
Mais forte que Nabokov e sua Lolita pecando em pedofilia, quase cai em desgraça a masturbar-se em pensamentos libidinosos, a viajar em mesmo sangue, gozo pecaminoso.
Tirando a necessidade de releitura com o editor de texto, gostei.
| Mundo louco, ilógico, longínquo... |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por Russolini |
Sex, 12 de Dezembro de 2008 03:01 |
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... Não sabia ao certo o que era. Tamanha verossimilhança me levou à catarse. Olhei uma, duas, três vezes e, cada vez mais os meus olhos neblinavam incrédulos... Uma voz me chamou sereníssima, ao final do prelúdio e eu, sem reação alguma, mergulhei naquela fantasia.
Primeiramente, enxerguei tudo incolor, as figuras encontravam-se distorcidas e a palavras tornaram-se incompreensíveis, causando-me uma surrealidade digna de Dali.
Logo em seguida, os artefatos ganharam brilho, vidas à medida que ia me familiarizando com a situacionalidade daquele universo, as coisas passavam a ter sentido e as respostas surgiam espontaneamente. A voz aveludada, mais uma vez me chamava. Agora, além da voz, havia uns braços femininos, delicados e sedutores.
Dei a mão e, claudicante, fui levado ao esconderijo do saber. Muita água, em abundância, multicolorida e aromatizada. Pensei: “onde há água, há vida e, se há vida, também há desejos”. Mergulhei rápido, fundo, longínquo e à proporção que aprofundava mais e mais, prazeres eram apresentados a mim... Naqueles mares antes nunca navegados... Que sensação magnífica, e os atalhos então, surpreendentes. As alternâncias e nuanças, a dialética e os sons ritmados pela regência de Fréya.
Sinceramente, cada gole bebido daquela fonte, tornava-me forte e arrebatador; forte porque estava sendo nutrido de prazer e arrebatador, porque sabia que podia ir mais fundo, e fui sem saber viria depois... Estava tudo muito bom, muito louco, ora rápido, ora lento, no descontrole do pensamento, brisas ligeiras de vento... Entregue estava ao contentamento. Horas e horas afinco, febril, rijo, preponderantemente inteiro. Não sei até quando agüentaria aquela sincronia. Mas, tão logo veio à combustão e o que havia transformado em cores, escureceu, a voz suave uivava feito fera, minhas forças minguaram e meu ser explodiu em cogumelo tal qual Biquíni, no Pacífico. Nessa hora quis respirar sair do interior daquele aquactic world encantado, mais não, fui, mais uma vez, violentamente sugado e exaurido por completo. As mesmas águas, as mesmas ondas, o mesmo desejo, na mesma história utópica a qual imaginava todas as noites impreterivelmente.
O grito, o susto, intumescido, extasiado, pra falar a verdade, meio perturbado. Luz meio acesa, A via crucis do corpo, da Clarice, entreaberto, ao lado, Os Maias, do Eça, demarcado a lápis... Estava em rigidez, fui ao banheiro, água no rosto, as imagens indeléveis da madrugada, copo de água gelada e as reminiscências vivas e pulsantes... O gosto da maçã em minha boca, a imagem cristalizada sobre meu olhar perdido e confuso. Assim fiquei por um determinado tempo até pegar no sono, de novo e, de novo tentar esquecer aqueles romances fantasmagóricos e ilógicos que há anos conviviam comigo. Jamais poderia tê-la, o incesto é inaceitável, imperdoável e digno de sanção.
Decidi, por fim, não lecionar mais literatura, só gramática e interpretação de textos.
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| Última atualização em Sáb, 13 de Dezembro de 2008 03:53 |