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A Carta Coringa: Estrutura Literária e Histórica, Influências, Desenvolvimento e Pretensões da Obra. Enviar por e-mail
Livros - Ficção

Escrito por Robson Leão Cardozo
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Qua, 20 de Agosto de 2008 14:11
O Livro A Carta Coringa de minha autoria, obviamente, possuí em média umas 333 páginas, logo é um texto demasiado grande para postá-lo aqui. Já o registrei, mas ainda não o publiquei, ainda estou negociando com as editoras de ficção científica aqui de São Paulo.

Pois bem, aqui vou publicar três pequenos textos que falam sobre a obra, sobre as influências, a estrutura e o estilo literário.

Como pretendo pública-lo e espero que seja logo, peço que aqueles que se interessarem agüardem pacientemente. Obrigado.

Estrutura Literária:

A obra “A Carta Coringa” trata de um mundo pós-apocalíptico contendo diversas civilizações bizarras munidas de personagens insanos competindo em um pequeno território que sobrou do planeta Terra, a história se passa em um cenário sombrio em que seus personagens vivem sob o extremo da luta pela sobrevivência, tal como o estado de natureza de T. Hobbes: “O homem é o lobo do próprio homem”. Outro fator relevante são as relações entre ato e conseqüência, cada pequeno erro cometido pelas civilizações repercutirá em grandes erros no futuro que degenerarão o futuro da humanidade, cada personagem lutará contra os seus próprios erros neste livro, ou seja, além de lutar pela sobrevivência física, em um mundo caótico, eles sofrerão tal como se fosse um tipo de limbo, em que pagarão pelos seus próprios pecados, sofrerão também um pesadelo interno e psicológico.

O desenvolvimento da história se passa na tentativa dos personagens e das civilizações em geral em superar as dificuldades impostas pela competição assídua e pela luta extrema pela sobrevivência, na maioria das vejas pela guerra ou pelo menos, pela morte de “frutas podres” e preservação dos “frutos sadios”. A dificuldade está em saber: quem são os “frutos sadios”?

A dominação deste pequeno território (que é na realidade, a cidade de Bagdá no Iraque, e isto têm uma explicação no livro) se dará através do único modo que a humanidade vê para distribuir um território de forma justa: pela guerra.
Porém, não somente a lei do mais forte prevalecerá, como também, a lei do mais apto (que na realidade é a “lei” correta dita por C. Darwin), ou seja, mais sagaz. O mundo de A Carta Coringa é um mundo que não possui valores, a não ser a obtenção de poder e força, tudo é permitido e nada é previsível. Se as diferentes civilizações do livro não se adaptarem a imprevisibilidade, elas se extinguirão e isso reflete no desenvolvimento da história do livro, ocorre a total eliminação de clichês do tipo mocinho contra vilões, a previsibilidade de um final feliz, porém com os dados logicamente estruturalizados, o leitor além de se entreter com a história, ele deverá montar um quebra-cabeças de situações e idéias que repercutirão em um suspense e uma resolução imprevisível ao final do livro, por isso, também posso classificar este livro como Suspense.

O Experimento:

Outra característica importante neste livro e que a comprovei em uma pré-avaliação que fiz dele com um grupo de colegas jovens que não se interessam pela leitura e como conclusão eu consegui a façanha de fazer com que eles apreciem a literatura, pelo menos deste estilo de livro, devido a uma característica do livro, qual seja, a de atenuar a personalidade de cada personagem importante da história de forma complexa, originais, únicas e que realmente foram muito difícil de serem produzidas e são vários os personagens, fiz especialmente um estilo de personalidade para cada tipo de gosto ou pelo menos, uma boa parte dos estilos de gostos, em que tive como base os meus estudos em Filosofia da Mente e Psicologia. Cada jovem, em que fiz esta experiência, se identificou com um dos personagens e também com um tipo de civilização das várias que existem no livro e eles discutiam uns com os outros na tentativa de defender a sua preferência. O experimento também consistiu na criação de um jogo de RPG baseado na história de A Carta Coringa para um melhor entretenimento e entendimento com a literatura. Como sou professor, sei aplicar o método educativo unido ao pouco de entretenimento, além disto, este tipo de jogo, qual seja, RPG, é interessante porque é um jogo baseado em um livro e não em aparelhos eletrônicos e faz com que o jogador viva realmente um dos personagens usando somente a sua imaginação, ou como eles mesmos diziam: “RPG é um jogo psicológico.” e assim eles sentiam a pressão causada pela realidade do livro, e no final diziam: “É uma sensação gostosa, ter o poder em suas mãos, mas eu pessoalmente não agüentaria viver em um mundo como este”. E esta sensação é uma das principais mensagens do livro, o poder traz satisfação, mas grandes poderes trazem grandes responsabilidades e esta responsabilidade ou a falta dela pode mudar o futuro da humanidade. São somente poderes trazidos pela ciência avançada do livro, mas também pela política.

