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Lágrimas de Prata - O "SDECE" Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Policial

Escrito por Brunno
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Seg, 06 de Outubro de 2008 16:22
Mais uma viagem de avião. Gascoin estava se acostumando com o sacolejar da aeronave. Demot mantinha a cabeça baixa, era o único dos homens do SAS que, secretamente, preferia voltar a Paris e começar a viver de novo.

Além do coronel Grills e dos dois franceses, estavam Lions e Erney. Tinham, portanto, um atirador de elite, um invasor - Gascoin - e três artilheiros batedores. Embarcados no mesmo aeroplano da quinta companhia E de Nova Iorque, aguardavam o sinal para lançamento. Viram quando os primeiros soldados foram soltos sobre a ponte de Rermagen e estes deveriam pegar os nazistas de frente correndo pra casa.

O SAS saltaria junto com a quinta e décima sétima companhia de pára-quedistas da E. Os homens fumavam e conversavam dentro do avião.

__Soube que o pessoal das terceira e quarta companhias da E entraram em Okinawa! - disse Erney a um americano.

__Ouvi o mesmo! Cento e oitenta metros de área descampada com dois bunkers atirando em seqüência e um morro com sete andares de atiradores depois dos bunkers! - fez um sinal de negação - impossível passar por isso!

Erney discordou. Não era assim tão impossível passar por bunkers alemães, eles bem sabiam. O oficialato norte-americano recebia as ordens de Washington e Londres, da recém-criada base avançada de Oxfordshire. Ao que sabiam o presidente ainda dava ordens, mas era um homem doente e o vice-presidente Henry Truman tinha fama de esquentado.

Era abril de 1945. O piloto avisou que as notícias da agencia de imprensa de guerra davam conta de que os Aliados haviam tomado Nuremberg! Clamor e aplausos para os companheiros dentro da aeronave.

Sinal verde no teto. Grills fez sinal para que seus homens ficassem em posição atrás dos americanos. Espalmou a mão e baixou rapidamente, indicando o salto em profundidade.

Gascoin sorriu e girou o pescoço fazendo estalar os ossos. O homem de porta mandou que avançassem! Foram caindo todos em seqüência. Os americanos com seu estilo de salto seguro: prender os pára-quedas à correia no teto e saltar puxando o velame imediatamente.

O SAS se jogou e deixou o vento cortar os corpos dos homens atingindo duzentos quilômetros por hora rapidamente e vendo a devastada Berlim lá embaixo. A área de pouso seria a região de Lietchterfeld, sul do centro da cidade, do centro de comando e do Bunker do Fuhrer.

Chegaram ao solo minutos depois de alguns americanos começarem e marcha.

Se houvesse alguma coisa tocando dentro daquele prédio seriam tambores de execução. Mantendo a mesma cara fechada de sempre, usando seu uniforme completo, Adolf Hitler estava em pé em frente a sua janela assistindo ao inevitável.

Eram milhares de bolsas cinza descendo do céu. As poderosas Werhmacht e Gestapo nada mais poderiam fazer. Sentada na cama a senhorita Eva Brown também sabia que seus dias estavam contados.

O general Joseph Goebbles entrou do quarto sem bater à porta. Deu com o Fuhrer olhando hipnotizado para fora do quarto. O Bunker era ainda um lugar protegido, mas às quinze e trinta horas daquele dia o próprio general, segundo no comando da nação, dissera ao kaiser que qualquer tentativa de evasão da cidade estava fadada do fracasso.

Hitler não ouviu. Disse que tentaria deixar a cidade mesmo assim. Goebbles tomou a liberdade de apoiar a mão no ombro de Hitler, coisa que ele detestava, ele conduzi-lo para outra sala, que dava acesso às janelas do lado leste da construção.

Enquanto os americanos vinham de um lado, o exército do Kremlin vinha de outro. Não havia mais defesas a chamar, não havia mais soldados capazes de manter o centro de operações funcional.

Assim que a marcha aliada começou os primeiros homens foram saindo da casas e jogando suas armas aos pés dos invasores. Gascoin ficou ao lado de Demot e manteve o coronel Grills em seu campo de visão.

Caminhando em silêncio lado a lado, os homens do SAS estavam mais cumprindo um protocolo do que lutando efetivamente. Gascoin estranhou um soldado americano que acompanhava o grupo, um pouco adiantado. Bateu no ombro de Demot para lhe chamar atenção.

O rapaz estava tremendo como rifle Garand na mão. Mantinha o corpo arqueado e olhava para trás constantemente. Gascoin deixou a MVK pendendo ao lado do corpo e sacou a Webley.

Os americanos estranharam a quietude do local. A cidade parecia abandonada, totalmente deserta. Ninguém nas ruas, ou mesmo nas casas em que entravam. Tinham de cruzar a Schoneberg e seguir pela Kreuzberg até o centro.


Em Paris a bela morena foi recebida com cumprimentos e sorrisos por todos. Homens e mulheres estavam trabalhando há alguns meses. Liv imaginou porque não havia sido enviada de volta há mais tempo.

O local estava bem estruturado e funcional. Duas salas comunicadas por uma porta cheias de mesas, máquinas, telefones, rádios, gente indo e vindo. Mais uma sala ampla e outra adjacente também ampla.

De uma das salas maiores, um coronel jovem veio acompanhado de alguns assessores. Era alto e magro, de rosto branco e dentes amarelados. Tinha os olhos apertados e caídos dos lados. Caminhou até Liv e apresentou-se como André Dewavrin.

Mandou os rapazes continuarem o trabalho e pediu que Liv o acompanhasse por um passeio. Um garoto correu até o coronel e pediu colo, era seu filho. Ele carregou o pequeno e abriu a porta de uma das alas amplas.

