
excelente!!!
uma trama ma-ra-vi-lho-sa!
ai de se entender toda uma 'fantasia' por tras de uma estoria bem legal.
muito bom, mesmo.
meus parabens!
| Eternamente em tua vida |
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| Literatura - Contos - Romance |
Escrito por Catucha |
Qui, 10 de Julho de 2008 15:23 |
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Silvia era secretária executiva de uma grande empresa de motores, numa emergente cidade do interior de São Paulo. Linda, de olhos e cabelos pretos, sorriso invejável e de corpo sedutor, aos 38 anos acumulava lembranças de vários relacionamentos mal sucedidos, mas estava confiante de que este seria diferente. Apesar dos vários desencontros, ela ainda tinha esperanças de que poderia dar certo. Conhecera Fernando num site de relacionamentos. Fernando, aos 45 anos, era um homem realizado profissionalmente. Escritor de renome, além de livros, escrevia para vários jornais da sua cidade. Separado, usava seu tempo para garimpar histórias e personagens a serem usadas em seus romances e contos. Morava em Curitiba e a distância fizera com que por apenas cinco vezes, em dois anos, tivesse o prazer de estar com Silvia. Mais um final de semana estava reservado para o casal. Silvia preparava-se como uma noiva: horário na cabeleireira, na manicure, depilação, massagens com cremes pelo corpo para hidratar. Comprara uma langerie lilás de renda e imaginava Fernando, com toda sua habilidade, lhe despindo. Diante do espelho, experimentara muitas roupas ensaiando trejeitos, bocas, sorrisos, tudo para lhe agradar. Naquela semana, os poucos minutos que tinha de folga eram dedicados às lembranças dos momentos com Fernando, suas carícias, os beijinhos nas costas que ela adorava, suas brincadeiras excitantes com morangos e chantily... as horas de conversa depois do amor, tudo tão perfeito, estava prestes a acontecer novamente. Era um sábado, manhã de outono. O sol brilhava e o clima ameno, promovia lindo cenário. Silvia esperava Fernando num shopping, como haviam combinado. Escolhera para vestir uma saia preta justa com fenda lateral e uma blusa de seda abotoada na frente. Seus passos elegantes e sensuais e seu cheiro de perfume francês chamavam a atenção dos homens enquanto ela andava de um lado pro outro a esperar. Foram horas de espera e ele não veio. Confirmou a chegada do seu avião por telefone. Silvia tentou várias vezes ligar para seu celular, estava mudo. Ao chegar em casa, correu abrir seu e-mail particular e nenhuma notícia encontrou. Numa mistura de frustração e raiva, lembrou das duas vezes que houvera marcado e ele não aparecera, dando-lhe explicações somente alguns dias depois. Silvia chorou por alguns minutos e decidiu não sofrer. Depois de se refazer, ligou para César, seu colega de trabalho e eterno pretendente. Saíram para jantar e, depois de muito vinho, terminaram a noite juntos. Para César, foi uma noite de amor inesquecível. Para Silvia, uma noite de sexo onde a raiva confundiu-se com volúpia e, no fim, um enorme vazio. Na segunda-feira, Silvia caminhava quase que catatonicamente pela entrada da empresa quando percebeu que estava sem o seu crachá.. Para melhor procurá-lo na bolsa, sentou-se num sofá onde um senhor de meia idade estava lendo um jornal. Depois de alguns segundos, encontrou o crachá e ao levantar os olhos, leu em manchete no jornal a sua frente: "Acidente na rodovia Santos Dummont faz mais duas vítimas: Fernando da Silva e Márcia Lourenço". Os olhos da Silvia ficaram nublados e um grito calou-se em sua garganta. Seu coração perdeu o compasso e o ar tornou-se escasso, dando-lhe a sensação de morte a cada minuto. Durante três dias permaneceu em casa. Não quis atender telefonemas, não abriu e-mails, trocou seu celular querendo apagar o passado. Curtia a dor de uma eterna saudade que lhe esperava e a pergunta que não calava em sua mente: quem era aquela mulher? Resolveu reagir e tentar viver. Aceitou uma proposta da empresa em que trabalhava para um curso no exterior com duração de um ano. O mesmo que seu colega César faria.Correu contra o tempo pois tinha poucos dias para a viagem. Acreditava que longe seria mais fácil esquecer tudo que acontecera. Um ano se passou e eles retornaram.Ao chegar ao aeroporto, enquanto César esperava para apanhar a bagagem, Silvia parou diante da vitrine de uma loja e leu incrédula um pequeno cartaz: lançamento do novo livro do escritor paranaense, Fernando Roveri Silva: "Eternamente em tua vida". Só então ela se deu conta de que o Fernando que morrera não era o seu amado. Era alguém com o mesmo nome. Enxugou as lágrimas que insistiam em cair e mentiu para si mesma: odeio este Fernando, sempre o odiarei... Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Sex, 11 de Julho de 2008 14:33 |