O livro A Carta Coringa apesar de haver algumas complexibilidades, ele não possui um estilo de leitura restrita ao público culto, ele possui uma linguagem razoavelmente fácil e uma leitura um tanto informal, tanto para agradar aqueles já acostumados com Ficção Científica quanto para agradar aqueles que não possuem muito gosto pela leitura, tentando fazer com que este livro sirva como um estimulante à literatura aos jovens, mas ele está aberto a todos os tipos de públicos, exceto o público infantil porque apresenta algumas cenas de violência e terror, mas de forma educacional, necessário para alertar a humanidade contra a banalização da própria violência no mundo real.

Estrutura da História:

O livro possui uma história fictícia de 2030, ano em que ocorre a Grande Guerra Nuclear que devasta a vida na Terra até 2230, ano em que inicia a história do livro, a história se desenvolve neste ano e cria-se um contexto final até meados de 2240.

O livro começa com um prólogo contando toda a história que repercutiu até chegar a este mundo pós-apocalítico, a história se inicia na guerra entre os Estados Unidos e o Iraque, ou seja, sob fatos reais até chegar ao mundo fictício de A Carta Coringa.

Tudo começou por causa da misantropia adquirida por apenas um indivíduo, qual seja, um indivíduo chamado Alexandre Cevit. Cevit não passava de um homem miserável que possuía os seus sonhos honestos, seu maior sonho era se tornar um bioquímico, um cientista, mas ele não possuía oportunidades, infelizmente, ele não conseguiu terminar seus estudos devido a sua situação sócio-econômica, se pudéssemos resumir o seu cotidiano com apenas uma palavra, esta palavra com certeza seria: violência. Cevit era um indivíduo amargurado e frustrado com a sua situação, ele se considerava praticamente arrancado de sua liberdade de poder viver conforme a sua vontade.

Mas apesar de tudo, Cevit era um indivíduo muito inteligente, porém, sofrimento e inteligência pode ser uma combinação perigosa. Cevit se tornou traficante de drogas sintéticas produzidas por ele mesmo, ele optou pelo crime pela raiva que possuía do mundo, “já que o mundo não funciona em prol do Bem, então eu devo me filiar ao seu funcionamento correto”. Após isso, ele viu que tinha o “dom da morte”. Como ele não gostava de sua aparência, ele aprendeu a se disfarçar, além disto, como ele era uma pessoa sem muitos atrativos a sua presença era praticamente imperceptível, unindo isto mais a sua facilidade em criar drogas sintéticas, mais o seu ódio resguardado sobre a humanidade, Cevit se tornou um assassino profissional de primeira qualidade, o inacreditável é que finalmente, desta forma, Cevit se viu com muitas oportunidades de trabalho.

Após alguns anos, alguns mafiosos e algumas pessoas da alta sociedade o conheciam pelo apelido de “A Carta Coringa”, apelido dado a ele pelas suas várias faces e pela eficiência da execução limpa, Cevit usava narcóticos baseados em Potássio que não eram perceptíveis na necropsia. Seus clientes também o chamavam assim porque quando eles não tinham uma solução para enfrentar a concorrência do mercado ou política, então eles usavam a sua Carta Coringa que resolve qualquer situação no jogo.
Mas como o crime não compensa, Cevit foi pego pela polícia e em seu julgamento ele disse a célebre frase que se inicia o livro: “Mas que culpa eu tenho se a humanidade tende a se voltar contra as suas próprias criações?”

Com ajuda de excelentes advogados ele conseguiu ficar alguns anos detido em um hospício estadual. Após alguns anos, ao sair do hospício, Cevit se viu com recursos suficientes e uma porcentagem maior de misantropia para executar o seu maior sonho, em que ele mesmo dizia: “Meu maior sonho irá se realizar, mas que se tornará um pesadelo para aqueles que me criaram.”

Como para ele o maior mal do mundo era a violência, e a máxima da violência era representada através das guerras e do contraste na distribuição de renda, Cevit focou seus planos na guerra entre os Estados Unidos e o Iraque, primeiramente por ele considerar os Estados Unidos o maior criador de ódio na humanidade e por isso, ele deverá pagar pelos seus pecados. Cevit não queria ser um terrorista, ele queria se servir como um espelho, usando o mal da humanidade contra ela mesma.

