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ESA #13 - A festa de Joaquim - Parte Final Enviar por e-mail
Livros - Romance

Escrito por josweetty
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Sex, 25 de Julho de 2008 09:25
André saiu do banheiro muito tempo depois, com os olhos avermelhados. Ficou o tempo todo lá dentro procurando uma desculpa para encarar Joyce depois do seu fracasso, mas não conseguia pensar em nada. Estava se sentindo um lixo humano gigantesco!

Era a pior coisa do mundo não conseguir ser honesto com a sua namorada.

Quando cruzou a sala, avistou que a festa continuou sem ele: Joyce cantava com seus amigos, como se estivesse no dia mais feliz da sua vida, gritando com uma das gêmeas e com Renato, que tentava se divertir mesmo com toda a timidez.

Os garotos que cantavam com elas usavam uma garrafa de vinho como microfone e no refrão todos se aproximavam para cantar juntos. André não gostou daquela cena, era como se Joyce estivesse se insinuando para todos eles.

Estava preparado a arrancá-la de lá em uma crise de ciúmes! Seria uma cena escandalosa e digna de um filme de drama. Foi quando Guta passou na sua frente com seu vestido branco curto, e suas coxas carnudas de fora.

- Oi Guta... - segurou a garota pelo braço, que se virou para ele com as bochechas rosadas. - Tudo bem?

- Comigo? - a garota não entendeu, segurava um copo de bebida e estava tonta, ébria. - Sim, e você?

- Tudo bem... será que podíamos conversar?

- A gente? - Guta estranhou.

- É, mas ali fora.... - André apontou o quiosque.

Guta lembrou-se que Sofia estava sentada por ali. Não era uma boa conversar com André perto dela, pois tinha certeza que André queria falar do que tinha acontecido naquela semana. Era por isso que ficava evitando conversar com ele e vice-versa.

- Vamos à garagem...?

- Melhor. - e seguiu a garota até a outra sala da casa de Joyce, onde havia uma pequena porta, que dava para a garagem.

Como os pais de Joyce estavam viajando, havia apenas um carro prateado. O portão estava fechado e a luz era bem pouca, apenas a luz do poste e da entrada da casa, que entravam pelas janelas horizontais e quadradas.

- O que é? - Guta ficou de frente para ele assim que entrou no recinto com cheiro de graxa, ainda com o copo de cerveja na mão.

André não sabia o que dizer, apenas fechou a porta, para que ninguém os visse ali juntos. Ficou encarando Guta sem palavras, como se estivesse engasgado.

- O que foi André?

- Você não tem nem falado comigo... eu achei...

- E você disse que tem nojo de mim, acha que eu vou falar com você depois disso? Eu entendi o fora que você me deu, não precisa repetir.

- Eu não queria ter sido idiota com você. Somos amigos.

- Amigos, né? - a garota impacientou-se. - Eu sei que está super estranho agora, mas o que quer que eu faça? Não tem como fingir que nada aconteceu, além do mais a Joyce é minha amiga e não quero estragar tudo por que você não sabe como agir! E eu sempre gostei de você mesmo, nunca disse nada porque fui idiota, inocente! Mas daí a ter que ouvir asneiras de você, já é demais, acha que eu errei sozinha? Acha...?

- Cala a boca, Guta. - André respondeu segurando-a pelo rosto e beijando-a logo em seguida.
Guta ficou sem reação a princípio. Devia estar muito bêbada e delirando sobre as coisas, porque não fazia o menor sentido tudo o que estava acontecendo.




Erick estava no quiosque esperando por Sofia há pelo menos meia hora, com os dois cotovelos apoiados na bancada. Onde é que ela estava? Tudo bem, ele tinha consciência que demorara um pouco mais do que queria, mas só estava trocando algumas palavras com Guta.

Tirou o celular do bolso e na lista de contato procurou pelo nome de Sofia, digitando uma mensagem de texto, perguntando o que tinha acontecido. Esperou um tempo e nenhuma resposta viera. Ficou ainda mais meia hora ali fora, esperando que ela voltasse, mas depois percebeu que Sofia não estava mais na festa. Não era preciso ser nenhum gênio para saber isso, era óbvio.

Logo de início começar com esse tipo de atitude era uma das coisas que o faziam lembrar porque preferia ficar sozinho a se relacionar com alguém: não tinha paciência para esse tipo de brigas e se irritava facilmente com tudo isso.

Só que com Sofia era diferente, Erick se sentia um imbecil. Não queria que ela tivesse ido embora... que droga... por que ele fazia tudo errado?

