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Lágrimas de Prata - Operação Overlord Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Policial

Escrito por Brunno
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Sáb, 09 de Agosto de 2008 20:23
Os aliados voltam para Europa após a libertação parcial da África. O continente estava livre dos alemães, mas ainda tinha muitos problemas pra resolver. Em janeiro de 1944 o general Eisenhower já é o supremo comandante das forças aliadas na Europa.

Mussolini havia sido preso ao termino de duas operações importantes, "Husky" e "Tripoli", enquanto os britânicos e franceses abriam caminho na África e os americanos desembarcavam na Sicilia derrubando parte do governo fascista.

No início de setembro a Itália assina um armistício com os Aliados, em Londres, marcando presença na reunião de cúpula dos quatro países mais a União Soviética, que defendia seu território tomando cada vez mais cidades, e lutando agora, no inverno.

Numa contra-resposta à perda africana, os alemães tiram de trás da mesa o general Otto Skorzeny, que depois de ocupar Roma com um número imenso de soldados, consegue passar pela segurança Aliada da prisão do Dulce, e resgatá-lo.

Dias depois, novamente em liberdade, Benito Mussolini funda no norte, um Estado Fascista, dando às costas a nação italiana em si, sendo bem vindos somente os fascistas absolutos, ou os nazistas simpatizantes.

Enquanto o Dulce e o Fuhrer brincam de quem fica com o que no Mundo, o novo governo italiano declara guerra a Alemanha. Eram agora cinco contra dois, mas havia ainda a ameaça japonesa constantemente ancorada no Pacífico.

O tenente Saito Nizuy, hoje um homem sem brilho nos olhos, era um comandante de carreira meteórica que subira os degraus das patentes do modo mais complicado, brigando e ganhando.

Gabava-se de dizer para seus homens quantos soldados chineses e americanos havia matado, quantos europeus e russos havia sobrepujado pelo fio de sua espada e quantos ainda tinham de morrer. Se perguntado o motivo, ele não saberia dizer.

Em um natal inesquecível a marinha britânica afunda o cruzador Scharnhost, que termina de ir a pique às dezesseis horas do vigésimo sexto dia de Dezembro de 43. Hitler via que a Alemanha estava ficando sem recursos para continuar a guerra. As doações das famílias austríacas e alemãs estavam escasseando a cada contribuição e os gastos com tecnologia de guerra, principalmente, eram altos demais.

Outro grande problema alemão de gastos era seu departamento de pesquisa e gerenciamento de prisioneiros, ou seja, os campos de concentração de judeus, homossexuais, os fisicamente deficitários e os doentes em geral. Hitler olhava uma enfermaria de bebês em janeiro de 1944 onde mais de setenta por cento haviam nascido loiros, brancos e olhos azuis.

O restante obviamente devia ser descartado com os demais "defeituosos". Algumas mães detidas em Auschwitz ficavam extremamente contentes em receber de volta sua prole, para depois serem todos encaminhados para os banhos coletivos nas câmaras de gás.

O SAS estava sendo encaminhado para o norte da Itália. Encontravam pouca resistência no caminho porque a grande maioria dos soldados alemães ou estava em Roma ou havia sido reunida para a rota de passagem até o litoral francês, localidade que começava a chamar atenção de Liv, em Londres.

O que ela mais queria e cobrava de seus superiores era voltar para a França, mas o próprio De Gaulle dissera que enquanto houvesse ameaça em solo francês, eles teriam de comandar as operações de Londres. Garantiu que ela teria uma compensação interessante, se trabalhasse corretamente.

Liv estava cada dia menos afetiva com o General Charles de Gaulle, mas ele ainda era o símbolo de liberdade da nação. Ela apenas temia que algum dia ele usasse isso para chegar ao poder, porque talvez fizesse o mesmo, senão, muito parecido, com o que estava fazendo Adolf Hitler.

Em seis de janeiro de 44 houve uma reunião acirrada em Londres. A linda e respeitada jovem estava sentada numa ponta da mesa ouvindo o relatório vindo de Bruges, dos pontos de observação neutros, que soldados russos detinham o avanço nazista e marchavam para dentro da Polônia.

Enquanto um dos senhores, membro da Câmara dos Comuns, irradiava em ouvir sobre mais uma derrota nazista, Liv interrompe o falatório chamando atenção para si. Ela sai de seu lugar e pára diante dos homens, em que a média de idade da sala era cinqüenta anos.

