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O Sino De Vento - Epílogo Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Terror

Escrito por Aureo_Lima
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Seg, 27 de Outubro de 2008 02:33
Olhando o movimento da rua pela janela, Ricardo lembrou-se do sino de vento. Voltou até a sala de jantar e percebeu que o objeto não estava mais preso ao teto. Foi até junto da mesa, agachou-se e, embaixo dela, encontrou a pequena casinha de madeira partida ao meio. Viu o medalhão - que, sem precisar de vento algum, comandava o badalar dos carrilhões de metal - também no chão, mas um pouco mais longe. Teve uma breve curiosidade de pegá-lo e ver se a pintura da pequena casinha à frente de uma montanha, ainda mantinha a caprichosa imagem de Mirela, gravada dentro da minúscula janela escura. Mas o receio de ver a sombria pintura de Mirela gravada no medalhão o fez mudar de idéia.

Resolveu, então, procurar pelos carrilhões. Olhou os destroços do sino de vento e em todo o perímetro. Nada encontrou. Levantou-se e olhou em volta. Algo brilhou no tapete da sala de estar, junto ao sofá. Ricardo foi até o local e encontrou um deles. Pegou-o. Agachou-se em frente ao sofá e, embaixo dele, encontrou outro. Ainda agachado, varreu com os olhos o chão e o tapete da sala. Encontrou o terceiro bastão de metal próximo à janela, encoberto pela barra da cortina. Ricardo levantou-se e pegou o último carrilhão. Voltou à mesa, sentou-se e, com demasiado cuidado, colocou os carrilhões lado a lado sobre o móvel. Viu que eles ainda mantinham os cordões que, antes, os prendiam à estrutura de madeira do sino de vento.

O músico lembrou-se de quando retirou o quarto carrilhão do sino de vento, na intenção de agradar Mirela. Provavelmente, ela nunca iria perceber o que ele tinha feito, nem o motivo que a faria gostar do que ele fizera. Mas ele era músico e pensava como um. Tinha a esperança de que a mudança na melodia do sino fizesse Mirela gostar ainda mais do objeto e se identificasse com o som que ele produzisse. E esperava também que a retirada da nota excedente, quem sabe, trouxesse bons fluídos para ela e Dionísio.

Pensar em música e em Mirela alegre fez Ricardo sentir-se melhor. Pegou cada um dos carrilhões e colocou-os cuidadosamente de pé, na mesa de jantar. Cada um deles tinha um tamanho diferente e, por isso, tocava uma nota diferente. Ele pegou o bastão menor e separou-o. Do lado esquerdo dele, pôs o maior. O terceiro e último bastão, de tamanho intermediário, colocou à esquerda dos demais. Com cuidado, ele colocou os cordões de cada um deles entre o dedo indicador e o médio da sua mão esquerda. Pressionou firmemente os dedos e ergueu a mão, fazendo os bastões erguerem-se também numa fila que brilhava com a claridade que vinha da janela.

Com cuidado, ele enfiou a mão direita no bolso da calça e pegou as chaves do seu carro. Separou uma delas com os dedos. Olhou novamente para os carrilhões suspensos abaixo de sua mão e seus olhos marejaram. Então, com a ponta da chave ele tocou, da esquerda para a direita, cada um dos pequenos bastões de metal, como ele havia imaginado quando esperava notícias de Dionísio, naquele dia de chuva. A cada nota tocada, ele a dizia, baixinho:

MI - RÉ - LÁ

No toque da última nota, Ricardo sentiu uma aguda ponta lhe entrar pelas costelas. Os carrilhões caíram de sua mão. Ele começou a tossir e, numa golfada, sangue saiu de sua boca. Sentiu a ponta sair e entrar novamente, desta vez mais forte. Olhou para baixo e viu as lâminas de uma tesoura varar-lhe o peito. Ele desabou sem vida sobre a mesa. Não teve tempo sequer de ver Mirela atrás dele, com uma enorme tesoura nas mãos.


(Nota do autor: A todos aqueles que acompanharam este "pequeno" conto desde seu início e conseguiram chegar até aqui, meu sincero "muito obrigado". E espero que tenham gostado!)



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O Sino De Vento - Epílogo
Seg, 27 de Outubro de 2008

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Última atualização em Seg, 27 de Outubro de 2008 05:10
 
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