Deixou o quiosque e seguiu em direção à barulhenta festa embalada pelo som do violão desafinado, e assim que entrou na sala, se sentiu mais imbecil ainda: avistou Sofia pela janela da sala, no jardim.

E ela estava sentada no balanço que tinha na frente da casa de Joyce, indo para frente e para trás com lentidão, como um embalo de bebê. Sentia-se mesmo uma covarde, porque não havia conseguido abandonar a festa sozinha, não conseguia ir para a casa, só ficou ali no balanço aquele tempo todo, pensando. O que tinha feito de errado? Por que ela não podia ser interessante como sua irmã? Ninguém deixava Cecília falando sozinha... ninguém se atrevia... às vezes queria saber ser como Cecília e como Joyce, que se faziam presentes onde quer que estivessem...

- Você está ai... - uma voz falou atrás dela. Sabia que era Erick, mas não se mexeu. Erick aproximou-se parando em sua frente. - O que houve?

- Fiquei um tempão te esperando no quiosque...

- Eu também.... achei que você tinha ido embora.

- Eu tentei. Mas desisti no meio do processo... - Sofia não se incomodou em olhar para ele, estava com vergonha de sua covardia. - Sou uma imbecil, não é?

- Há dois minutos atrás eu concluí que o imbecil sou eu... desculpe.

- Eu que tenho que pedir desculpas. Fiquei fazendo um monte de pergunta... não devia ter feito isso, devia esperar você me contar... quando confiasse em mim.

Erick não soube o que responder. Não era questão de confiança. Segurou o balanço fazendo-o parar e Sofia ergueu os olhos castanhos esverdeados para ele, com um semblante triste:

- Por que você não me disse sobre a sua mãe?

- Quê?

- Sobre como ela morreu... poxa, Erick... - abaixou a cabeça de novo, chateada. - Se vamos ficar juntos o mínimo que eu espero é que você seja sincero... não gosto que escondam as coisas de mim.

- A Guta quem disse isso pra você?

- É... mais ou menos.

- Que ótimo... - era tudo o que ele não queria.

- Eu fiquei preocupada, poxa. Você não precisa ficar fingindo que está tudo bem quando não está... não pra mim.

- É, não está como eu queria que estivesse. - isso fez Sofia erguer a cabeça mais uma vez, para encará-lo. - Mas eu não sou de ficar lamentando a minha vida.

- Desculpe... não devia mexer no assunto. - Chateou-se e abaixou o olhar de novo, procurando por alguma formiga no chão, mas encontrando o coturno com spikes de Erick. Sentiu-se tola.

- Sofia, não é isso. - ajoelhou-se de frente para a garota, ficando na mesma altura que ela e olhando-a com sinceridade. - O que você ou qualquer outra pessoa pode fazer? Chorar por mim? Não preciso e nem quero isso. - e esboçou um sorriso. - Vamos fazer o seguinte? Amanhã quando estivermos sós... Respondo tudo o que você quiser saber.

- Você devia me contar quando quisesse e não assim, dessa forma forçada. - Sofia chateou-se, enchendo as bochechas de ar, como uma criança indignada.

- Não é de forma forçada. E você tem razão! Se vamos ficar juntos, que sejamos sinceros um com o outro.

- Estou me sentindo egoísta.

- Por quê?

- Quero que você me conheça. - revelou. - Eu não quero que um dia você me confunda com a Cecília...

- Boba... vocês duas são completamente diferentes. - Erick riu com seus piercings e sem dizer mais nada, apenas a beijou. Sofia o abraçou com carinho, entregando-se ao beijo. Fizeram as pazes, finalmente.




Joyce brindou seu terceiro copo de uma misturinha de bebida com Cecília, Adriano e Renato. Claro que Renato não estava bebendo e sim fingindo, enquanto os outros três viravam seus copos. O atleta não se sentia a vontade perto do álcool e até então, achava que Joyce também não, mas vê-la virar um copo atrás do outro daquele jeito era definitivamente sinal de que alguma coisa não ia bem.

No quarto copo que Joyce pegou, Renato resolveu intervir:

- Joyce você não acha que já bebeu demais?

- Só dei dois goles. - ela respondeu com a língua amortecida, falando enrolado.

- Ih, Renato, vai começar a implicar com a festa? - Cecília se meteu. - Deixa a Joyce se divertir... se eu fosse você, entrava na onda. Afinal viemos aqui para curtir!

- Vocês duas estão exagerando hoje...

