
Legal. Gostei da amenizada no clima de tensão. Ficou muito bom. Até eu relaxei.
| O Sino De Vento - Capítulo VII |
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| Literatura - Contos - Terror |
Escrito por Aureo_Lima |
Sex, 10 de Outubro de 2008 05:54 |
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Dionísio despertou agitado. Havia acordado de um pesadelo que não tinha há anos. Com o corpo todo suado - não pelo pesadelo que tivera, mas pelo calor abafado do verão de São Paulo - ele ficou por um momento deitado, pensando no que acontecera no dia anterior. O comportamento esquisito e furioso de Mirela, apenas por causa de um maldito sino de vento. O modo como ela o empurrou, com uma força que ele desconhecia. Isso não fazia o menor sentido. Mirela era uma pessoa decidida e implicante, mas era delicada nos gestos e no trato com as pessoas. E o que ele testemunhou ontem não se parecia em nada com sua mulher.
Tanto era verdade que, logo após tomá-la em seus braços, Mirela tinha desabado a chorar. Abraçou-o com força, e ao pé de seu ouvido pediu perdão. Soluçando, disse que não sabia o que tinha acontecido com ela, que nunca mais iria fazer aquilo de novo, essas coisas. Dionísio acreditou em cada palavra. Não eram frases originias mas eram ditas com sinceridade, com arrependimento. Dionísio não apenas sabia disso mas "sentia" isso. Mirela tinha se transformado em algo que ele não compreendia. Mas ela voltou e, para ele, era o que importava. Ainda na cama, olhou para Mirela que dormia profundamente. Acariciou seus cabelos, beijou-lhe a testa e levantou-se, pensando na possibilidade de levá-la a um médico, caso o acontecimento se repetisse. Mirela acordou três horas depois de Dionísio, com o som do sino de vento invadindo seus sonhos. Tentou levantar-se mas desabou novamente na cama com um forte torcicolo. Mirela se lembrou vagamente de ontem e percebeu que havia abusado do seu pescoço. Além disso, uma pulsante dor de cabeça lhe apertava o cérebro em intervalos regulares. Ficou deitada por um momento, tentando lembrar-se da noite anterior. Lembrou-se da sua cabeça jogada para trás, fitando o teto e escolhendo um lugar para seu mimo musical. Lembrou-se também do Dionísio tentando sugerir outro lugar para instalar o objeto. Também se lembrou de estar ajoelhada num dos cantos da sala, chorando nos ombros de seu marido e pedindo perdão. Qualquer coisa que tivesse acontecido entre esses fatos ela não conseguia focalizar. As imagens apareciam em sua mente desfocadas, disformes, sem sentido. Ela não conseguia se lembrar de como pegou seu marido e, com apenas uma mão, jogou-o a mais de três metros de distância. Forçar a mente daquela maneira não estava ajudando em nada sua dor de cabeça, por isso, resolveu não pensar mais no assunto. Respirou fundo e permaneceu na cama tempo suficiente para sentir-se um pouco melhor. Quinze minutos depois, Mirela estava no banheiro tomando dois analgésicos de uma só vez. À tarde estava como Dionísio detestava. Quente como o inferno. Ele suava em bicas, mesmo estando apenas de bermuda. Mirela acordou com o pescoço duro, como era de se esperar, mas estava de bom humor. Comeram um lanche e conversaram trivialidades: presentes de Natal, a reunião familiar na casa dos pais de Dionísio, o vizinho adolescente que atropelou e matou o próprio cachorro, com o carro do pai. Dionísio não tocou uma vez sequer no incidente do dia anterior, esperando que Mirela dissesse algo. Mas ela nada comentou, o que o deixou preocupado. Ficou pensando se ela não tinha tido o que chamavam de "amnésia pós-traumática", mas não conseguiu se convencer de que o ocorrido tivesse sido tão "traumático" assim. Talvez ela apenas estivesse envergonhada com tudo o que havia acontecido por causa de uma bobagem. "Bom, eu é que não vou tocar no assunto e arriscar perder o bom humor dela" - ele pensou. Já no meio da noite, estavam os dois no sofá da sala assistindo a MTV e comendo batatas fritas. Estavam se divertindo com um antigo vídeo-clipe do Journey, "Separated Ways" e percebendo o que não notaram quando curtiam o mesmo vídeo durante a adolescência: o vídeo era horrível, tosco e muito engraçado. Eles riram até perder o fôlego vendo o tecladista tocando um teclado literalmente pregado na parede, ou quando o baterista, sem saber o que fazer com as mãos, ficava imitando um felino, com os dedos em forma de garras. Quando o clipe terminou e os risos diminuíram, Dionísio olhou nos olhos de Mirela, sorrindo. _ Que foi? - ela pergutou, também fitando Dionísio e um tanto sem graça. _ Você sabe que eu te amo, né? _ Saber, eu sei. Mas faz de conta que não. Me diz - ela disse, sentando em seu colo. _ Eu te amo - ele falou, fitando os olhos de Mirela e desviando o olhar para sua pequena boca sorridente. _ Eu também te amo - ela disse - mas isso também não é novidade para você. Dionísio desceu os olhos para o decote da camiseta regata de Mirela e falou: _ Tem razão. Então, o que acha de juntar o seu amor com o meu lá no quarto? Mirela mordeu os lábios. _ Hum...mas tem que me merecer antes, senhor! - ela falou, provocando-o. _ Ah, mas eu acho que mereço. Ô se mereço! - e apontou com os olhos para o canto da sala de jantar. Mirela olhou na mesma direção, curiosa. Um arrepio lhe tomou o corpo todo, junto com um sentimento de satisfação que invadiu todo o seu ser. Ela levantou-se do colo de Dionísio e caminhou até o local apontado por ele. Com o pescoço ainda dolorido, levantou a cabeça e viu o seu sino de vento. Pendurado no exato local que ela havia escolhido para ele. Uma sensação de êxtase, como ela nunca havia sentido antes, percorreu seu corpo, fazendo-a fechar os olhos e aproveitar ao máximo aquela maravilhosa sensação. Mirela virou-se e, sorrindo, olhou para Dionísio. Ele a olhava do sofá com o seu famoso sorriso "é, eu sou bom mesmo!" que ele sempre usava quando estava orgulhoso de si. Mirela sentiu um desejo fora do comum por aquele homem largado no sofá. Um calor intenso percorreu seu corpo e se alojou no meio de suas pernas. Ela foi rapidamente em direção a Dionísio, que trocou o sorriso por um ar de preocupação que não afetou a determinação de Mirela. _ Epa! Peraí! Cuidado com seu pesco... Dionísio não teve tempo de completar a frase. Mirela se jogou em seu colo e beijou-lhe com força, mordendo seus lábios. Ambos desabaram no sofá e o que seria feito no quarto, acabou sendo feito ali mesmo, no sofá, tendo como testemunhas apenas os móveis da sala e o seu mais novo integrante: o sino de vento. (continua...) Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Sex, 10 de Outubro de 2008 09:09 |