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A crise econômica mundial está amedrontando todo mundo, menos aqueles que a provocaram, os especuladores. Estes são garantidos pelo sistema, garantidos por doutrinas econômicas modernas. A crise atual está anunciada desde o momento, que ninguém sabe determinar exatamente, em que as normas do mercado permitiram o extrativismo. Lógico é que se, desde o inicio do Capitalismo, o extrativismo se desse da maneira como é atualmente, provocaria o nascimento de regras que impediriam o seu desenvolvimento. O extrativismo foi crescendo como um câncer, ninguém nota no início, e depois corre-se atrás do prejuízo. Disseram já que esta expressão não tem valor lingüístico, que é uma bobagem dizer "correr atrás do prejuízo". Quem isto pensa, deverá mudar o modo de entender a vida. Com a crise econômica atual o prejuízo estará sempre à frente de todas as artimanhas para pegá-lo no laço e o controlar. O prejuízo é crescente, os esforços são mirrados, embora insistentes. Corre-se para pegar o prejuízo e o controlar, mas, como o prejuízo estará sempre à frente, então, corre-se atrás do prejuízo. A crise econômica não nasceu do nada, estava prevista desde o momento em que houve o desequilíbrio entre os direitos do indivíduo e o do Estado, e subsequentemente veio o liberalismo dizer que o Estado não tem de controlar nada a não ser a si próprio. Deu no que deu. O extrativismo, capitalismo especulativo, não tem compromisso com o Estado, não tem compromisso com o indivíduo. Tem compromisso com o seu ganho e mantém lobistas para escrever loas ao capitalismo especulativo e a todos convencer que ele é o crescimento, é o progresso. É lógico que "camelô já vende algodão por veludo, porque neste mundo tem bobo pra tudo", mas isto sempre foi assim e sempre o será. O mundo é dos espertos... E é exatamente por isto que existem leis que controlam as relações entre os homens em sociedade. É que os espertos de hoje serão os bobos de amanhã. O desequilíbrio que se denuncia só pode ser explicado após se compreender o que vem a ser Economia Extrativista. É fácil perceber, é só pensar amazonicamente. A extração da madeira na Amazônia se faz desbragadamente, e que se Freud o mundo, não me chamo raimundo! Eu quero o meu, o resto que se dane! É assim o Capitalismo extrativista, aquele em que o indivíduo não tem maior valor do que o de onde tirar. O problema é que o capitalismo extrativista, cuja aplicação financeira no mercado é meramente especulativa, visando simplesmente o lucro crescente - que o meu cresça sempre e que o seu desapareça - desequilibrou a relação do homem com a sociedade em que vive. É simples perceber que se tenho um salário de 3.000 dinheiros e aplico 1000 dinheiros por mês em um financiamento de casa própria, se não houvesse nenhum aumento nem do meu salário, nem da prestação do financiamento,ao fim de pouco tempo, eu, nem você, nem ninguém daria conta de manter o compromissoe cairíamos na classificação de inadimplentes. Isto porque o salário de cada indivíduo é problema de cada indivíduo... Não é mais do Estado, mero subalterno do capitalismo especulativo. O empregador, tão logo apareça alguém que faça o seu serviço por menos, contrata-o, às custas de sua demissão, não se preocupa com suas dívidas, pagar salário menor aumenta o lucro, então você está demitido. Não há segurança de ganho para o indivíduo em um sistema capitalista extrativista, em que o especulador sempre ganha... e, se por acaso perder, o Governo garante a sua parte, e a repõe... O Governo, posta nenhuma! O Governo toma ao povo - aos indivíduos - o dinheiro a dar de volta aos especuladores, por meio de impostos e artimanhas mil, como inventar multas astrolábicas, desculpe, astronômicas com a lábia suficiente para as justificar. Vamos supor a Sociedade neste ponto fosse perfeita, o salário é garantido e se perder o emprego terá outro com ganho semelhante, de modo que se mantenha um equilíbrio entre as dividas/financiamentos que fez e sua capacidade de quitá-las. Ainda assim, há outro fator que não se leva em consideração na busca de equilíbrio entre ser financiado e a capacidade de quitar os financiamentos feitos. Diz-se sempre que "quem casa, quer casa" e se esquece de que "quem casa, filhos terá", e, assim, o salário garantido de 3.000 dinheiros por mês passará a ser divididoentre mais bocas. O problema de ter filhos é que eles crescem e filhos crescerem leva a aumento de gastos, desequilibrando a relação inicial entre o que se ganha e o valor da prestação. Ou seja, o financiamento de casa própria por um período longo é inexeqüível em qualquer país que tenha inflação ou que não a tenha, em que o ganho do indivíduo fique na base do "cada um é que se vire". Mas isto é feito no mundo todo! Sim, é feito, e tolos são os que acreditaram que o processo não leva à sua própria implosão, como agora ocorreu. A crise estava anunciada pelas regras de financiamento atuais. As autoridades competentes se pensarão competentes na hora de propor novas regras para a economia mundial, mas não atentarão para este detalhe: o capitalismo não pode ser extrativista. Quem quiser transformar 1.000 dinheiros, da noite para o dia, em 2.000 dinheiros, que arque com as conseqüências, faça o jogo, mas perca o seu. Perdeu, que perca sozinho e que seu prejuízo não seja democraticamente distribuído ao povo através de bulas governamentais. Bancos não quebram, simplesmente fecham-se para repassar o prejuízo aos que ali depositam seu dinheiro. Bancos fecham, mas banqueiros não perdem suas ilhas, seus iates, suas mordomias. Mas... Pensa-se que o capital especulativo não pode perder, pois, embora extrativo, leva ao crescimento do País onde está investido. Ledo engano! Não é crescimento, é mera inchação pontual no todo da sociedade, crescem uns e diminuem outros e o próximo a diminuir é o que cresceu... E isto leva ao indivíduo ter certeza da incerteza do futuro. Além do que a especulação causa inflação!
