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O Sino De Vento - Capítulo XI Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Terror

Escrito por Aureo_Lima
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Ter, 14 de Outubro de 2008 11:06
Dionísio permaneceu sentado no corredor, chorando até recuperar-se de tudo o que havia acontecido. Olhou para a porta do banheiro, numa esperança infantil de que Mirela sairia do banheiro e, ao vê-lo naquele estado, iria consolá-lo e pedir desculpas. Seus pensamentos eram um turbilhão de emoções que ele não sabia como administrar. Estava perplexo com o comportamento de Mirela e tentava descobrir o que a fazia agir assim. Tentou se lembrar de algo que poderia ter feito a ela, ou quem sabe dito, mas nada justificava toda aquela fúria. Sentiu um instatnte de alívio, pois ele jamais se perdoaria caso fosse o culpado pelo sofrimento de sua querida mulher. “Se não sou eu, o que há afinal?” - ele se perguntava. Um pensamento terrível passou por sua cabeça: Mirela estava ficando louca. Ele não conseguia enxergar o motivo da loucura, mas via com certa clareza que sua esposa não estava bem. A triste conclusão ficou pairando na cabeça de Dionísio e, à medida que ele tomava consciência daquilo que pensava e na real possibilidade de estar certo, uma enorme tristeza invadiu seu coração. Imagens de sua amada Mirela em uma camisa de força, sendo levada de sua casa, lhe veio à mente. Ou então de sua querida mulher sentada em um canto de um quarto de hospício, com o olhar vazio, rabiscando a esmo a parede atrás de si, como no vídeoclip da música “Drive”, do “The Cars”.

Enquanto pensava nessas únicas referências que tinha sobre o assunto, lágrimas escorriam do rosto de Dionísio. Ele enxugou-as e decidiu que não deixaria isso acontecer com Mirela. Iria levá-la a um psicólogo ou psiquiatra - ele nunca sabia a diferença entre os dois - se fosse necessário. Faria tudo, literalmente, para ajudar Mirela. Se não fosse o suficiente, seu amor por ela bastaria. Tentou convencer-se de que era a melhor coisa a fazer. Enxugou as lágrimas e olhou para a porta do banheiro que não estava mais fechada. De uma fresta na porta, Dionísio viu Mirela espiando-o. Ao ser notada, ela fechou a porta novamente. Dionísio sentiu uma enorme vontade de bater na porta, chamar por Mirela, saber se está tudo bem, abraçá-la, beijá-la e confortá-la em seus braços, mas conteve-se. Decidiu que era melhor deixá-la sozinha, por enquanto. Temia que ela tivesse mais um acesso de fúria ao vê-lo. Então levantou-se, foi até a porta da sala e saiu, deixando sua mulher sozinha em casa.

Mirela voltou a sentar-se no vaso sanitário após ver, pela fresta da porta entreaberta, que Dionísio ainda estava no corredor. Sua cabeça latejava, resultado do vendaval de pensamentos cortantes que a retalharam, minutos atrás. Além disso, seu couro cabeludo também estava dolorido, pois fora posto à uma dura prova de resistência durante os vários puxões de cabelo que ela mesma lhe inflingira. Tentou lembrar-se dos últimos minutos e, ao contrário das imagens desfocadas da vez anterior, conseguiu se lembrar da piadinha infame de Dionísio, da melodia do sino de vento, das palavras de sua mãe foi deus chicoteando sua cabeça, dos insultos a Dionísio, do espelho caindo na pia após ela bater a porta na cara de seu marido. Olhou suas pernas cheias de sangue seco que escorrera de seu sexo. Em seu pé esquerdo jazia uma calcinha rasgada também manchada de sangue. Voltou seus pensamentos para Dionísio. Dois sentimentos distintos a deixavam confusa. Sentia uma enorme vontade de ir até ele, beijá-lo e abraçá-lo. Pedir desculpas - novamente - e voltar a amar e ser amada pelo seu marido. Mas ainda sentia um sentimento de repulsa por aquele homem, que diminuía a cada minuto, mas ainda estava lá, dentro de sua cabeça, de seu coração. Não sabia o motivo de tal sentimento ruim e isso a entristecia. Ela tinha consciência do amor que sentia por Dionísio e saber que ele estava logo ali, chorando por sua causa, a uma porta de distância dela, a impulsionava em querer estar com ele imediatamente. Pensando nisso, Mirela se deu conta de que o sentimento que a afastava de Dionísio se desfez por completo. A vontade de saber como estava seu querido marido a arrebatou de vez. Levantou-se do vaso sanitário com certo esforço, desfez-se da calcinha rasgada em seu pé e, com o coração disparado, abriu a porta. Imediatamente uma tristeza enorme e um dolorido sentimento de culpa a invadiu. Seus olhos marejaram ao ver o corredor vazio e descobrir que Dionísio não estava mais lá.

(continua...)



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O Sino De Vento - Capítulo XI
Ter, 14 de Outubro de 2008

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Última atualização em Ter, 14 de Outubro de 2008 13:57
 
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