- Que isso... festa é pra isso mesmo. - Adriano colaborou com a conversa. Compartilhava da mesma opinião de Cecília sobre festas.

- É, vamos nos divertir! - Joyce falou, tentando ficar em pé. - Ceci, vamos dançar...! - e puxou o braço de Cecília, tentando fazer a amiga ficar de pé.

- Aiiii, não...! - Cecília não quis levantar e puxou o braço.

Joyce perdeu o equilíbrio e caiu para trás sentada no sofá, derrubando seu copo em cima de Renato, molhando seu ombro.

- Ah, não acredito! - era a segunda vez naquela noite que tomava um banho com a bebida fedida dos outros.

- Rê! Desculpa! - Joyce sentou-se para vê-lo e notou a camisa do garoto toda molhada. - Eu sou uma burra.... - e seus olhos logo se encheram de lágrimas, emocionada pelo teor alcoólico em seu sangue e cérebro.

Quando deu por si, Renato estava sendo abraçado por Joyce, que em prantos enterrava sua cabeça em seu peito, abraçando-o.

Cecília ergueu as duas sobrancelhas assustada e parou estática, com a mesma expressão de que não estava entendendo nada que Adriano. Os dois encarando Joyce chorar de repente.

- Ué... - foi o comentário que Adriano fez.

- Foi o idiota do André! - Cecília anunciou, lembrando-se que a amiga reclamara do namorado pra ela. - Joyce, não chora....

Renato sem saber o que fazer, fez o que todo amigo faria em seu lugar: abraçou Joyce e deixou que ela chorasse pelo tempo que precisava chorar.

- Eu vou buscar um copo de água com açúcar! - Cecília anunciou ficando em pé. - Vem Adriano, me ajuda...!

Adriano sem saber o que fazer largou o violão por ali e foi atrás de Cecília que se dirigia para a cozinha a passos rápidos. Enquanto a seguia, não conseguiu evitar em medir os contornos de Cecília, que formosa, locomovia-se com classe em cima de suas sandálias de salto fino e por impulsão, segurou a mão de Cecília, puxando-a.

Cecília se assustou e virou-se para ele imediatamente, mas antes que pudesse pensar alguma coisa, ele a beijou na porta da cozinha, abraçando o corpo delicado da garota.

Cecília sentiu um arrepio por suas costas. Seu perfume era maravilhoso... Esqueceu de Joyce imediatamente e apertou-se contra o forte corpo de Adriano.




André e Guta continuavam em beijos longos e calorosos dentro da garagem. Seus corpos se espremiam um com o outro, suados e com desejo. O mundo perdeu o sentido e o tempo pareceu parar, tudo o que havia ali eram eles dois. O silêncio isolado da garagem eram cortados por suas ofegantes respirações. Com as mãos por dentro do vestido branco André explorava o corpo de Guta, enquanto beijava seu pescoço e sua boca. Guta o abraçava com força, segurando em suas costas, apertando-o contra seu corpo, completamente entregue àquela sensação que crescia entre eles. Guta desabotoou o cinto de André, sem pressa, enquanto ele desceu sua delicada calcinha por suas pernas.




- Socorro! - Renato gritou na porta da casa de Joyce, chamando a atenção de Sofia e Erick que ainda se beijavam, isolados da festa, mas sem a pretensão de se esconderem. Sofia assustou-se quando encarou o amigo, que vinha com os olhos verdes arregalados. - A Joyce, ela tá passando mal!

- Passando mal? - Erick não entendeu.

- É, no banheiro! - Renato estava visivelmente nervoso, sem saber o que fazer.

Sofia soltou-se de Erick e andou depressa para dentro de casa, os dois garotos a seguiram por inércia e Sofia só parou de andar quando chegou na porta do banheiro e viu Joyce sentada no chão abraçada com o vaso de cerâmica branco, com a cabeça solta, quase desacordada. Era uma cena em que normalmente ninguém veria Joyce.

Erick foi quem entrou no banheiro, indo socorrer a menina. Ergueu a cabeça de Joyce:

- Ei, Joyce? - e ela tentou abrir os olhos. - Tá tudo bem?

- Acho melhor chamar um médico! - Renato deu a idéia.

Erick olhou para ele por cima do ombro:

- Por que você não pega uma toalha? - mas Renato não se mexeu. - Sofia?

- Eu já volto. - saiu apressada.

