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O beijo da morte Enviar por e-mail
Literatura - Prosa Poética

Escrito por Russolini
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Ter, 20 de Maio de 2008 05:41
Prostrado num leito hospitalar, enfermo, nauseabundo, descorado, consumido por uma moléstia agressiva, de aspecto purulento e fétido, encontrava-se um ser em salsugem.

Alguém que outrora rico e poderoso; soberbo e inescrupuloso; mesquinho e asqueroso... Mas, como o reverso do destino é implacável, o inóspito aconteceu. As quatro fases da lua ditaram sua má sorte, hoje minguante, num leito de morte. O óbito que tardara em não vir jazia vociferando sua maledicência em agonia e caquexia. A infecção queimava em suas veias, pulsava em suas escaras pungentes num ar carregado de enfermidade e desprezo.

E naquele lugar isolado e restrito, onde tudo tornara impossível e incerto, a algia e a febre ditava a orquetra fúnebre que ritmavam em marcação sonora com as gotejadas dos soros e o compasso dos brancos aventais em parodóxo com véu negro da dama da noite que sorrira anciosamente a espera do seu triunfante momento.

E após intermináveis horas em convalescência, lá estava um ser humano pérfido que acreditava no poder pecaminoso da usúria e da maldade e que na materialidade da vida fora condenado na espiritualidade ínfima com o beijo da morte.



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O beijo da morte
Ter, 20 de Maio de 2008

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Última atualização em Ter, 20 de Maio de 2008 06:03
 
Comentários (2)
  • Aline Pottier
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    Muito bom! Excelente mesmo!Enquanto lia fiquei imaginando todo o quadro que descreveu com primazia. Um grande abraço, Aline :) :) :)
  • Russolini
    avatar
    Olá amiga, obrigado pela visita e pelo comentário. Esse texto é uma reflexão para aquelas pessoas que perderam a sensibilidade do amor, amizade, Deus...Como sei que vc é uma artista polivalente acredito que, em cima disso faria um quadro surrealista, pode ser? Abraços!
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