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Toda porta guarda em si duas intenções: fechar e abrir; guardar e dispor. Porta que não fecha, ou não abre, contraria a idéia de sua própria existência, além de fazer muitos contrariados. Para assegurar o tal propósito, aporta-lhe a fechadura, cuja aptidão atende perfeitamente à necessidade. Por sua vez, toda fechadura pressupõe uma chave, que, conhecedora de seu íntimo, permita-lhe a força, essencial às suas funções.
Deste modo, considerando que a fechadura está para a porta, assim como a chave está para a fechadura, então, a verdadeira alma da porta repousa na chave. Ocorre que para dar vida à porta, a chave, como qualquer outra alma, há que nela esteja inserida. Para tanto, atravessa-lhe em fenda o buraco da fechadura.
O buraco, como toda fissura, dá à luz as entranhas, é um ente enigmático que inspira a imaginação e instiga a curiosidade. Ele é o protótipo da força que gera o conhecimento. O buraco desperta para as possibilidades, transcende o domínio e incita à aventura.
Assim, voltando para a porta, insurge-se o buraco da fechadura, contrário aos seus intentos. Logo ele, que lhe proporciona a razão de existir. Eis aqui o paradoxo.
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