| O Monstrinho risonho |
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| Literatura Popular - Cordel |
Escrito por Janciron |
Sáb, 01 de Novembro de 2008 02:42 |
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Em um belo dia nasceu em uma tapera na beira estrada. Mais um pequeno infeliz, de uma prole desamparada. Com os olhos arregalados, e a cara suja de carvão. Seus irmãozinhos fitavam-no com grande preocupação. O pequenino chegava. Para dividir o espaço, e a minguada refeição. Sendo o mais novo da turma, passou a ser maltratado. Quando perdeu seus pais, ficou no mundo jogado. Enxotado e desprezado, pelos hipócritas da comunidade. Foi morar em canos de esgoto, no subsolo da grande cidade. Certa noite um bando de ratos, esfomeados e horríveis. Roeram seus lábios com gana, deixando seus dentes visíveis. Foi real e não um sonho. E lhe valeu o apelido, de monstrinho risonho. Quando tempo para chuva, começava a se voltar. Pelos becos escuros, ficava a perambular. Em uma noite chuvosa, no cemitério se refugiou. E como estava cansado, sobre um túmulo se deitou. Com as badaladas da meia noite. A tampa de um caixão se abriu. Desesperado e assustado, o menino suou frio. Inesperadamente, ao solo foi arremessado. E deparou-se com um vampiro, de olhos avermelhados. - Como ouça invadir meus domínios? - O vampiro lhe perguntou. E o menino gaguejando, e tremendo de medo murmurou. -E... Eu não pensei atrapalhar, só não queria me molhar. Mas se quiser eu vou embora, e procuro outro lugar. Quando pegou seus trapos, e pensou em se afastar. Com uma voz tenebrosa, ouviu o estranho falar. - Eu sou o príncipe das trevas. E desta vida miserável, agora vou te libertar. E a seguir um bafo quente, e uma fisgada no pescoço. - Não vou sugar todo este sangue, mesmo sendo um colosso. - Vou torná-lo meu servo, - pensou o vampiro sábio. Chegou a engolir saliva, e passar a mão nos lábios. Após levantar a capa, abriu a boca e bocejou. Transformou-se em morcego, bateu as asas e voou. Antes do alvorecer, ao cemitério retornou. Assim que chegou ao túmulo, ao garoto foi informar: - Saiba que de hoje em diante, só a mim tu servira. O menino acordou sonolento, e apalpou o ferimento. E pensando por um momento, achou por bem concordar. E uma bolsa com moedas, o vampiro lhe entregou. Deitou-se em seu caixão, e a seguir lhe explicou: - Por algum tempo a claridade, não poderá lhe afetar. Agora pegue este dinheiro, e compre tudo que precisar. A meia noite esteja aqui, e agora trate de se mandar. E menino apanhou a bolsa, que o vampiro lhe deu. Na primeira loja que entrou, um policial o prendeu. O levou para a delegacia, e o tratou como ladrão. Deu-lhe varias palmatórias, e o deixou sem um tostão. Depois de ter tanto dinheiro, voltou a saciar a fome. Com os restos de alimentos, espalhados pelo chão. A meia noite em ponto, ao cemitério retornou. E quando os sinos badalaram, o vampiro se levantou. Depois de olhar para o garoto, passou a lhe interrogar: - Porque não fizeste a compra, preciso lhe perguntar? Ordeno que me obedeça, conforme eu determinar. - Mestre, eu não tive malícia. Tentei comprar em uma loja. E o dono chamou a policia. Fui preso, e apanhei. E sem dinheiro fiquei. E o vampiro falou: - Eu tenho quinhentos anos. E aprendi tirar vantagens. Da ambição do ser humano. Você ainda é criança. Vera que muito em breve. Teremos nossa vingança. A seguir lascou para o canto, uma cusparada indecente. E voltou a morder o pescoço, do pequenino inocente. Depois que seu desejo de sangue saciou. Arreganhou os dentes sanguinolentos. E em morcego se transformou. Deu uma gargalhada estridente, bateu asas e voou. Antes que o dia clareasse, ao túmulo retornou. Despertou o menino que dormia, e outra bolsa lhe entregou. -Compre tudo que precisar. E a noite esteja aqui. -Voltou a recomendar. Depois de pegar a bolsa, o garoto se afastou. E em cada canto da cidade. Por precaução, uma porção de moedas enterrou. E já tremendo de fome, o pobre menino pensou: - Esta fome eu já não agüento. Preciso ir a um restaurante. E comprar algum alimento. Com a barriga roncando, em um comercio entrou. Quando em um banco se sentou, o proprietário o expulsou. - Eu pagarei em ouro, - foi o que argumentou. Ao ouvir a palavra ouro, o ganancioso se interessou. Refletiu por um momento, e seu tratamento mudou. - Onde esta seu dinheiro? - Curioso perguntou. E um pedaço de trapo, o menino desenrolou. Ao notar as moedas, o sovina falou: - Acompanhe-me meu filho, com prazer te servirei. Com o dinheiro que tu tem, será tratado como um rei. E saiu cantarolando: - Filhinho do meu coração. Agora vou lhe preparar uma suculenta refeição. E em um prato de angu, sonífero colocou. E com grande falsidade, ao inocente entregou. Acreditando na bondade, daquele velho ancião. O garotinho comeu, com apetite de Leão. Assim que pegou no sono. O salafrário ganancioso, seus bolsos vasculhou. E como era descarado, seu dinheiro surrupiou. Depois o enfiou num saco, e em um beco o atirou. Quando acordou dolorido, com a cabeça a latejar. Sentou tristonho em um canto, e começou matutar: - Não adianta eu reclamar, ninguém vai me acreditar. Mas passe o tempo que passar, um dia hei de me vingar. Desde então, começou o comentário nos arredores da cidade. Vaga por entre os becos, um monstrinho sorridente. Carrega moedas de ouro, e talvez seja um duende. Nenhuma alma imaginava uma criança solitária. Desprezada, pobre e carente. Temeroso o menino contou ao vampiro, o que havia sucedido. E o que o vampiro respondeu, o deixou bem comovido. - Para nossa satisfação, eu previa esta situação. Mas isto vai acabar, vamos para o meu castelo. A vingança vai começar. E numa bela carruagem, partiu do cemitério. Um menino mal vestido e sorridente. E bem vestido, um homem traquejado e sério. E toda à noite quando os sinos começam a badalar. O vampirão e o vampirinho se preparam para caçar. O vampirinho com suas moedas se tornou ótima isca. E feito piranhas no rio, logo vem um e belisca. Por volta da meia noite, ele ronda pela cidade. E é seguido pelos hipócritas, da falsa sociedade. Ele as atrai para um local ermo, seduzindo-as com seu tesouro. E o vampirão as aprisiona, e lhes arranca até o couro. Depois de sugar seu sangue, ele as joga em um fosso. Para alimentar os crocodilos, que lhes tritura até os ossos. E o monstrinho sorridente, se vê vingado, e ri com gosto. Misturando suas risadas, aos gritos desesperados. Daqueles gananciosos, que urram no calabouço. Ainda se ouve por aquelas bandas, o choramingar de almas penadas. E em noites tenebrosas, horripilantes gargalhadas... A vida é um jogo. E este vem de longa data. As forças de um mundo obscuro continuam a recrutar. Criaturas inocentes, injustiçadas e revoltadas. Para jogá-las contra a sociedade, hipócrita, gananciosa e desalmada. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Sáb, 01 de Novembro de 2008 10:40 |

