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Literatura - Poesias

Escrito por Silvio dos Anjos
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Seg, 17 de Novembro de 2008 06:23
Mesmo se as trevas turvarem teu caminho
e o teu brilho então esmaecer;
mesmo se as pedras tropeçarem os teus passos
e os pés descalços ensangüentarem, e doer
Se teus amigos virarem-lhes as costas
num gesto torpe de vil exclusão;
se diante de ti fecharem-se todas as portas
num movimento de explícita incompreensão
Os passarinhos calarem os seus cantos
voarem todos prá bem longe de ti;
a natureza perder o seu encanto
e então não terdes para onde ir
Olhe prá dentro no canto de tua alma
mesmo se negra e vazia ela estiver
encontrarás uma linda flor vermelha
de puro amor que poderás colher:
É a combustão da vida que nos teima
contra a lisura da morte que é voraz
e das entranhas da alma nos espreita
do outro lado dessa flor assaz
Sempre existe a última semente
na nossa alma ansiosa por fulgor
e nesse flanco, acredite, existe sempre
a força viva do nosso real valor
Mas se recusas revistar tuas entranhas
neste gesto de extrema ingratidão
não acharás essa força que é tamanha
é o combustível para o teu coração
O seu perfume é um suave entorpecente
que nos renova, nos transforma em crianças,
não abandona quem um dia sente
o olor suave de magia da esperança.



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Seg, 17 de Novembro de 2008

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Última atualização em Seg, 17 de Novembro de 2008 08:38
 
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