__Aqui, senhorita Duncan, é onde irá trabalhar. - disse o homem, entrando e deixando o garoto sobre um sofá. A sala era arejada e clara. Toda acarpetada com sofás brancos, uma mesa grande e uma cadeira confortável. Havia um estante com livros, um fícus num vaso de canto e uma janela ampla com cortinas beges.

__O que é isto tudo? - perguntou Liv.

__Esta guerra está vencida, senhorita Duncan. - foi enfático - Não há grandes bolsões de resistência nazi-fascista e os japoneses estão acuados. Os russos pretendem declarar guerra contra a nação do Pacífico em breve. A conferência de Yalta está terminada e os termos finais acabam de chegar - o coronel entregou um relatório a ela. Liv leu rapidamente e era o que ela esperava.

__Estão dividindo o mundo. A França deve receber quantias astronômicas em dinheiro e deve escolher de que lado ficar. - concluiu rapidamente - Preparei os termos que deveriam ser apresentados pelo general De Gaulle ainda em Londres. Mas conhecendo o tratamento dele com os americanos, acho que teremos problemas.

O coronel a convidou a sentar atrás da mesa, ela o fez.

__Senhorita Duncan o General Charles de Gaulle está presidente por enquanto. Nós próximos meses o general Henri Giraud assumirá o cargo e a relação com os nossos parceiros americanos ficará bem melhor.

Ela franziu a sobrancelha. Quis saber de onde vinha aquela informação. O coronel sentou numa das cadeiras à frente dela e indicou o conteúdo de uma das gavetas. Era um contrato. Tinha o nome de Liv e alguns dados. O mais importante era o tempo, dez anos. Tratava-se de uma nomeação.

__Enquanto a senhorita fazia sua viagem de volta para casa o general Bouffey me passou essas ordens - ela lia o conteúdo - Se aceitar esse cargo, poderei lhe dizer de onde vem a informação.

Em Berlim o soldado americano continuava caminhando tenso. Alguns inimigos surgiram de uma rua lateral e logo as posições de tiro foram assumidas.

__Erney saia daí! - gritou Gascoin - Proteja-se conosco! Abram fogo!

Grills baixou sobre o joelho direito e sacou as duas pistolas Webley que levava em coldres dos lados da cintura e começou a atirar. Os inimigos se protegiam e mais soldados aliados fecharam a rua revidando os tiros parcos que vinham deles.

Logo aqueles homens foram controlados. Lions chamou seus amigos e disse para ficarem juntos, ainda não acreditava que seria simples entrar no forte de Hitler.

Continuaram a marcha cantando. Os americanos cantavam alguma coisa e caminhavam para o centro da cidade. Logo uma bandeira americana foi hasteada e levada por um deles. Eram os Aliados entrando em Berlim.

O SAS sorriu também e por um breve momento os homens sentiram confiança. O soldado tenso sorriu e começou a cantar. Gascoin manteve atento à retaguarda e à frente, podia acontecer alguma coisa há qualquer momento.

Aquele contrato era algo inesperado para ela. Bouffey havia dito que ela teria de admitir novas funções em Paris, mas aquilo não era nada do que imaginava.

__Isto... Será meu salário? - tinha as sobrancelhas arqueadas como se não acreditasse.

__Entendo que esteja preocupada com o quanto vai ganhar, senhorita Duncan, mas entenda: essa função não é para qualquer pessoa. Sabe com que tipo de coisa estará lidando? - tentou fazê-la entender.

Estava certa quando sentiu que teria de prestar muita atenção àquele general russo.

__Eu aceito. - disse firmemente. O coronel sorriu e disse que sabia que ela aceitaria, ainda mais depois do que ouvira de Bouffey. As instituições estavam novamente em pé. A ordem havia sido restabelecida e uma nova agencia havia sido criada.

__Senhorita Duncan, a partir de agora - pegou das mãos dela o documento assinado - É a Diretora da Divisão do Bloco Comunista do Leste Europeu da Agência de Inteligência da França. Somos o Serviço Externo de Documentação e Contra-Espionagem, ou SDECE. Seja bem vinda.

Ela cumprimentou o coronel ainda sem acreditar naquilo. O homem disse que não precisava começar tão cedo, ela poderia descansar num dos apartamentos do Serviço, em Poissy, e iniciar os trabalhos dentro de uma semana, afinal, tinha direito a umas férias.

__Vou pedir ao motorista que me deixe no apartamento no final do dia, coronel. Agora eu gostaria de me apresentar para a equipe e dizer o que quero fazer. - falou com toda firmeza que achou dentro da euforia que a dominava o ventre.

André chamou algumas pessoas que ficaram em pé aguardando ordens.

__Como Diretor Geral do SDECE quero lhe dar as boas vindas - o coronel foi saindo da sala - Não é preciso que se apresente, apenas diga o que quer. E boa sorte, diretora Duncan.

Dois rapazes e uma moça tinham pranchetas nas mãos esperando o que ela ia dizer.

__Quero um inventário completo de nossos soldados, em ordem alfabética de sobrenome que ainda estão em campo de batalha. Quero um perfil das patentes e das ações em que participaram, experiência de guerra, conhecimento de armas e mapas das cidades daqui até Moscou. Deixem em minha mesa os nomes dos chefes de polícia, dirigentes e generais das nações amigas e um café forte, por favor.

Antes que terminasse a frase os assessores já corriam. Estava fundado o Service de Documentation Extérieure et de Contre-Espionnage e aos vinte e poucos anos, Liv Duncan assumia o papel de diretora da "CIA" francesa, para o bloco comunista.



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Lágrimas de Prata - O "SDECE"
Seg, 06 de Outubro de 2008

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Última atualização em Ter, 07 de Outubro de 2008 12:09
 
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