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A mão esquerda de Deus: o diário de um psicopata - CAPÍTULO 5 (EXTRA): PENTATEUCO Enviar por e-mail
Livros - Diversos

Escrito por arthurdantas
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Dom, 14 de Dezembro de 2008 09:35
Não contei tudo isso em vão, padre. Não vim aqui perder meu tempo e muito menos o seu. Mas toda estória tem começo, meio e fim. E é necessário justificar os meios para os fins poderem se explicar sozinhos. Perceba que até agora só contei partes de minha infância, de minha família, acho que tudo isso foi o que me tornou o que vou relatar daqui pra frente e se lembrar de outros motivos conto-os futuramente.

Sempre fui coitado, apanhava mesmo sem ter por que. Quando descobri o gosto verdadeiro da vingança tudo mudou de cor, como uma criança quando ganha o que tinha pedido ao Papai Noel de natal.

Minha vida agora começava a fazer sentido, como um amanhecer depois de uma noite chuvosa. Eu sofria, estava sofrendo, mas tinha um motivo pra isso. Jesus sofreu para salvar a todos, mas como não sou filho de Deus, assim, legitimo mesmo, sou porque todos nós somos, mas assim como Jesus foi eu não sou, então tinha que encontrar minha forma de salvar a todos. Como sempre soube que o mundo era dos mais fortes e quem não tem essa disposição toda pra enfrentar o mundo, como eu não tinha até dado momento, acaba sempre sofrendo, coitados. Então entendi que era essa minha missão, afinal de contas a gente tem que fazer aquilo que dá prazer e a vingança vinha me dando um prazer indescritível, mas naquela época não sabia que era vingança, fazia apenas por impulso. Deveria poupar os coitados como eu do sofrimento terreno, de terem as mãos e os olhos esmagados por aqueles que não estão nem aí pra nada. Entendi que deveria ser isso, pelo menos até eu pensar no que estava fazendo. Creio que talvez fosse uma desculpa vinda da necessidade de se justificar todos os nossos atos. Na verdade era mesmo. Todo mudo é assim porque eu teria que ser diferente. E já que isso é uma confissão por arrependimento, vou contar tudo sem mais mentiras, será verdade verdadeira agora.

E peço que me julgue apenas quando for pelos olhos de Deus. Não quero suas opiniões dispensáveis e volúveis tais quais as minhas. Por favor. Poupe-me de aborrecimentos com você.

E não me pesa também para contar-lhe apenas os pecados, sou analista e vou contar tudo, se não ficará tudo meia boca igual a penitência que me dará devido a sua preguiça de ouvir minha vida. Mas como sei que gosta disso, vou poupar minhas ameaças pra mais tarde quando elas forem realmente necessárias. Por enquanto vamos continuar até não aparecer ninguém para atrapalhar.



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Última atualização em Seg, 15 de Dezembro de 2008 11:26
 
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