
É Áureo, seu texto está me prendendo, como aquele aroma atraiu Mirela para dentro da tenda.
| O Sino De Vento - Capítulo II |
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| Literatura - Contos - Terror |
Escrito por Aureo_Lima |
Seg, 06 de Outubro de 2008 03:15 |
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Logo ao entrar na galeria, Mirela passou ao lado de um estande de produtos esotéricos. A vitrine decorada com seda - ou o que lhe parecia ser seda - vermelha, exibia brincos de pedras coloridas e caixas floridas de incenso. Pequenas estátuas de símbolos indianos com vários braços, misturando-se harmoniosamente com imagens de bruxas, fadas e duendes. Mirela parou imediatamente. Ela nunca foi de acreditar em deuses, espíritos, imagens e símbolos, além de achar toda essa "traquitana" de muito mal gosto. Sua formação católica foi posta de lado há anos, depois do terrível acidente que a separou de sua mãe quando ela mais precisava do amor materno. Depois disso, manteve uma distância segura de Deus, evitando uma revolta extrema que apenas iria causar-lhe mais dor. Apesar de tudo, algo chamou a sua atenção naquele cubículo enfeitado e ela não sabia exatamente o quê. Talvez o aroma doce e forte de incenso que saía do estande e entrava em suas narinas, provocando-lhe um leve comichão no nariz. Talvez o brilho das pedras dos enormes colares e brincos. Talvez ainda os sons suaves que invadiam seus ouvidos na forma de uma melodia, estranha, cintilante e familiar. Ela não sabia. Nem se deu conta de que Dionísio soltou-se de sua mão e sumiu no mar de gente que se apoderava dos corredores.
Com os olhos, ela percorreu a vitrine de uma ponta a outra. Mecanicamente, ela colocou os fios soltos de seus longos cabelos tingidos de ruivo atrás da orelha, enquanto olhava para cima e lia o nome do estande. "Tenda do Destino" dizia a placa de madeira entalhada. "Nome óbvio demais", ela diria sob outras circunstâncias e até acharia graça, caso não estivesse entorpecida por uma estranha sensação de leveza que a impedia de raciocinar com objetividade. Ela respirou fundo e deixou aquela suave brisa de aromas e sons lhe puxar lentamente para dentro da Tenda do Destino. E entrou. Seus olhos perdiam-se no colorido cintilante dos objetos, alguns pendurados, outros dispostos em réplicas de colunas romanas devidamente forradas com cetim - não era seda, ela agora percebeu - vermelho. Virou-se e fitou uma chama falsa de tecido também vermelho, bruxuleando com uma certa impaciência. Virou-se novamente e um tabuleiro cheio de bijouterias douradas brilhavam com o reflexo da chama vermelha. A estranha música estava mais alta dentro do estande Mirela ia girando ante o turbilhão de artefatos, que até então ela repudiava, num lento rodopiar, até ficar frente a frente com uma linda mulher com vestes ciganas. Mirela parou abruptamente e ficou paralizada por um momento, fitando os olhos daquela mulher que também lhe retribuía o olhar. Os belos olhos da cigana não paravam de fitar os seus. Um olhar que fez Mirela sentir um vazio angustiante dentro de si. O mesmo vazio que ela sentiu ao enterrar sua mãe, quando tinha onze anos de idade. Seus olhos marejaram no mesmo instante e a lembrança dolorosa a fez sair do transe em que se encontrava. (continua...) Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Ter, 07 de Outubro de 2008 10:29 |