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Ricardo morava com os pais em uma casinha de três peças alugada e a muito era quem sustentava a família, pois seu pai estava desempregado e não fazia muita questão de procurar trabalho afinal poderia encontrar. Para piorar passava a maior parte do tempo em bares e vira e mexe chegava em casa bêbado e batia em Ricardo e em sua mãe. Em resumo sua vida era bem comum como a maioria dos garotos do subúrbio de uma capital.
A pesar de sofrido era um garoto forte e na medida do possível feliz, estudava a noite, era inteligente e o que o mantinha vivo era a esperança de um dia tirar a mãe daquele inferno.
Ao acordar aquela manhã Ricardo sabia que não seria um bom dia. Já no ônibus quando colocou o vale transporte na catraca a mesma o engole e não o deixa passar, o cobrador diz que ele não colocou nada e então começa a discussão. Por pouco ele não é jogado para fora do ônibus. Na empresa é acusado por uma secretária de perder um cheque o que quase lhe custa o emprego sendo que na realidade o cheque estava na gaveta de um gerente. Chega no colégio e encontra sua namorada entre beijos e abraços com um dos "mauricinhos" da classe. Um dia perfeito. Mas como desgraça pouca é bobagem o pior estava por vir. Ao chegar em casa tarde da noite encontra sua mãe caída atrás da porta em meio a uma possa de sangue já sem vida com os olhos abertos e a cabeça rachada. No outro canto esta seu pai debruçado na mesa em sua frente uma garrafa de cachaça quase vazia. Ricardo fica perplexo, sente suas pernas tremer, seu estômago começa a dar voltas e não querendo acreditar no que via começa a chamar pela mãe. Com as mãos trêmulas tenta levantá-la, mas ao tocar em seu corpo já frio percebe que ela não mais levantaria, que ele nunca mais ouviria sua voz, que tudo aquilo em que ele ainda acreditava havia morrido ali junto com ela, que sua vida dali para frente não mais existia. É quando escuta a voz do pai ainda bêbado que diz:
- Ah! É você. Essa vaca não queria fazer comida, disse que não tinha nada na dispensa. Mas eu sei que não tem nada porque essa vadia deve estar escondendo para o amante.
Foi então que Ricardo percebeu que mesmo tendo perdido a única pessoa que realmente se importava com ele, ele não havia derramado uma única lágrima e pela primeira vez em toda a sua vida ele sabia exatamente o que fazer. Levanta-se calmamente vai até o pai sem dizer uma palavra olha bem em seus olhos pega a garrafa que estava sobre a mesa e com um golpe violento parte a garrafa na cabeça do pai, que cai desmaiado. Sabia que não adiantaria chamar a polícia, pois eles como já fizeram várias vezes prenderiam seu pai, mas isto não traria sua mãe de volta. E após quinze anos de surras, xingamentos, humilhações não era esse tipo de castigo que seu pai merecia. Resolve então que chegara a hora de acertar as contas com ele. Coloca seu pai onde ele mais gostava de ficar, em uma poltrona em frente à TV preto e branco, coloca uma meia encharcada de urina na boca do pai e amarra. Arrasta sua mãe até a cama, lava seu rosto troca sua roupa senta ao seu lado e como que de seu peito brotassem espinhos diz:
- Não se preocupe mãe, ele nunca mais vai machucar ninguém e me perdoe por não ter conseguido te proteger. Obrigado por ter suportado todos estes anos de sofrimento. Não culpo a senhora por ter casado com ele, sei o que a senhora passou na casa do avô e sei que a senhora esta bem pois saiu do inferno para o céu. E como a senhora sempre dizia, sorria amanhã é outro dia.
Então ele levanta-se dá uma última olhada em sua mãe e com uma dor que o corroia por dentro fecha porta. Tranca a porta da frente com o guarda roupa, coloca água para ferver, caminha até o pai com um chinelo "havaianas" na mão, para enfrente a ele e começa a bater com toda força possível no rosto dele até que ele acorda. Ainda tonto com as bofetadas tenta falar e se engasga com a urina. Ricardo o agarra pelo cabelo puxa-o para traz olha-o nos olhos e com toda raiva e sofrimento acumulados nos seus quinze anos de sua vida diz:
- Daqui para frente você respira se eu mandar. - seu pai tenta resmungar e leva outra chinelada no rosto.- Não fui bem claro? - e sem resposta dá outra chinelada. Seu pai com o rosto já marcado pelas chineladas balança a cabeça desesperadamente positivamente.