- Fecha a porta, Renato. - Erick pediu e Renato entrando dentro do banheiro assim o fez, encostando-se na porta para que ninguém entrasse. Erick abaixou-se perto de Joyce, que tentava vomitar mais, mesmo não tendo mais nada no estômago que pudesse sair, ela apenas cuspia. - Você acha que consegue ficar de pé?

- Não... estou enjoada... - ela reclamou, tentando cuspir mais, sentindo um amargo gosto na garganta. - Não quero mais vomitar... - e recomeçou a chorar.

- Calma, Joyce. Eu ajudo você. - e dito isso, segurou um dos braços de Joyce passando-o por seu ombro. - Vamos! - ergueu a menina com dificuldades, que com a pouca força que restara em seus joelhos tentava levantar.

Ficaram os dois de pé e Erick levou Joyce até a pia, abrindo a torneira. Sofia bateu na porta e Renato a deixou entrar. Trazia uma toalha azul clara que pegou do armário do corredor dos quartos, no andar de cima. Renato apenas deu passagem e ficou no canto do banheiro, inutilmente apenas observando enquanto Erick e Sofia ajudaram Joyce a lavar o rosto e se secar.

- Que vergonha... - choramingou. Joyce estava entre lágrimas e mal conseguia ficar em pé.

- Você vai ficar bem. - Erick a confortou. Joyce abraçou-se com Erick e deixou os joelhos falsearem, quase indo ao chão. - Ei! - a segurou. - Joyce? Joyce? - e com isso ela pareceu recobrar a consciência, segurando-se com suas próprias pernas, jogando a cabeça no ombro do garoto, que encarou Sofia segurando a toalha azul clara, com ar preocupado.

- Vamos levá-la pro quarto, Erick, ela não tá legal... - foi o que Sofia disse. - Acha que consegue carregá-la?

- Claro que não. - era meio óbvio de se olhar, ele mal conseguia mantê-la em pé.

- Não é melhor chamar um médico? - Renato desesperou-se.

- Quer parar de ser idiota e me ajudar? - Erick reclamou, o que causou um choque em Renato.

- Certo. - Renato deixou a pose de inútil e pegou Joyce de Erick carregando-a no colo, como um verdadeiro príncipe encantado devia fazer com sua princesa.

Sofia abriu a porta para Renato e ele seguiu em direção às escadas para subir Joyce até seu quarto, que entre choramingos o abraçava.

- Não é melhor você chamar o André? - Sofia perguntou virando-se para Erick.

- Ok. - o garoto respondeu, dando de ombros. Não ia fazer diferença nenhuma para Joyce, ela mal lembraria do que acontecera no dia seguinte. Viu Sofia e Renato subirem as escadas antes de decidir mover-se dali à procura do namorado desaparecido de Joyce.

Erick procurou pela festa inteira e não o encontrou, ninguém também o tinha visto e muitos nem sabiam quem era André. O único lugar que faltava era a cozinha, mas ao chegar lá tudo o que viu foi Cecília se agarrando com um desconhecido e sem perder tempo, saiu dali antes que Cecília pudesse vê-lo.

Ainda rodou pela festa mais alguns minutos e desistiu de procurar por seu irmão postiço.

Quando voltava para a sala, a porta que dava para a garagem se abriu e Guta saiu de lá arrumando seu vestido, André vinha logo atrás. Os dois pararam em um susto estático quando viram Erick no corredor.

- A Joyce está passando mal. - Erick logo anunciou.

- Onde? - André se preocupou imediatamente.

- Já está no quarto. - e assim que ouviu essas palavras André saiu dali a passos apertados.

Guta arrumou os cabelos e sorriu sem graça para Erick, que a olhava com reprovação. Ela não conseguia esconder que estava feliz, obviamente porque estava com André. E Erick por sua vez, carregava no olhar seu descontentamento.

- Estávamos só conversando...

- Não quero saber. - irritou-se, cruzando os braços.

- Erick, é sério. - tentou se defender.

- Não, não é! - cortou as desculpas esfarrapadas de Guta com sua sinceridade afiada. - Não achei que você fosse tão hipócrita...

- Eu? O que foi que eu fiz?

- Além de espalhar pra todo mundo o que eu te contei e trair a sua melhor amiga duas vezes? Nada! É praticamente um anjo que veio do céu! - e com isso deixou a menina sozinha no corredor, virando-lhe as costas.

Guta não disse mais nada.

Naquele momento se sentiu um saco inteiro de lixo fedido e podre. Era só isso que era: uma traidora fofoqueira.



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Última atualização em Sex, 25 de Julho de 2008 17:31
 
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