__Não podemos concordar com isso, cavalheiros! A invasão à Polônia foi uma das primeiras ações temerárias de nossos inimigos, e o que os prestativos russos fazem agora? O mesmo! - ela brandia uma vareta de metal fina na mão direita para apontar posições num mapa.

__O que está dizendo? - perguntou Sir Nigel, um dos ais antigos membros- Que devemos conter os russos? Que devemos ajudar os alemães?

__Ajudar os alemães, não senhor. Mas conter ou ao menos demonstrar nossa desaprovação pela ação soviética, com certeza, sim!- virou-se para seu comandante- Entenda, general De Gaulle: se os soviéticos tomarem a polônia, com o final da guerra, quais posições eles terão? Em que estado de controle de todo o leste europeu os russos estarão? Da Sibéria até as nossas costas, tudo será uma imensa nação russa.

__Essa jovem tem razão - disse um general americano- Estamos nessa guerra justamente pra conter o ganho desenfreado, pela força, de territórios europeus! O que os bons amigos soviéticos estão fazendo é um grande exagero!

__Vindo de quem diz, até parece piada!- retrucou um lorde inglês- vocês com seus barcos que transportam aviões estão tentando a mesma coisa, senão desestabilizar o inimigo para ficar com os espólios da guerra?

__Não tem de haver vencedores! - gritou Liv, mas não calou a sala.

Uma gritaria começou de todos os lados. Os homens queriam falar mais altos uns que os outros e quem não falava nada era olhado com veemência para tomar algum partido. Liv defendia os interesses franceses, os americanos queriam conter o avanço russo e a casa de Londres estava disposta a cooperar com De Gaulle e sua assessora, mas queria os franceses contra os americanos, simples assim.

__General Eisenhower... - perguntou Liv-... Com sua experiência em relações ocidente e oriente o que acha dessa ação soviética?

O velho e calvo general levantou-se ajeitou a gravata a e sorriu para Liv. Era uma jovem linda de fala afiada e inteligente, ele respeitava isso. Apoiou as mãos sobre a mesa e falou a todos.

__Cavalheiros, acho que a ordem vem de cima. O que quero dizer é que não podemos ficar pensando em catar as migalhas do que caiu quando os frutos verdadeiros estão sobre nossas cabeças. Realmente esse avanço desenfreado dos soviéticos é um tanto preocupante. Quanto aos espólios desta guerra, Lorde, os britânicos certamente terão sua recompensa, assim como a França, na forma da ajuda necessária com reconstruir seus países...

__O homem diz isso porque não é em seu quintal que... - antes que continuasse ouviu um chiado de Liv, com o dedinho em riste, tentado ouvir o general americano.

__... Neste momento estamos com dezenas de posições de combate em andamento, norte da Itália, Noruega, Áustria, Alemanha, felizmente tomamos o norte da África, e não estamos pretendendo, acredito que nenhum dos senhores, em fazer desses territórios, nossos. Portanto, com qual garantia estamos trabalhando, eu pergunto?

__Com nenhuma, general - completou Liv- Assim que os soviéticos expulsaram os alemães de Kiev, continuaram avançando em direção ao exterior, quando podiam ter voltado suas forças ao Cerco de Stalingrado. Sabemos que está prestes de acabar, mas é nítido que os soviéticos estão tentando expandir também.

Os homens ficaram com as opiniões de Liv e do general Eisenhower. Findada a reunião todos receberam a notícia que os russos haviam corrido com os alemães da fronteira polonesa, e que o exército vermelho ia para oeste.

Na saída o general americano pediu ao colega francês que fossem acompanhados da jovem assessora, ela faria progressos importante se trabalhando junto aos "ianques" em uma grande operação que estavam planejando a seguir. Tinham o apoio britânico e garantia de que suas tropas tomariam parte no maior levante Aliado do confronto.

Enquanto os dois estadistas iam na frente, em direção ao gabinete do Primeiro-Ministro, os assessores iam atrás: dezenas de coronéis e majores norte-americanos e uma menina francesa.

Norte da Itália. O clima era devastador, o frio atingia os doze graus negativos e os soldados dormiam ao relento, protegidos somente pelo motor do caminhão ainda morno das horas de estrada. O SAS mantinha alguns homens de alerta e os americanos mantinham-se acordados conversando em voz baixa.

