| Lágrimas de Prata - De Volta à Maginot |
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| Literatura - Contos - Policial |
Escrito por Brunno |
Ter, 09 de Setembro de 2008 18:30 |
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Liv estancou no lugar tentando decifras que barulho era aquele. Rapidamente os militares mais experientes começaram a gritar e ordenar que todos se escondessem. Boffey agarrou Liv pela cintura e a jogou sob a mesa de carvalho junto com outros.
O silvo foi ficando mais nítido a cada momento até que o chão tremeu sob a casa Thames. O prédio foi sacudido e pedaços do reboco do teto vieram abaixo, as janelas quebraram e as portas foram retiradas de seu esquadro. O que havia sobre as mesas foi derrubado e a máquina da estenografa saltou e caiu virada para baixo. O barulho da explosão foi ouvido longe dali. Logo que o primeiro homem foi até a janela ver o que havia acontecido, os militares o mandaram sair imediatamente. Por pouco a onda de choque não mata mais um civil inglês. Um arco de ar comprimido percorreu a sala e causou uma ventania, desarrumado tudo, derrubando cadeiras e quase virando a mesa em que se protegiam. As mulheres gritavam e os homens também. Liv agarrou-se ao pé de madeira do móvel e rezou para que aquilo acabasse. Cessado o primeiro impacto, os comandantes foram até um ponto seguro olhar o que havia atingido a cidade. Ao longe puderam divisar dezenas de construções em ruínas, restando somente cinzas, poeira e fogo. Um lençol creme de fumaça subia sólido e logo mais um silvo era ouvido. __Todos para o abrigo! - gritou um soldado. De Gaulle era escoltado e os demais que corressem para sobreviver. Havia um equivalente inglês para o bunker alemão nos porões da Thames. Enquanto corriam, os silvos ficavam mais numerosos e próximos. Os estrondos foram ficando freqüentes e os fugitivos tinham de descer três andares até o térreo e mais um lance longo de escada até a entrada fortificada do abrigo. Projetado há muito tempo, e não para um ataque anti-bombas, a escada tinha espaço para que uma pessoa descesse por vez. De Gaulle foi o primeiro a passar pela porta de acesso e desceu quase caindo. Liv ficou diante da entrada ajudando os demais enquanto as explosões eclodiam pela cidade. Pensou na Cúpula de Guerra e no maldito traidor. Boffey a empurrou para que descesse. Todos estavam dentro do abrigo quando a poderosa, mas escandalosa bomba alemã V-1, atingiu o prédio da Thames no flanco noroeste, eliminando a sala da Comissão, salão dos subalternos, sala de rádio e quase todas as dependências daquele lado. As V-1 pesavam 2.150 kg, viajavam a mais de 800 quilômetros por hora e tinham alcance de 240 quilômetros. Eram os primeiros mísseis balísticos da história. Impulsionadas por um motor à jato, eram uma grande obra do engenheiro de guerra alemão Peter Von Brown. Os fugitivos escoravam-se nas paredes do abrigo ou se abraçavam enquanto o som vindo de fora era aterrorizante. O ataque do dia dez durou duas horas reduzindo boa parte de Londres a escombros, fogo, morte, cheiro de pólvora seca e sangue. Havia uma estação de rádio dentro do abrigo que passou a emitir chiados depois de um tempo. Era o Comando do Estado Maior, também protegido na sede do Parlamento. Exigiam um relatório de danos e ninguém sabia se o pior havia acontecido: como estava a família real? Mesmo protegidos os homens e mulheres tiveram ferimentos leves. Quando saíram com dificuldade do abrigo, viram o estado deplorável do prédio da Thames. Liv tinha um corte do braço esquerdo e no canto da boca. Boffey tirou um lenço do bolso e deu a ela. __Senhores, temos de tirar as mulheres em segurança. Enquanto não ouvirmos o barulho das bombas estaremos relativamente bem. Havia um carro parado em frente ao prédio e acho que devemos seguir para onde está a Cúpula de Guerra. - disse De Gaulle, ao que foi atendido por todos. Era claro que nem todos poderiam ir ao mesmo tempo no carro, um Jaguar XJ 8 conversível, mas o quanto de pessoas tirassem das ruas era melhor. Ao todo eram quase trinta pessoas dentro do prédio, quando saíram do abrigo e puderam contar os sobreviventes, havia doze. As baixas civis na cidade foram incontáveis. Levados em turnos tendo um dos soldados como motorista, a maioria foi deixada à porta do Parlamento, cuja segurança era feita pela guarda de honra da rainha, aqueles soldados de chapéu preto e peludo. Os homens informaram ao general francês que haviam visto e ouvido as bombas caindo: grandes cilindros pretos cantando agudo passando pelas nuvens. O Parlamento não fora atingido e os homens estavam lá dentro. A Comissão de Guerra entrou e achou a Cúpula rangendo os dentes. Eisenhower gritava no rádio com alguém enquanto o Premier Winston Churchill dava ordens para que os bombardeiros B-29 usassem gás venenoso nos civis alemães, foi rapidamente demovido dessa rodem. Liv foi posta numa mesa com um rádio para que entrasse em contato com os ingleses na Normandia, se eles tinham documentos alemães era melhor que dissessem logo o que continham. __Mas como sabemos disso, general? - ela quis saber com De Gaulle, novamente impávido dentro de seu uniforme. __Ao que parece os americanos não são tão disciplinados como nós, senhorita - disse De Gaulle - o capitão da fragata na Normandia enviou uma segunda mensagem de rádio dizendo que havia soldados ingleses