - De levar o homem à Lua? - Exato. - Espere. Estou entendendo! - Isso mesmo! Naquela noite, nenhum dos cientistas conseguiu dormir direito e apenas um livro estava aberto em cima do laboratório, com o título de "Novo Experimento Científico". O capítulo um se intitulava "propulsão à jato"... 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| Última atualização em Qua, 02 de Abril de 2008 05:09 |
Comentários (2)
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21/06/2008 - 14:48:49 |Registered| Edson Rufo
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Não sei como lhe soa, como critica construtiva ou não, mas não pude deixar de reparar que você leu Julio Verne. O nome do texto é propositalmente errado, já que o Julio Verne teve a infeliz idéia de usar o nome certo, “Da terra a Lua”, uma vez que, da lua a terra seria o regresso. E que pelo contrario de sua obra, os personagens de Julio eram construtores de armas. Bem sacado, polvo e propulsão a jato. É a vida imitando a natureza. Como os jatos baseados na aerodinâmica de pássaros. Na minha humilde opinião Julio Verne é o melhor escritor de todos os tempos, logo é um elogio te fazer referencia a ele.
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