Descansar era uma das ordens dos comandantes. Marrik de Bruce fazia questão de que seus homens dormissem ao menos seis horas ininterruptas quando não estavam em combate. O sargento Michael também dormia com a cabeça sobre o capacete e coberto por uma lona.

Na guarda para o final daquela noite haviam ficado Gascoin e Jekill, mas logo juntaram-se a eles Winston e Bony e mais três homens da Easy Company. Às quatro e trinta da manhã os homens estavam sentados sobre a grama fina e gelada, escorados pelas costas uns dos outros, fumando e conversando.

__Então, pessoal, o que faziam antes da guerra? - perguntou Jekill aos americanos.

__Eu cuidava da fazenda da família. Temos uma propriedade em Winscosin. Pequena, mas é nosso sustento. - disse um dos americanos.

__Eu trabalhava numa loja de instrumentos. Caras, vou dizer uma coisa, nada melhor do que trabalhar numa loja de instrumentos! - dizia um jovem de Idaho, sotaque carregado.

Um dos americanos ficou calado. Era um jovem de pele boa, sem calos nas mãos, cabelo sempre muito bem cortado, mantinha o uniforme impecável. Foi cutucado pelos demais para dizer o que fazia.

__Vocês vão rir, mas é verdade. Meu pai é dono de uma metalúrgica em Memphis, Tennessee. - os homens não riram e não acreditaram - É sério, pessoal. Como os brancos olhos de minha mãe! O velho tem cinco carros na garagem e dezenas de propriedades espalhadas pelo país.
__E o que diabos, um filhinho de papai como você, está fazendo aqui? Congelando o traseiro neste continente? - perguntou um dos americanos.

O jovem pegou a ponta do cigarro de Gascoin e tragou.

__É que eu estava cheio de comer a governanta! - e todos caíram na risada - e vocês franceses? Além de lutarem com os ingleses, o que faziam antes?

__Eu era mecânico de caminhões - disse Demot batendo no pára-choque do Ford 122 atrás deles - Tinha uma pequena oficia com meu irmão em Paris. E você, Gasco?

Gascoin olhou o céu que apesar do frio era cravejado de estrelas. Depois baixou os olhos e fitou lentamente cada companheiro sentado ali, naquele círculo. Curativos, uniformes, armas, facas, balas, cheiro de sangue e cordite, os grilos estrilando ao longe, o ronco dos homens dormindo...

__ Eu procurava estar exatamente aqui, com meus irmãos de armas...

__É isso ai, francês! Tá bom do jeito que está! - disse um dos americanos levantando a caneca de café coado, realmente, num pé de meia sujo.

Os demais levantaram as canecas também , como num brinde ao relento em algum lugar de uma colina italiana, enquanto o sol iniciava seu curso para mais um dia maldito de guerra.

__Que esteja escrito nas linhas de nossas mãos que somos tolos em fazer guerra, assim como somos irmãos de armas... - entoou Bony, o negro de mais de dois metros de altura que falava pouco, mas era sem dúvida o mais inteligente deles.

Brindaram juntos porque achavam que morreriam juntos.

Na manhã seguinte os oficiais se reuniram para receber novas instruções via rádio e via ar. O local em que estavam era relativamente seguro, sem atividade hostil, o que possibilitava lançamento de suprimentos e ordens.

Maio de 44, Londres, gabinete do Primeiro-Ministro Winston Churchill, treze horas e quarenta e dois minutos. Irregularmente batem à porta. O secretário abre e trata-se de um jovem mensageiro da Royal Air Force trazendo um memorando dos Estados Unidos.

O general Dwight Eisenhower tomou o documento nas mãos e leu brevemente. Era um parecer do Presidente dos Estados Unidos, a ata da reunião do Estado-Maior e para constar, assinado pelos presentes e endereçada ao General Supremo Comandante das Forças Aliadas na Europa.

O documento dizia que o chefe de estado estava de acordo com o que havia sido proposto, se os comandantes das demais nações Aliadas concordassem em ajudar com homens e armas. O Primeiro-Ministro inglês e o Líder da França Livre estavam de acordo.

Havia três anos um plano de contenção do avanço nazista foi posto em estudo e posteriormente em andamento pelas autoridades Aliadas. O plano constava de deter a última grande resistência nazista na Europa, chamada Muralha do Atlântico.

O general reuniu os demais membros das casas republicanas e expôs o plano norte-americano. Começou exibindo um mapa na parede e bateu com a ponta de uma espada cravejada de pedras preciosas que descansava sobre a mesa.