- Bom! Acho que agora estamos nos entendendo. O que eu quero saber é muito simples, porque um filha-da-puta como você casa? Não, melhor por que você nasceu?
Como seu pai continuava amordaçado não podia responder então Ricardo pega um cabo de vassoura, levanta as calças do pai até o joelho e começa a bater em suas canelas a ponto de quebrar o cabo. Como que em transe Ricardo fala baixo quase sussurrando:
- Você viu o que você fez? Você acha que é barato uma vassoura. Sabe o quanto eu trabalho pra colocar comida, água, luz aqui? E o que você faz? Mata a única pessoa boa que eu conheço. - e com o pedaço que sobrou bate na cabeça de seu pai.
É então que Ricardo percebe que seu pai esta chorando, e resolve tirar a mordaça. O seu estado era grotesco devido a garrafada sua cabeça estava coberta de sangue, o rosto estava inchado devido as chineladas e suas canelas estavam quebradas. Vendo seu pai chorar pela primeira vez na vida, ele olha para ele e diz:
- Como alguém pode ser tão patético! Não é muito bom ficar do outro lado da história, não é?
O velho assustado tenta chamar por socorro e leva um soco no nariz.
- Faça isso de novo e eu corto sua língua. Eu juro.
Seu pai agora com o nariz quebrado, com gosto de sangue na boca e soluçando tenta se explicar:
- Foi um acidente, eu estava bêbado, cheguei em casa não tinha comida nas panelas ela começou a me chamar de vagabundo dizendo que eu só bebia que ia me deixar. Eu fui para cima dela e a empurrei ela bateu com a cabeça no fogão e ficou ali. Foi um acidente. Por favor, pare com isso.
- Pare com isso! Agora quer que eu pare, enquanto estava bêbado fazia o que queira, depois vinha pedir desculpas dizer que isso não ia mais acontecer, que você ia mudar e olhe o que você fez. Pois agora meu "chapa" você vai pagar por tudo o que fez. E uma coisa você me ensinou, pode até existir céu, mas o inferno é aqui. E hoje eu sou o diabo.
Seu pai em desespero vendo que Ricardo estava descontrolado começa a gritar de novo. Ricardo caminha até o fogão pega a água fervendo, seu pai começa a gritar desesperado pedindo pelo amor de Deus para que ele não fizesse aquilo, mas Ricardo só pensava em sua mãe então puxa a cabeça do pai para traz segura-a com o braço, tapa seu nariz e quando ele abre a boca derrama a água dentro, cozinhando sua boca. Devido a dor seu pai desmaia. Ricardo não se preocupava com os vizinhos, pois quando ele batia em sua mãe eles não vinham acudi-la. Mas como desta vez os gritos eram de homem e não de mulher como eles estavam acostumados foram até lá perguntar o que estava havendo. Primeiro chamaram e não obtendo resposta tentam abrir a porta e é ai que Ricardo grita:
- Se entrarem aqui eu mato esse filha-da-puta!
Dona Célia a vizinha mais antiga tenta dialogar com Ricardo, mas vendo que não teria jeito resolve chamar a polícia. Quando a polícia chega o pai de Ricardo já estava acordado e devido as queimaduras gemia muito. Após varias horas de negociação a polícia vendo que não teria acordo resolve invadir a casa de Ricardo. Percebendo o que aconteceria ele chega para seu pai com uma faca serrilhada na mão uma panela com álcool e diz:
- Você nunca mais vai por um filho no mundo.
Abre a calça do pai puxa seu pinto para fora e serra-o jogando dentro da panela e botando fogo. A polícia ouvindo os gritos de agonia do homem invade a casa e encontra Ricardo com as mãos ensangüentadas parado com a faca no pescoço do pai que não parava de gritar.
O rapaz com os olhos cheios de lágrimas encarando os policiais diz:
- Onde vocês estavam quando ele batia em mim, ou quando ele matou minha mãe.
E num gesto repentino levanta os dois braços gritando. Quase que instantaneamente é fuzilado caindo morto.
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