Cevit armou um plano perfeito: criou um vírus mutante em laboratório derivado da Ébola, espalhou este vírus em vários aeroportos do mundo inteiro com o dinheiro que ainda tinha dos assassinatos contratados, que foram assegurados com um pequeno suborno dado aos juízes e para a polícia federal. Cevit escolheu estratégicamente os aeroportos que seriam infectados e os que não deveriam ser infectados, é claro, os países infectados pertenciam ao quadro de diplomacia norte-americana, incluindo o próprio Estados Unidos e os países não-infectados seriam aqueles que possuem diplomacia com o Iraque.

Isto serviu como motivo para elevar o ódio dos Estados Unidos. Incrivelmente, o plano de Cevit deu certo, os Estados Unidos acusou o Iraque de ter proliferado o vírus mutante, logo, criado em laboratório, o que dá ensejo aos Estados Unidos para acusar o Iraque de uso de armas químicas e biológicas, tais como já havia tentado tal acusação anteriormente.

A ideologia Iraquiana nunca permitiria uma ofensa deste nível e então se iniciou a Terceira Guerra Mundial, principalmente porque a ONU também foi infectada pelo vírus.

O Iraque se viu perdido por haver tantos inimigos, os Estados Unidos conseguiu explorar e dominar boa parte do território iraquiano, foi quando a resistência iraquiana lança as primeiras bombas nucleares, a Grande Guerra Nuclear havia iniciado.

A Grande Guerra Nuclear acabou com o planeta Terra, logo se iniciou um inverno nuclear global e todas as cidades que sobraram no mundo foram exterminadas pela radiação e pelo vírus mutante de Cevit, ele havia concluído seu sonho, porém estranhamente o único lugar na Terra que permaneceu sadio foi Bagdá.

Bagdá é uma ótima escolha simbólica porque representa os dois lados da moeda: o primeiro é o lado contemporâneo, é a terra dos Iraquianos, uma terra que vive em guerra contra os Estados Unidos e contra os Palestinos, sob uma visão geral é a terra do terrorismo e da violência e pelo lado bíblico, portanto, antigo, o outro lado da moeda, é a Terra Sagrada e segundo o Gênesis, a Mesopotâmia é também a localização do Jardim do Éden e tal como a lei de Ouroboros, que é uma lei mística e não-científica, o fim está ligado ao começo e vice-e-versa.

É claro, a ciência defende o africoncentrismo, quer dizer, a maior parte dos antropólogos biológicos, defendem a idéia de que foi na África que surgiu o homo sapiens, mas confesso que sou particularmente ateu e possuo predileção pela visão científica de mundo, MAS resolvi usar o início religioso, o mito do Jardim do Éden que faz parte das três maiores religiões do mundo como forma de despertar uma visão “holística” sob todos os tipos de pensamentos humanos que foram parar na história de A Carta Coringa e é claro, que também a religião comove a maioria da população humana e traz um maior significado aos termos usados como analogia no livro, enfim, o simbolismo religioso é certamente mais profundo.

Influências, Desenvolvimento e Pretensões da Obra:

“A Carta Coringa” foi uma das minhas primeiras grandes manifestações literárias junto a um outro livro que estou reescrevendo chamado “O Tempo Zero”. Eu considero a obra “A Carta Coringa” como uma das minhas maiores obras e a mais complexa por enquanto, mas a minha carreira esta apenas começando.

O tema desde livro é Ficção Científica, Suspense e Terror. Ficção Científica porque este livro trata de suposições científicas e tecnológicas baseadas na Ciência Contemporânea e seus últimos avanços.

Um dos meus Projetos de Pesquisa na Universidade Estadual de Londrina foi sobre Bioética, lendo livros tais como “O Futuro da Natureza Humana” de J. Habermas que me influenciaram no tratante aos estudos das conseqüências éticas que alguns avanços científicos podem trazer à humanidade, tais como a eugenia positiva, que Habermas trata neste livro e outras tecnologias, tais como engenharia genética, que estudei em divulgadores científicos tais como R. Dawkins e D. Dennett, computação quântica, nanotecnologia e inteligência artificial, estes últimos temas fizeram parte do tema principal de meu Trabalho de Conclusão de Curso, o título foi “O Modelo Funcionalista da Mente” em que leituras tais como “The Shadows of the Mind” de R. Penrose e “Minds and Machines” de H. Putnam também me influenciaram na construção desta obra e até mesmo meu orientador se serviu como uma influência para o livro, ele é um fanático por computadores e pelo futuro da inteligência artificial, um dos personagens deste livro, o líder dos Anti-biológicos chamado como Cain é praticamente uma homenagem a este professor que dizia: “Eu não vejo a hora de poder transformar meu corpo em uma máquina e a minha mente em um software.”