__O erro daquele homem, foi não ter posto um telhado sobre tudo isto...

__Cuidado com essa espada, General - pediu, gentilmente, o Primeiro-Ministro - ela será um presente para Josef Stalin, pelos avanços contra os nazistas em seu país.

Os demais não entenderam porque a Coroa Britânica estava presenteando Stalin, mas saberiam depois.

__De qualquer forma, este é o local...

Território Italiano. Os chefes separam e falam com seus homens: De Bruce fala ao SAS e Michael à Easy.

__Estão coordenando uma grande operação! Estamos esperando ordens para agir junto aos americanos e franceses, ainda não sabemos se seremos escalados, mas temos de estar prontos... - dizia De Bruce.

___Os russos se recusaram a ajudar, ao que parece eles vão apertar o torniquete pelo outro lado enquanto nós abrimos caminho pelo meio! - gritava Michael.

Londres.

__Desembarque de pára-quedistas - apontou para o representante inglês - isso fica com o SAS, exatamente sobre as cabeças deles. Nós descemos pelo mar, nessas localidades...

__ De quantos homens do SAS estamos falando, general? - perguntou Liv.

__Um destacamento - completou um dos majores da Ochre House - A Airbourne, retornando da campanha da Hungria.

__Não acho suficiente! - disse logo - temos o grupo do SAS da Ochre House, foi o mais bem sucedido até agora, responsável pela campanha em Trípoli.

__ A senhorita Duncan está certa. Teremos homens suficientes se conseguirmos tomar estas posições. Depois aqui e aqui - disse apontando no mapa - nossas tropas já têm o itinerário e o levante deve começar no tempo necessário. Envie essa ordem aos homens no norte da Itália.

__Não acho adequado tomarmos essas posições nesse momento - observou De Gaulle - O clima não é favorável.

__General, segundo os estudos de climatologia da região, não haverá melhora dos próximos meses. Temos homens em posição de atacar imediatamente - Liv pensou um pouco - Quero dizer que os ingleses e americanos têm homens em posição de atacar... - e baixou a cabeça, ficava triste porque sabia que as ações vinham de muita gente, menos dos franceses.

__A jovem está novamente certa. Se esperarmos demais não conseguiremos fechar o corredor e eles terão uma grande vazão de equipamento para nos manter ao largo da costa. Tem de ser logo. - reiterou o general americano.

Foi uma das poucas reuniões daquele grupo que não acabou sobrando alguma discussão para depois. Ficou decidido que iriam atacar em poucos dias.

Depois de quase duas semanas parados no mesmo lugar no norte italiano, com dezenas de soldados chegando de partes diversas, os ingleses, franceses e americanos, agora tomavam café e contavam histórias com brasileiros. Bravos e poucos guerreiros enviados pelo governo para dar apoio aos americanos.

A Força Expedicionária Brasileira lutou estoicamente contra italianos e alemães. Muitos daqueles homens foram mortos em combate, outros voltaram com cicatrizes nos corpos e nas almas, os aviadores da "Senta Pua" foram fotografados lado a lado com os pilotos dos caças americanos e franceses.

O presidente Getúlio Vargas dissera num discurso que o Brasil entraria em guerra somente quando uma cobra fumasse! Pois "A Cobra Está Fumando" foi o lema adotado pela FEB, que acabou mesclado ao "Who Dare, Wins!" do SAS e ajudou a derrotar o inimigo.

Duas semanas depois, enquanto os brasileiros eram embarcados para a região de Monte Castelo, os aviões britânicos e americanos desciam para embarcar os soldados pára-quedistas. Henri Gascoin foi acompanhando Demot e conversando. Ambos estavam vestindo o traje completo do SAS e estavam ansiosos por saltar novamente.

__Hei vocês dois! Venham nessa aeronave conosco! - gritou De Bruce - não gosto no número dessa companhia.

Iam embarcar num B-29 da 502 de Winchester, um dos aviões que lançou os homens muito antes da área de salto. Ou foram mortos ou capturados pelos alemães.

Londres novamente. Noite no prédio da Thames House. Os funcionários haviam ido para casa e poucos ficaram. Os restantes estavam numa das amplas salas de reuniões ajustando os últimos preparativos para o ataque, era madrugada de seis de junho de 44. Liv era uma das que mantinha vigília com os demais.

