
Achei bom demais!
| O VELÓRIO |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por João Bravo |
Sáb, 06 de Dezembro de 2008 12:34 |
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Juca Padeiro, era o que se poderia chamar de homem bem sucedido.
Dono de uma padaria, também responsável pelo reparte em quase toda a cidade, ou seja, entregava também seu produto a muitos outros estabelecimentos menores, sempre as primeiras horas da manhã. Muito bem quisto por todos, também ocupava assento na câmara municipal, eleito vereador por diversas vezes. A dificuldade em conseguir mão de obra qualificada, ou mesmo, profissionais que se prontificassem a trabalhar muito,durante as madrugadas, ganhando pouquíssimo, obrigava-o a fazer do juiz da comarca, uma espécie de chefe de recursos humanos. Todos os condenados em liberdade condicional,que entendessem um pouco mais de pão que comê-los, tinham abrigo e trabalho garantidos na panificadora. De sorte que o reparte do Juca, tornara-se uma espécie de semi-aberto do trigo. Aquilo em nada preocupava aos clientes, afinal, afora um ou outro, que saia da linha com pequenos delitos, os demais, tudo o que faziam eram passar as madrugadas tirando fornadas e fornadas de pães, e durante o dia, bebendo cachaça até se entortar. Sem exceção, todos eram alcoólatras. Juca Padeiro, tentava de todas as formas impor alguma disciplina em seus funcionários no que dizia respeito ao álcool, pois se assim não o fizesse, eles bebiam até morrer. Típico de quem desiste da vida. Apesar das circunstâncias, Juca tratava a todos como filhos e eles, tratavam-se como irmãos e, a Juca como um pai. Numa destas, um dos funcionários já com a saúde precária e de certa idade, de tanto beber, é encontrado morto, caído em uma praça próxima. Levado a capela do hospital municipal como indigente, já quase final de noite, é posto em um caixão cedido pela prefeitura, e deixado fechado na capela mortuária. Um dos enfermeiros, também cliente da padaria, ao entrar na capela, reconhece o corpo e sem perder tempo comunica a Juca, que imediatamente reúne o pessoal, para dar-lhes ciência do triste fim de seu amigo. A comoção entre os irmãos de artigo foi grande, choravam lamentando a sorte do velho amigo. Juca então, decidiu que liberaria ao menos 3 ou 4 para ficarem com o falecido durante a madrugada, não deixando-o só, em sua derradeira e última partida. Enquanto Juca, já na condição de vereador, ligava ao responsável a fim de assegurar a entrega da chave para a entrada de seus funcionários á capela, os mesmos dirigiam-se para lá, não sem antes, passarem em um boteco encherem a cara, chorarem, comprarem mais algumas garrafas de pinga e cigarros e se irem. Já junto do finado, novamente choravam, tomavam um gole e amaldiçoavam suas vidas vazias, que por certo, lhes garantiriam o mesmo fim, outro gole, começaram a tentar recordar alguma passagem significante na vida do de cujos sem sucesso, outro gole... Assim de gole em gole,lamentavam a repentina partida do grande amigo. Lá pelas tantas resolveram que o defunto estava morto, mas ainda poderia ter alguma alegria. Acreditavam na crença dos antigos, que até as primeiras horas do óbito, as pessoas mesmo mortas, ainda poderiam ouvir e entender tudo á sua volta. Resolveram então interagir com o morto, como se ele ainda estivesse vivo, tudo é claro, regado a muita cachaça. Lá pelas 3 horas da manhã, já completamente bêbados, resolvem voltar a padaria, enquanto ainda existia algum entre eles capaz de achar o caminho. Apagaram a luz da capela, e vão embora. Neste meio tempo, o Juca liga para o hospital, e pede que alguém do plantão da madrugada, faça a gentileza de ver como estão as coisas na capela e, se seus funcionários estivessem lá, dissesse que voltassem para a padaria, pois pela manhã ele mesmo providenciaria o enterro. O enfermeiro chefe, pede a uma das enfermeiras que vá até a capela, e acaso não tivesse mais ninguém, que conferisse tudo e fechasse as portas, e se tivesse alguém, dissesse que seu patrão queria que retornassem ao trabalho.. Passado alguns minutos, como que em uma explosão, ecoam gritos pavorosos pelos corredores do hospital, fazendo com que até pacientes para lá corressem . A enfermeira entrara branca que era uma vela, aos berros, com seus olhos esbugalhados, sem nada conseguir dizer. Enquanto alguns colegas á socorriam, outros se dirigiam a capela, para onde ela apontava. Ao acenderem a luz, viram o cadáver sentado, com um cigarro acesso entre os dedos de uma mão, e a outra segurando firme uma garrafa de pinga á boca, que deixava escapar ainda, fios do liquido pelos seus cantos,em direção ao queixo. A visão era pavorosa. A enfermeira recomposta, após quase ter tido um colapso, passa mão em sua bolsa, e mesmo sendo ainda madrugada, se dirige a casa do vereador. Chegando lá, ao chamá-lo pelo interfone, é atendida da sacada do sobrado por Juca. -Isto é brincadeira que se faça hem vereador?!... Quase morri de susto!...Mandar seus pé-de-cana pregarem peça na gente trabalhando?!...Nunca mais em minha vida, eu ou minha família, votará no senhor!. – disse-lhe indo embora. Ele então, vendo-a se afastar,sem no entanto entender nada, liga para o hospital e se intera do assunto. Logo em seguida reúne os empregados: -Seus irresponsáveis, vocês sabem o quanto é difícil a pessoas aceitarem ex-presidiários, ainda vão aprontar, tiram o defunto do caixão, assustando pessoas trabalhando?!...O que vocês tem na cabeça? -Mas nós não fizemos nada! – responde um dos bêbuns, quando saímos de lá, ele tava mortinho da silva,dentro do caixão, nós nem chegamos muito perto. -Quer dizer então, que ele estava morto, ressuscitou, levantou do caixão, saiu comprou cachaça, cigarro, voltou sentou na cadeira, fumou e bebeu, e depois morreu de novo?! – Pergunta o Juca furioso. -Vai saber!... Prá morrer basta ta vivo,né chefe?!. – retrucou o bebum. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Dom, 07 de Dezembro de 2008 05:09 |