a bordo de seu navio e que o comandando do SAS pediu que não fosse identificado. __E onde entram documentos nessa história? - ela estava zonza. __ O capitão do navio disse que o inglês fez uma transmissão, dizendo para tomarmos cuidado com nossa retaguarda. Não tinham como saber, da Normandia que Pas-de-Calais estava desprotegida a menos que tivessem conseguido informações dessa natureza. - explicou o general, já sem paciência com ela. __Então os soldados do SAS estão vivos. Obtiveram documentos durante a invasão e esses documentos davam conta das posições dos aviões da Fleet Air Arm no Canal da Mancha... - conjecturou a morena. __Sim, mas todos já sabemos disso, senhorita Duncan, não é necessário que resuma a história. - e retirou-se para junto de seus pares, comandantes como ele. Liv ficou sentada de olhos cerrados a esmo e pensando. Se os alemães haviam obtido essas informações de dentro do centro mais seguro de Londres, o que mais poderiam estar sabendo? Se Frederic passou as posições dos aviões da Fleet Air, a caminho da Normandia naquele momento, o que mais ele pode ter passado? Levantou-se de um sobressalto e caminhou até a Cúpula. Os homens tentavam determinar quais danos o palácio de Sua Majestade havia sofrido. Como tirar a rainha e o rei do país rapidamente, ao que recusariam futuramente, preferindo, heroicamente, ficar em Londres durante os ataques. __General Eisenhower! - disse Liv com a voz de menina, rouca, mas firme. Os grandes e estrelados generais pararam o que faziam e olharam para baixo, ela se manteve ereta e de queixo para cima - Acho que as operações Anvil e Cobra devem ser deflagradas imediatamente! Um dos homens das armas, de óculos bifocais estreitos, olhou para os lados como se procurasse a origem daquilo ou mesmo a solução. Quem era essa menina, afinal? __A senhorita Liv Marie Duncan é Analista de Guerra, e uma sobrevivente de Ardenes, cavalheiros. Ela foi escolhida para esta sala pelo próprio De Gaulle, certo, general? - disse o comandante americano olhando seu colega francês, ele aquiesceu. __De onde a senhorita tirou essa idéia? - perguntou um deles - As operações Anvil e Cobra estão em fase de preparação. Nossos homens precisam das coordenadas para saber onde devem agir... __Prossiga, senhorita. - disse o americano de olhos pequenos, cortando seu oficial. __General Eisenhower, senhores, se aquele homem passou as informações sobre o Canal da Mancha, o que mais ele pode ter passado? Qual é o próximo passo mais importante que a tomada das praias da Normandia? Os homens pensaram por um tempo, mas foi o próprio Bouffey quem deu a deixa. __O avanço além da Normandia e a libertação de Paris! Anvil e Cobra, respectivamente! - voltou-se para De Gaulle - General, a senhorita tem razão. Se aquele pária passou informações sobre as posições das tropas em terras inglesas, o que pode tê-lo impedido de passar informações sobre Anvil e Cobra aos alemães. __Se passou essas informações... - pensou um dos generais-... Então os nazistas estão aguardando os pára-quedistas para daqui duas semanas. O melhor momento de avançar com toda força é agora! David Eisenhower estalou os dedos da mão direita pedindo o fone do rádio com rapidez. Passaria imediatamente uma mensagem a Roosevelt sugerindo a ordem para as duas operações que dariam continuidade na retomada francesa. "Arrasem esses alemães" foi o que disse o presidente. "Liguem-me com o Class Virginia" foi o que disse Eisenhower. O operador de rádio do navio ouviu e anotou a mensagem. Correu até o capitão e entregou o papel. O homem leu e repassou ordens para o operador de rádio que voltou às pressas para sua estação de trabalho. No campo de combate o homem da Easy Company que portava a pesada mochila nas costas, ouviu os estalidos e chamou seu sargento. O homem ouviu o que dizia o operador do Virginia e seis horas depois da reunião em Londres, o primeiro tanque Sherman guinou o canhão de 120mm em direção leste, para o sol nascente, para o interior da França. Do outro lado da praia, vendo o avanço americano e a correria dos alemães entrincheirados, os homens do SAS, reduzidos a dez, foram chamados pelo seu oficial comandante. De Bruce sentou com eles sobre os capacetes, acenderam seus cigarros e terminaram suas cervejas, doces cervejas trazidas pelos americanos. __Londres foi bombardeada. - a notícia causou o mesmo efeito neles, como se tivessem sido derrubados - Não sabemos a extensão dos danos, mas Cúpula e Comissão de Guerra continuam atuantes. Nós não recebemos ordens diretas, mas acho que devemos seguir os americanos. Os homens estavam animados pela vitória na praia, a notícia de que Londres estava em ruínas só os deu mais carga para guerra. Grills externou a posição de que concordava com o comandante, já que em não tendo recebido ordens diretas de Londres, não precisam seguir em frente. Os demais homens seguiram Grills. Era hora de por os nazistas pra correr mais uma vez. Iriam embarcar num B-29 americano e seriam jogados sobre a Linha Siegfried. Quando os homens quiseram saber onde era exatamente isso, De Bruce olhou para Demot e Gascoin e sorriu. __Vocês a conheceram como Linha Maginot. Cavalheiros, é hora da sua desforra! - apôs o pára-quedas nas costas e ordenou marcha. Tomariam parte na Operação Cobra. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Qua, 10 de Setembro de 2008 07:04 |

