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Lágrimas de Prata - Símbolo de Horror Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Policial

Escrito por Brunno
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Qui, 15 de Maio de 2008 18:33
Polônia, dias finais de fevereiro. Um Daimler-Mercedez preto, de capota levantada, vem sacolejante por uma estrada de terra batida. Era fim de tarde. Dentro do carro os mais poderosos homens da Alemanha olhavam a planície que se estendia ao norte e a oeste. Sentado no banco de trás estavam dois homens fardados. Atrás do motorista estava o General Nickolaus von Falkenhorst, Divisão de Blindados, originalmente, mas, no momento, remanejado para planejamento e a virada, ocorrida depois do sucesso da invasão da Polônia.

O general Falkenhorst viera dos estábulos do exército alemão. Alistado em 1902 como soldado, foi mandado para cuidar de cavalos e do estábulo do regimento alfa. Na primeira guerra demonstrou perícia inegualável no comando dos Panzers e recebeu uma divisão inteira. Assim como fazia com os cavalos, transformou a divisão de blindados na menina dos olhos do exército.

O homem a seu lado estava sério e ferino como sempre. Tinha os cantos da boca levemente caídos, os olhos pretos e pequenos viravam para todos os lados tentando encontrar a entrada do que seria seu novo campo de testes.

Adolf Hitler emitiu a voz estridente e irritante mandando parar o carro. O motorista retorquiu dizendo que ainda tinham de percorrer mais algumas centenas de metros.

__Pare imediatamente, seu imbecil! - gritou do banco de trás do passageiro.

O homem obecedeu. O fuhrer, como fazia questão de ser chamado, desceu do carro e olhou calmamente a sua volta. De um canto da estrada um dos homens responsáveis pela construção do futuro complexo veio sorridente.

__Heil, Hitler! - fazendo o tradicional cumprimento ao kaiser - Que prazer ver o sennhor aqui, mein fuhrer! - este era Ivan Blank, engenheiro-chefe do Partido Nazista.

Encarregado de todas as construções oficiais do governo.
Acompanhado de uma junta de engenheiros, construíam e derrubavam prédios de arquitetura belíssima em nome do desenvolvimento da raça superior, segundo se intitulavam.

O Imperador não respondeu ao cumprimento e pediu ao homem que lhe explicasse quais progressos haviam sido feitos.

As construções estavam avançadas, mas o motorista tinha razão, ainda tinham de andar alguns metros para chegar ao portal do complexo. O próprio Blank estava ali para acompanhar a passagem do sol e tentar identificar uma melhor área para os aposentos de Hitler, de acordo com o que ele havia pedido.

O comandante-supremo caminhou alguns passos e de trás de uma colina surgiram os escombros emergentes de um galpão enorme. Outros mais se erguiam da terra em locais determinados. Tratores, homens, máquinas, quindastes, caminhões, havia muito movimento ali.

Hitler disse que queria sua casa-mata apontada para a direção daquele vazio, e que naquele local nada deveria ser construído. O engenheiro tentou explicar que o sol nao acompanhava aquela posição, que seria melhor então deixar uma varanda e voltar a fachada da casa-mata para o outro lado.

O imperador insistiu e assim estaria decidido. Depois foram a pé ouvindo as explicações técnicas de Blank até que chegaram onde o motorista devia deixá-los, um pórtico com pilares nas laterais, com cinco metros de altura cada um, de onde surgiam cercas que corriam lateralmente dos dois lados.

Um portão improvisado, frágil, ainda, estava meio caído e deslocado para a esquerda. o kaiser pegou o portão e o forçou até que rangeu e parou.

__Isto não pode ficar assim... - disse a Blank, que guardava um sorriso enviesado nos lábios.

__Não, senhor... De modo algum, mein fuhrer! Este portão será trocado por outro bem mais forte. Acredite, nada será mais difícil que sair deste lugar...

Acima do pórtico lia-se "Auschwitz Camp".

