| Lágrimas de Prata - África livre - parte um |
|
| Literatura - Contos - Policial |
Escrito por Brunno |
Qui, 31 de Julho de 2008 12:59 |
|
Enquanto empregados mostravam as instalações onde Liv ia trabalhar, o grupamento do SAS tinha outro trabalho, um pouco mais pesado.
O tanque de combustível do jipe incendiou depois que uma granada de fósforo foi jogada, o que obrigou Gascoin e Grills a correr para o galpão atrás deles, abaixo dos demais soldados do SAS. A noite ainda estava longe de terminar e os clarões da batalha erguiam-se por sobre as edificações do modesto aeroporto de Casablanca. Grills pediu cobertura a Gascoin, olhou a casa de comando e viu Lions, Weiss, De Bruce e Phelps atirando com as MVK como podiam. Os alemães surgiram novamente pelo portão, desta vez um deles tinha sobre o ombro direito um Nebelwerfer 41. O tenente atirador do SAS mandou o novato francês correr até o carro, soltar o freio do pé e desengatar a marcha. Gascoin entendeu o que ele queria fazer e correu sob uma chuva de balas até o jipe em chamas. O tanque de combustível já havia perdido uma parte da carenagem o que eliminava a pressão e a possibilidade de explosão. Os alemães revidaram e Grills sinalizou para Bruce retirar os homens de dentro daquela casa. Bruce olhou através dos escombros da janela enquanto Grills agitada os braços freneticamente em sua direção, mas não divisou o motivo da agitação. Então, Grills pôs o joelho direito no chão, esticou o braço direito com o punho fechado e bateu a mão esquerda sobre o ombro direito. Bruce arregalou os olhos e gritou "Lança-rojão! Deitados". Os homens dentro da casa de comando jogaram-se sob as mesas e qualquer outra coisa que estivesse por perto. A granada explosiva entrou pela janela e colidiu com a parede de fundo. De dentro do galpão, Grills viu somente o clarão amarelo e preto e os estilhados de madeira voando pelos ares. Gascoin soltava o carro em direção de onde eles estavam tendo cobertura dos homens acima do galpão. Quando achou que o carro tinha velocidade para ir sozinho, voltou correndo agachado até onde Grills estava, gritando para que ele atirasse logo. Usando o carro como escudo distante, Grills correu ao lado de Gascoin que lhe dava cobertura com a MVK e no caminho acharam Demot caído e atirando, estava ferido por estilhaços da casa de comando. Logo que chegaram a posição que queriam, Gascoin, Demot e Grills abriram fogo: duas MVK para abrir passagem e um rifle de precisão para atingir a válvula da bomba de combustível ao lado dos alemães. O líquido amarelado começou a jorrar e os nazistas tentavam mudar de posição. Demot foi até o que restava das janelas da casa de comando e gritou "Thunder!", esperando ouvir "Light!", mas ninguém respondia. O jipe fumegante aproximou-se o suficiente. A explosão do reservatório de gasolina de aviação abaixo deles devastou o pequeno aeroporto. Naquele tempo os tanques não eram projetados para explodir para cima, como hoje, então o lençol de fogo varreu os dois carros, os alemães, mais uma parte da casa de comando e atirou pedaços de ferro quente num raio de trinta metros. Assim que a onde de choque passou, Gascoin, Grills, Demot, e os homens sobre o telhado do galpão, levantaram-se surdos. Gascoin estava desorientado e via tudo em câmera lenta. Não imaginavam que havia tanto combustível naquele tanque. Demot gritava alguma coisa e olhava para Gascoin, mas as palavras não corriam o ar. Grills tinha os dentes travados e atirava ainda, mas atingia nada além de carcaças, mecânicas e humanas. Os homens do galpão desceram, Erney e Simpson correram até eles segurando os capacetes e tinham os olhos pretos pela fuligem e pelo espanto. Na estrada de acesso ao aeroporto um caminhão enorme, com dezenas de fileiras de rodas, levava um avião de caça ME 262 alemão, estava a menos de vinte metros do local da explosão e tinha a barriga cheia de armas e bombas. Não sobrara nada de boa parte do aeroporto. Gascoin deu dois passos para trás e viu o coronel De Bruce saindo da casa de comando com um homem nos braços. Lions vinha atrás dele escorando Phelps, Weiss não resistira a um ferimento no fígado. Era um peso morto nas mãos de seu comandante. Demot puxou Gascoin pelo pescoço como se quisesse levá-lo para outro lugar, Grills foi empurrado também. Gascoin sentiu que havia um líquido quente sobre a face esquerda e achou que fosse gasolina. "Light!" gritava De Bruce... "Médico!" - mas os gritou eram abafados até para ele. Phelps caiu de costas e sentiu alívio no joelho estraçalhado. Lions tinha sangue na testa e nariz. O coronel De Bruce gritava sobre o peito morto de Weiss para que um médico chegasse rápido. O tenente Simpson o