O problema é que a crise mundial assusta. Sim, assusta, mas assustam mais ainda as soluções que são dadas, por não se enxergar o cerne do problema. A riqueza de um país não é produzida por um pequeno grupo de especuladores, é produzida pelo trabalho de cada cidadão/indivíduo, e este trabalho é pago por salários de tantos dinheiros por mês. O extrativismo pouco se importa se eu perderei tudo que tenho: pode depois vender, por desbarate, o imóvel que me toma de volta se não consigo cumprir meus compromissos. Acontece que, se está previsto que não conseguirei, está previsto que meu imóvel será tomado. Não, cara, não é assim que funciona, falas bobagem como quem de nada entende! Uma parte perde o imóvel, mas uma parte consegue manter os compromissos e ter o seu imóvel! É isto esquecer o mecanismo das loterias: joga-se sempre com esperança de ganhar, mas com a certeza de que vai perder o dinheiro ali jogado. Todas as pessoas ao fazerem um financiamento têma esperança de poder cumprir seus compromissos até o fim, e, se tinham a certeza de que no final do prazo contratado serão donos de seu bem, a crise atual lhes demonstra que esta certeza não existe. Não existe simplesmente porque os direitos do especulador serão sempre respeitados. As soluções da crise não passam pela disponibilidade de créditos a quem quiser assinar financiamentos, isto é manter o status quo. É isto comprar a crise e não a afastar. Simplesmente porque as relações do Estado com o Capital precisam ser revistas. Simplesmente porque as regras de financiamento é que precisam ser revistas. Se eu faço um financiamento de um bem e a dado momento não posso cumprir meus compromissos, perco o bem e o que já investi nele. Ora, se quem me financia, tiver de me devolver com juros e correção o que apliquei, nenhum financiador terá coragem de provocar uma crise econômica mundial devido à inadimplência dos financiados. Que não se esqueça de que a crise atual iniciou com a inadimplência de compradores de imóveis financiados nos Estados Unidos. Os americanos compraram sua casa financiada e, de repente, todos começam a não conseguir quitar suas prestações. O que aconteceu? Apenas com o tempo o ganho de cada um diminuiu a ponto de ter de se tornar um caloteiro, já que é um impropério pensar que, por decreto-lei assinado, se fez a magia de milhares de seres financiados se tornaram imorais e deram as costas às suas responsabilidades. Um intruso oportuno: o capitalismo extrativista desinventou a telefonia no Brasil, mas por um passe de mágica todos pensam que ela ainda existe! A televisão com seu encantamento faz com que todos pensem que ela ainda existe, há mil maravilhas à venda... Contudo, as pessoas quase não se telefonam mais: dá a impressão de que funciona, pois o ganho das operadores existe. Em quanto tempo haverá quebradeira no setor? O capitalismo extrativista inventou um bum! de aumento no preço dos imóveis, economistas deram os argumentos necessários. Os preços dispararam como astronaves e os financiadores garantem os financiamentos. Parece que funciona, sim, a curto prazo funciona. E cria a longo prazo a crise imobiliária brasileira, os indivíduos financiados não conseguirão quitar suas prestações até o final contratado. Especuladores não podem ser financiados, cada um que jogue com seu dinheiro e ganhe ou perca, de acordo com as regras de todo jogo de azar. Agora os preços dos materiais de construção dispararam. Há relação com o aumento especulativo dos preços de imóveis? Pelo sim, pelo não, há: se você ganha muito com o material que lhe vendo, porque lhe vendo tão barato? Não há estudos nesta área, há fomentadores do fluxo para frente, lucro crescente, mas tudo que cresce sem parar, explode. E tem mais: em quantos anos o preço do imposto sobre o imóvel (IPTU) será reajustado pelo valor de mercado do imóvel e crescerá astronomicamente? Quá, quá,quá! Quem pagará o pato? O indivíduo.
Assim, embora soluções serão pensadas todas procurarão manter o status quo. O capitalismo extrativista, aquele em que procuro crescer, e me dão a impressão de que cresço, mas me podem tomar meu crescimento a qualquer prejuízo que tenham, dá estertores de agonia. Isto só será ruim em dependência das soluções que serão dadas à crise. Existe uma analogia não percebida entre o capitalismo extrativista, o especulativo, e as correntes em que, ao recebê-la, deve-se mandar 10 dinheiros para o primeiro da lista e a distribuir para dez outros indivíduos. O primeiro da lista, o dono, ganha quase tudo, alguns ganham um tiquim, e a maioria, os indivíduos, perdem. O problema é que
Os especuladores conseguem quem assine leis que os protejam, querem o nosso, nudez nada!
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