
É muito bom! É excelente!
Melhor ainda seria, se eu tivesse lido na sexta-feira passada...
Parabéns!!!
| A luz Acesa |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por Firmibri |
Sáb, 13 de Dezembro de 2008 14:46 |
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Tudo que Sara queria era ficar quieta em casa e relaxar assistindo a um bom filme na televisão. Sabia da pressão de suas amigas, elas queriam sair e se divertir, mas cair na balada depois de um dia inteiro andando de um lado para o outro com pilhas de papéis nas mãos não atraía a moça. Aquela noite de sexta-feira seria apenas ela, George Clooney e um belo prato de miojo com ovo. Sentou, já de banho tomado e de prato na mão, ligou a televisão no exato momento que o filme começava. Cruzou as pernas, pondo o copão duplo de coca-cola entre elas e grudou os olhos na televisão enquanto sugava o fio de macarrão com aquele barulhinho característico.
O relógio marcava nove e meia da noite e a história tinha entrado no clímax quando ela ouviu a voz de Paula, uma das amigas baladeiras, chamando no portão. Sara se contorceu no sofá, embora fosse impossível vê-la da rua, mas praguejou contra a luz da sala acesa e pelas grades do muro. Paula não conseguia ver dentro da sala da mulher, mas via as luzes acesas. — Sara! – chamou outra vez a amiga. – Sai daí, mulher. Eu sei que tu já chegou. Vâmo pra balada. Porque não apagou a luz quando o filme começou? Era só nisso que ela conseguia pensar enquanto a amiga continuava a gritar seu nome pelas grades. São nesses momentos de desespero onde o cérebro deixa a desejar. Ela esgueirou-se pelo chão, alcançou o interruptor e no exato momento que Paula entoava um novo chamado, a luz da sala é apagada. Silêncio vindo da rua. Será que Paula viu as luzes sendo apagadas? Provavelmente não, pelo tom de voz, a amiga já estava alta antes mesmo de começar a aventura noturna da gangue. As imagens da televisão continuavam rolando, os créditos passavam e Sara tinha perdido o final do filme. Levantou do chão e caminhou até a cozinha com o prato sujo quando seu telefone celular lançou o toque escandaloso. Era Paula. Sara olhou pela fresta da cortina e viu a amiga parada olhando pela grade. Ela deve estar vendo a claridade da televisão, pensou a mulher desesperada. O segundo erro foi cometido: desligou a televisão e o telefone. Novo silêncio. Olhou novamente pela janela e Paula tinha ido embora. Foram apenas cinco minutos de tranqüilidade. Uma nova voz ecoou pela grade. Ela correu para a famigerada fresta na cortina e viu Paula junto com outras duas amigas. A que tinha gritado era Joyce. O telefone da casa começou a tocar. Sara afastou-se da janela pensando que teria sido menos trabalhoso ter atendido a amiga e dando uma desculpa esfarrapada. Contudo, não podia aparecer na cara de pau agora, seria taxada de mentirosa e péssima amiga, teria que continuar com a farsa. Terceiro erro: com a casa escura, a mulher esbarra num vaso derrubando-o. O som do objeto estilhaçando foi suficientemente alto para ser ouvido do lado de fora. Ela correu até a janela novamente e assustou-se com a expressão de pânico delas. Aquelas caras não eram nada boas. Uma vizinha, a Dona Neuza, apareceu em seu portão. Era uma mulher curiosa e deve ter sido atraída pelos chamados das três moças. — O que está acontecendo? – perguntou a simpática senhora. Sara conseguiu ouvir quando Paula disse baixinho para a mulher: — Acho que tem alguém seqüestrando a Sara. O coração da mulher parou. Como é que uma simples sexta-feira tranqüila havia se transformado num seqüestro? Continuou observando pela janela a vizinha intrometida mobilizar toda a rua. — A Sarinha está sob a mira de um assassino. – disse a senhora para um outro vizinho que aparecia no local. – Estamos achando que ele vai matar ela. A mulher sentou no chão da sala desesperada, o pior era que o tal vizinho tratava-se do Antônio Carlos, sargento da polícia militar. Quando Sara voltou para a janela e viu o homem falando ao telefone, sentiu o miojo dando voltas em seu estômago. A vaca tinha ido para o brejo. Foi questão de minutos até a rua estar tomada por viaturas da polícia. O telefone da casa recomeçou a tocar, pela maldita fresta ela via um homem fardado com um aparelho no ouvido. Seria o negociador? A rua foi interditada, as pessoas foram afastadas e retiradas de suas casas. Segundo notícias, havia um grupo de assassinos perigosos na casa da Sara. A moça conseguia ver suas três amigas chorando copiosamente enquanto eram amparadas pela equipe médica do corpo de bombeiros. — Gostaríamos de conversar! – Sara ouviu a voz de um homem. – Assim poderemos todos ir para a casa sem contratempos. Atenda ao telefone. Onze e meia. Pelas previsões da mulher, ela estaria dormindo àquela hora. A energia da casa tinha sido cortada há uma hora atrás. Todo o quarteirão estava sem energia por causa de uma simples luz acesa apagada na hora errada. Ela pensou que não demoraria muito até as equipes de televisão começar a chegar ao local. Andava de um lado para o outro no quarto tentando bolar um jeito de sair dessa situação. Lá fora... — Ele não vai sair. – disse o comandante da operação. – Já era para ter feito contato. – virou para um tenente com o uniforme da equipe tática. – Prepare os caras, a casa vai cair. As três amigas se desesperaram ao ver os soldados de preto se preparando para invadir a casa. Teria que ser uma ação rápida. O portão seria derrubado e o segundo grupo teria poucos segundos para quebrar a porta da frente. Os planos tinham sido traçados e as pessoas devidamente afastadas. Câmeras de celulares despontavam e uma equipe da televisão local já estava a postos. O portão foi derrubado e os homens espalharam-se pelo quintal da frente. Nenhum tiro fora disparado e isso podia ser um bom sinal. A porta da frente foi aberta e o grupo invadiu a casa checando cada cômodo a procura do meliante. Ouviram um choro vindo do quarto dos fundos, era um choro feminino. Eles correram até o local e encontraram Sara sentada encostada no armário chorando copiosamente. Ela levantou o rosto lavado pelas lágrimas e disse: — Eu só queria uma sexta-feira tranqüila... Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Seg, 15 de Dezembro de 2008 03:43 |