Ele dizia isto entusiasmado com os avanços da ciência norte-americana e inglesa, principalmente quanto a nanotecnologia da IBM, que promete vida longa e talvez eterna com nano-robôs que desaceleram o envelhecimento causado pelo oxigênio, pelos radicais livres e pela própria genética do corpo humano, além de sua sonhada era da Inteligência Artificial Forte, Forte porque é uma Inteligência Artificial de mesmo nível de inteligência humana, tal como I.A. fraca trata de toys A.I. programs que possuem Inteligência Artificial básica e que introduzi neste livro a I.A. extra-forte que supera a inteligência humana e quebra a barreira da Singularidade Tecnológica, que é uma teoria advinda de cientistas da computação e físicos norte-americanos que diz que a tecnologia chegará a tal nível que o avanço tecnológico ocorrerá a cada segundo, depois a cada milésimo até a cada nano-segundo, ou seja, tentando chegar ao limite inalcançável, porém aproximável, que é o zero, análoga a dinâmica de um Buraco Negro em Astrofísica, isto também possui influências em meu outro livro que estou reescrevendo, que o batizei de “O Tempo Zero”.

Suspense e Terror pelo estilo da obra. Confesso que sou viciado pelo estilo de Albert Camus e Stendhal, principalmente em “O Estrangeiro” e “O Vermelho e o Negro”. Os dois possuem uma coisa em comum, eles falam sobre as conseqüências das guerras. Eu defendo a idéia de que a realidade deve ser mostrada sem censuras, mostrar o que realmente resulta deste ou daquele tipo de ação e comportamento e demonstrar as suas conseqüências ao vivo e a cores, eu pessoalmente busco muito o sentimento neutro do cientista tal como escritor de ficção científica do que diz respeito aos fatos. Por isso, posso taxar este livro também como Terror, porque algumas cenas podem provocar medo e pavor ao leitor, sem querer buscar o exagero do sensacionalismo, porém querendo demonstrar nada mais do que a própria realidade das guerras e da violência urbana. Nada mais é do que uma tentativa de aproximar o leitor às conseqüências caóticas do comportamento destrutivo, tentando o levar a compreender os benefícios do comportamento construtivo.

Mas apesar disto, o livro como um todo não possui uma leitura pesada, o estilo de escrita também possui influência de algumas leituras consideradas juvenis, tais como histórias em quadrinhos da DC Comics e Marvel e livros de RPG, principalmente relativas ao cavaleiro negro, o Batman, ao qual prefiro a perspectiva de Alan Moore. O Batman é um herói humano sem habilidades sobrenaturais e mesmo assim conseguiu entrar e ganhar respeito da Liga da Justiça em que convive com personagens com habilidades absurdas tais como o Super-Homem, a Mulher-Maravilha, o Lanterna Verde e entre outros, e além disto porque estes super-heróis estão envolvidos em um contexto caótico, em que alienígenas e super-criaturas invadem a Terra constantemente e é necessária uma intervenção radical, sobrenatural e até mesmo “milagrosa” para salvar o mundo constantemente.

Mas ao olharmos para a situação de nosso Brasil atualmente acredito que estamos inseridos em uma realidade tão caótica quanto à realidade dos quadrinhos, se não tanto, estamos quase, mas não é necessário super-poderes ou bilhões de dólares como o Batman da DC Comics ou o Homem de Ferro (Ironman) da Marvel, a solução está na raiz da sociedade, qual seja, na educação e na cultura. Eu trabalho com isso, sou formado em Filosofia (Licenciatura) e esta é uma das minhas maiores preocupações.



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Última atualização em Ter, 26 de Agosto de 2008 10:39
 
Comentários (2)
  • Celina
    avatar
    Olha....eu confesso não me interessar muito por esse tipo de leitura, mas como vc escreveu no começo, vc consegue com criatividade e muita inteligencia "prender" o leitor! Parabéns menino! Um grande beijo
  • Professora.eusi
    avatar
    Ufa!... Viu como advinhei? Eu sabia que você era o meu escritor/filósofo preferido. Continue publicando aqui e avise-me do lançamento do livro. Aaadore...:) Vou lhe contar meu segredo... Já tive alunos parecidos com você, mas não sei se viraram escritores. Fiquei um tempo fora do ar. Abandonei as aulas de sociologia. Acho que envelheci. Abraço bem forte. eus :grin
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