puxou e segurou pelos braços. Gascoin foi recostado nos escombros do galpão, mas queria ajudar o comandante. Sabia que se ainda houvesse alemães vivos, ou se aquele caça entrasse no aeroporto, com as metralhadoras MG08, não teriam mais que poucos segundos de vida. Demot tirou o blusão caqui e apertou o rosto de Gascoin. Havia um ferimento que lhe lacerava a pálpebra esquerda, subia pela fronte e descia sobre o malar do mesmo lado. Não atingia artérias e veias calibrosas, mas um sangramento superciliar é sempre um problema. Ele apoiou a mão sobre a camisa do companheiro e estava empapada pelo sangue. Grills tirou seu cantil e deu a Demot, para lavar o ferimento. Foi até o corpo de Weiss e respeitosamente o cobriu. Demorou mais de uma hora para baixar a poeira e tudo começar a voltar ao normal. A milícia francesa obviamente não iria se opor, já que não o fizera aos soldados do fuhrer. O comissário Lebeau, de seus ínfimos metro e sessenta e cinco de altura, barriga proeminente e covardia laboriosa, jamais iria desrespeitar um homem como De Bruce, de um metro e noventa e cento e dez quilos de músculos. O tenente Cheston veio até o coronel. Estava sentado sobre o capacete e limpando a fuligem do rosto. __Conseguiu o médico? - perguntou o comandante do SAS. __Sim, senhor. Jekil está cuidando dos feridos. Os mais graves são Phelps, Stein, Bony e Gascoin. - disse o soldado enquanto punha uma das mãos sobre o peito coberto por um pano de Weiss e fazia uma prece rápida. __ Qual a condição deles?- perguntou novamente o coronel, muito sério. __Ficarão prontos pra batalha rapidamente. O que fazemos agora, coronel? Marrik de Bruce voltou com algumas notas de dinheiro local e mandou Cheston ir até a cidade, há pouco mais de dois quilômetros, comprar pão, água potável, carne, se achasse, farinha de trigo, melado, sal e tiras de ataduras. Provavelmente haviam destruído um importante ponto de apoio alemão na África. Com o interior e a costa marroquina suprimidos, tomar a Líbia e o Egito ficaria muito mais simples. Um dos homens do sargento Sebastian Umbaúna, principal líder de campo africano, foi designado para acompanhar o SAS pelo deserto, o que foi de grande valia para os ingleses com seu grupo misto, já que sem a ajuda de Romna Suleiman jamais teriam passado tanto tempo longa das estradas e das brigadas alemãs. Foram capazes de cobrir centenas de quilômetros a pé, pelo deserto e sob uma temperatura de quarenta a oito graus, então, Gascoin entendeu porque aqueles homens, naquele calor infernal, usavam tantas camadas de roupa preta. De tempos em tempos os homens do SAS, munidos de um rádio preparado para pegar a freqüência dos americanos, ouvia que a Easy Company, em campanha franca na Europa, havia tomado mais posições na Áustria, Suíça, norte da Itália, Espanha e França. As notícias que chegavam era que os japoneses estavam dando trabalho no Pacífico com seus cruzadores e haviam posto a pique dois dos poderosos porta-aviões americanos, encouraçados adaptados, na verdade, com uma rudimentar pista de pouso sobre o convés, mas ainda assim, os P-47 e P-51 eram os dominantes nos ares. Cavalgando ou sobre um camelo, os ingleses, que se não fosse seus treinamentos já teriam sucumbido ao calor do Saara norte - africano, viam passar ao longe as fortalezas voadoras dos Estados Unidos. Aqueles enormes aviões pretos ou pintados de verde escuro que mesmo muito altos no céu, podia-se ver claramente os detalhes: as metralhadoras de calda, a torre na barriga com mais uma metralhadora, as laterais e as dianteiras. "Ao que parece nossos primos de além mar gostam mesmo é de inventar coisas, enquanto nós é que somos os limpa trilhos desta guerra" comentou Grills, com Gascoin, antes de perceber que aqueles não eram primos deste. E estava errado. O SAS foi um dos principais grupos de infantaria pára-quedista da segunda guerra, mas não o único. A Easy Company norte-americana tinha homens tão bem trinados com o SAS, só que sem qualquer experiência em campo de batalha. Os tenentes do SAS vinham do primeiro grande confronto, ainda que sem o nome de hoje. Havia ainda os Tuvanos. Estes eram um grupo de soldados siberianos capazes de sobreviver com quase nada de comida e água, homens fortes que haviam nascido nas estepes geladas próximas do Mar de Bering e que costumeiramente viviam dezenas de anos isolados que qualquer contato humano. O isolamento, a fome, o frio, as agressões da natureza não eram nada para aqueles homens, tanto que depois de oito dias de batalha sob neve de quarenta centímetros, os soviéticos haviam retomado Kursk e Rostov. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Sex, 30 de Janeiro de 2009 14:52 |