Dia seguinte, Grã-Bretanha, céu nublado, nove horas da manhã. A aparente tranquilidade dos céus sobre a base aérea de Lord Stanford foi interrompida pelo motor estridente de um Supermarine Spitfire em trajetória descendente.

Dentro da cabine, o jovem tenente John Colt gritava tentando descarregar no manche e adrenalina que sentia correr o corpo.

__Huzza! - segundo a velha guarda naval inglesa, queria dizer "viva", para ser gritado três vezes quando se ganha uma batalha. Aquele jovem aviador estava acostumado a vitórias, então, gritava isso constantemente, até que seus colegas deram-lhe o apelido de "Ace Huzza".

John "Ace Huzza" Colt trazia o manche para perto de seu joelho esquerdo e puxava pra trás, fazendo o ágil Spitfire subir e girar a esquerda, quando recebeu um chamado pelo rádio: o treinamento estava acabado, tinha ordens de retornar a Stanford o mais rápido possível.

__Senhores - dizia o comandante da base - temos péssimas notícias vindas de Scap Flow. Nossa frota foi novamente atacada e segundo interceptação de mansagem via rádio, a tal Luftwafe está deslocando uma esquadra de BF 109s para cima de nosso encouraçados. Os senhores irão embarcar no Curtiss Seahawk dentro de três horas, estejam prontos para se engajar.

Depois de dispensados John foi falar com seu superior, com quem tinha um diálogo premiado com respeito e admiração, de ambos os lados.

__Senhor, não estou familiarizado com esse tipo de navio.

__E ninguém está "Huzza". É novíssimo. Aliás, terá um trabalho muito especial nele e quero lhe fazer algumas perguntas. - o comandante puxou uma cadeira de sua sala, serviu-se de um uísque, mas não ofereceu ao oficial - sente-se, tenente.

Ficou olhando a janela por um tempo.

__Tenente, a que velocidade os Spitfire decolam?

O mais jovem estranhou a pergunta, na verdade jamais havia pensado nisso, apesar de sempre notar que a calda começava a jogar para os lados depois de atingir oitenta ou novente milhas por hora em solo.

__Isso nunca nos pareceu importante, coronel. Desde que a pista seja longa o bastante eles acabam tirando as rodas do chão.

O coronel franzil a testa depois de terminar o scotch.

__É exatamente esse o problema. Por isso precisamos ter certeza de que dará certo.
__O que, senhor?

__Sabe, John... O que acharia da idéia de decolar uma aeronave do convés de um navio?

O piloto ergueu os olhos por um momento, tentava visualizar a situação.

__Estamos falando de um navio gigantesco, não estamos? - perguntou John.

__Estamos falando do Curtiss. É grande, não tenha dúvidas, quase cento e cinquenta metros, nova linhagem.

John arregalou os olhos. Já havia visto navios grandes, mas jamais um com cento e cinquenta metros! Nem sequer imaginava o que podia carregar um navio deste tamanho.

__E o que acha, tenente, de carregar na barriga desse monstro, uma frota considerável de Spitfires, e fazê-los decolar de seu deque? - o coronel sorriu.

__Está falando, realmente, senhor, de decolar um avião do deque de um navio? Senhor, mesmo com uma pista de cento e cinquenta metros... Não aviônica suficiente para causar sustentação nas asas, ainda mais nas do Spitfire, projetadas menores para melhorar a capacidade de manobras.

__E se nós lhe dessemos uma forcinha?- mantinha o sorriso.

No dia seguinte áquela conversa, o piloto John "Ace Huzza" Colt teve de engolir o grito a seco. Não conseguiu soltar a voz diante da aceleração absurda que o mecanisma de disparo imprimiu em seu Spitfire durante a primeira decolagem de um porta-aviões britânico.
O pequeno avião ganhou os céus e assim que os demais viram a saída rápida, correram para suas aeronaves e fizeram o mesmo. Acima deles uma esquadra da Luftwafe se mostrava pronta pra combate.

Naquela tarde ocorreriam as primeiras baixas de civís britânicos.



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Última atualização em Sex, 16 de Maio de 2008 05:11
 
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