Sua função naquele momento era identificar quais áreas eram mais vulneráveis ao ataque por terra, às costas dos alemães e quais companhias iriam agir. Tinha mais dois assessores com ela e uma montanha de papeis sobre uma das mesas, sentar ou ir ao banheiro era perda de tempo.

O general Eisenhower bateu três vezes sobre o tampo de uma das mesas com um malhete pequeno para chamar atenção de todos.

__Senhores, e senhorita, não há mais o que resolver. Acabo de receber a informação de que nossos aviões estão em curso. O almirante Runner do couraçado Plisken acabe de informar que estão todos em posição de desembarque.

Solenemente foi até o centro da sala e estancou.

__A partir de agora está iniciado o maior levante Aliado desta guerra. Digo isso porque esperamos não ser necessário outro. Aguardamos, com fé em Deus que nossos rapazes sejam bravos e o inimigo temeroso. Vamos pedir ao Criador para nos prodigalizar os Seus benefícios e dar paz, finalmente, a todos nós. Nenhuma guerra é justificada e essa tem de acabar agora...

__Acabamos de receber uma resposta de Moscou, General. - dizia Liv tirando um dos papeis da pilha - Se nosso levante for bem sucedido, os russos se comprometem a voltar suas armas para os japoneses. Parece que aquela espada está justificada.

__Muito bem, senhorita Duncan - agradeceu o general americano - Este é o D menos um, estamos na H menos 6, segundo nosso plano, o Dia D será em seis de junho de 1944.

A bordo de um B-29 da Divisão Aerotransportada da Ochre House, o tenente-coronel Marrik de Bruce falava mais uma vez a seus homens sentados nas laterais do avião.

__Quando acender a luz verde,sabem o que fazer! - gritando - Em menos de quatro horas estaremos saltando sobre as praias da Normandia, sobre as cabeças de alemães nervosos e fortemente armados! Estejam prontos!

"Huzza, Huzza, Huzza!"

Grills bateu no ombro de Gascoin e disse "Agora vai poder descontar tudo naqueles alemães safados. Deve estar com saudade de casa!".

O soldado francês puxou o ferrolho da MVK, destravou e manteve o dedo no gatilho.

Às três e meia da madrugada em Londres, com a reunião terminada, ninguém queria deixar a Thames. Poucos haviam ido pra casa depois das palavras do general. Liv foi para sua sala e sentou-se atrás da mesa quando um dos generais franceses, fiel a De Gaulle entrou.

__Excuse moi, mademoiselle Duncan...

__Bon Jour, Générale. Em que posso ajudá-lo?

__Na verdade, minha jovem, sou eu que imaginei poder ajudá-la. - ele tinha um sorriso paternal no rosto. - Não pude deixar de notar sua tristeza, na reunião desta tarde. Quando disse que soldados britânicos e americanos iriam tomar conta dessa ação. Sei que está querendo voltar a nosso país, e posso garantir que entendo essa sensação. Mas há uma coisa que gostaria que soubesse. Não serão somente homens desses países que tomarão parte no grande desembarque na Normandia.

__Como assim, General? Não entendo. Achei que nossas forças estivessem sobrepujadas ou funcionando somente como auxílio em terras da Europa central.

__Isso não é bem verdade - abriu mais o sorriso - Tive acesso aos documentos de identificação dos homens da Casa Ocre. Constam dois soldados franceses lutando dentro do SAS. Vim falar sobre isso com porque um grande amigo, colega de armas, comentou que conheceu a senhorita no vôo para Londres e ele disse que parecia triste pela perda de um conhecido.

Ela levantou da cadeira com a boca entreaberta e as mãos trêmulas e frias. O general continuou.

__No começo achei que era muita coincidência encontrar a senhorita aqui, mas como todos queremos estar um pouco mais perto de casa, achei que gostaria de saber que ainda temos homens ativos nessa guerra. Um deles foi o soldado que expôs essas pastas amarelas - e apontou para a mesa.

__Sabe os nomes desses homens, general? - tentando disfarçar a voz embargada.

__Acho que não poderei mais esquecer: são Pierre Demolet e Henri Gascoin - Esses dois jovens estão agora a caminho da Normandia. Alegre-se, menina, cidadãos franceses estão lutando por nossa liberdade!

O general a deixou na sala e, de lábios apertados, diante da janela para o Tâmisa, Liv chorou novamente.



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Lágrimas de Prata - Operação Overlord
Sáb, 09 de Agosto de 2008

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Última atualização em Dom, 10 de Agosto de 2008 14:54
 
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