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O Sino De Vento - Capítulo XXI Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Terror

Escrito por Aureo_Lima
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Ter, 21 de Outubro de 2008 16:29
Ricardo sentou-se rapidamente na cadeira quando ouviu o trinco da porta da sala estalar. Olhou para a mesa. Arregalou os olhos quando viu a tesoura e o fio que sobrou da pequena operação feita no objeto de Mirela. Deu um assoprão e o fio levantou vôo, indo cair embaixo da mesa. Palhaço, mesmo quando está sozinho, tentou fazer o mesmo com a tesoura, mas ela ignorou completamente seu forte assopro.

Dionísio entrou com Mirela sob seus ombros. Ela estava branca como giz e com o nariz e olhos vermelhos e úmidos.

Ricardo levantou-se rapidamente, querendo ajudar.

_ Caramba, Dio! Graças a Deus você achou ela! O que aconteceu afinal?

Dionísio estava abatido mas também estava feliz por ter encontrado sua mullher.

_ Está tudo bem, véio. Vou cuidar dela e já volto. Você espera?
_ Vai lá, na boa.

Ainda com Mirela nos braços, Dionísio foi em direção aos quartos. Mirela abraçou-o e pôde ver Ricardo se afastando, parado na sala. Conseguiu dar um rascunho de um sorriso e fazer um aceno para ele balançando os dedos, como nos desenhos animados.

Dionísio deu um bom banho quente em Mirela. Enxugou-a e vestiu-a com uma camiseta branca e uma calça de moleton azul. Mirela ajudou-o como pôde, mas também fez muita manha, não por querer aproveitar-se de Dionísio, mas por querer aproveitar aquele momento de carinho e cuidados de seu marido. Dionísio fazia tudo com muita delicadeza e paciência, sempre sorrindo para Mirela quando cruzavam olhares. Durante todo o tempo não trocaram uma só palavra. Foi como se tivessem combinado que palavras apenas estragariam o toque, sufocariam o som das suas respirações. Mirela olhava Dionísio com uma ternura e desejo que há muito tempo não sentia. Ela queria tê-lo ali, naquele momento, mas segurou seus desejos. Estava esgotada, dolorida e, mais que tudo, envergonhada. Dionísio tratou de suas mãos e colocou-a na cama. Deu-lhe um beijo carinhoso na boca e outro na testa.

_ Foi Deus que me fez te encontrar, gatinha. Agora vê se dorme um pouco, meu amor. Não esquece que eu te amo - ele disse, sempre com um sorriso no rosto.

Os olhos de Mirela brilharam. Ela não sabia como retribuir todo aquele amor e carinho. Não podia ter feito o que fez a ele nos últimos dias e não queria - Deus sabia que não - ter feito o que fez. Ela fungou e nada disse. Apenas o olhou com os olhos cheios d'água e esperou que ele pudesse lê-los. Ele sorriu novamente, deu uma piscada e um aceno de cabeça. Era tudo que Mirela podia querer como resposta. Dionísio apagou as luzes do quarto e fechou a porta. Mirela imediatamente começou a adormecer. Em sua cabeça pairava as frases de Dionísio – “não esquece que eu te amo... foi Deus que me fez te encontrar... foi Deus... foi Deus...”

Dois minutos mais tarde, Mirela dormia profundamente.

(continua...)



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Ter, 21 de Outubro de 2008

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Última atualização em Sex, 24 de Outubro de 2008 05:52
 
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