
Interessante e muito bem escrito.
| O Pescador |
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| Literatura - Contos - Diversos |
Escrito por Firmibri |
Ter, 13 de Janeiro de 2009 12:35 |
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Todas as manhãs, Gabriel repetia os mesmos passos. Levantava ainda de madrugada, apanhava sua rede, sua vara de pescar, sua caixa de isopor contendo alguns pedaços de peixe que serviriam de iscas, uma garrafa de água e saia rumo à praia. A única companhia durante o curto caminho era um cachorro vira-latas que todos os dias insistia em segui-lo não importando quantas pedras fossem atiradas contra ele. Na praia, Gabriel sentava-se num tronco de coqueiro e remendava a rede castigada da pesca anterior, observando o mar e o sol que emergia no horizonte parecendo sair de dentro do oceano azul. Mal os primeiros raios começavam a esquentar o dia, o homem empurrava seu pequeno barco para a água, ligava o velho motor e ganhava a imensidão do mar, único lugar onde se sentia a vontade.
A pesca não estava boa, parecia que os peixes haviam fugido da região. Nas discussões de mercado, muitos atribuíam a falta de peixes ao efeito estufa, outros culpavam a poluição da região e consequentemente os turistas e alguns alegavam toda essa escassez ser fruto da pesca predatória realizada por pescadores amadores que infestavam as águas todos os finais de semana. Gabriel se mantinha alheio às discussões. Estava pescando muito menos do que antigamente, mas o pouco trazido em seu pequeno barco era o suficiente para sobreviver. Desde a morte de sua esposa, as coisas perderam o sentido e a pesca visando o lucro foi uma delas. O velho agora só pescava o suficiente para sobreviver e nada além. Naquela manhã enquanto realizava seu ritual matinal. Uma figura andava sozinha pela areia da praia. Ele reconheceu rapidamente a silhueta robusta de seu ex-aprendiz Roberto. — Caiu da cama filho? – perguntou Gabriel vendo a aproximação de Roberto. – Nunca foi de acordar cedo, nem nos tempos de moleque quando ficava no meu pé. — As coisas andam difíceis, mestre. – respondeu Roberto sentando ao lado de Gabriel. – Há cada vez menos peixes e eu não sei como vou pagar os empregados esse mês, vou ter que mandar a maioria embora. Ontem quando nós voltamos para a praia já passava das onze da noite e só conseguimos encher cinco caixas. Depois de mais de doze horas na água só cinco caixas! — Vai voltar hoje de novo? — Não, dei o dia de folga para os homens e aproveito para pensar em como e quem vai ter que sair. — Vai ter que se acostumar com isso. – Gabriel havia terminado de remendar a velha rede e se preparava para o mar. – Você deixou de ser pescador há muito tempo e agora é um homem de negócios. Despedir pessoas faz parte da sua vida. Meu conselho é quanto antes melhor. Roberto vendo a movimentação de Gabriel ficou intrigado. — Vai para o mar? — Eu não quero lucrar. – disse Gabriel colocando os pertences nas costas e indo para o barco sendo seguido por Roberto. – Ir para o mar a muito deixou de ser um trabalho, se tornou uma terapia. Lá eu esqueço um pouco da Edna. — Ainda dói, não é? Gabriel bateu com a mão direita no lado esquerdo do peito. Seus olhos estavam marejados e a voz havia engasgado. Aquela resposta foi suficiente para Roberto, o velho mestre ainda sofria. Ajudou Gabriel a empurrar o barco para o mar, como fazia nos tempos de menino, e ficou na areia olhando o velho partir para mais uma jornada. — Vá com Deus mestre! – desejou Roberto. — Antes só do que mal acompanhado! – retrucou o velho sem nem mesmo olhar para o homem na praia. Roberto riu da reposta do mestre e esperou até que Gabriel estivesse longe para seguir seu caminho. Sempre foi um homem admirado por toda a colônia de pescadores. Sujeito bondoso que não tinha problemas em tirar do próprio sustento para ajudar a quem precisasse, mas um único defeito, visto desta forma entre os amigos, dentre as muitas qualidades, era o fato de ser ateu. E não acreditava como também falava barbaridades de Deus. Edna, por anos tentou converter o marido, mas todas as tentativas foram em vão. Não existia ninguém no mundo capaz de fazer o velho mudar de idéia. Nas missas de domingo, aonde ia a contragosto para acompanhar a esposa, sempre arranjava um pretexto para discutir com Padre Olegário depois da missa o que levava algumas pessoas as gargalhadas devido ao conteúdo muitas vezes cômicos das discussões. Gabriel entrava na fila de saída apenas por pirraça, cumprimentava o padre e logo começava a atirar contra ele algumas de suas críticas. Por mais que a esposa pedisse, ele sempre tornava a fazer. Sempre teve uma pequena mágoa de Deus por não ter lhe dado um filho. Foi mestre de vários meninos que hoje ensinavam seus próprios filhos a pescar, mas ele nunca teria aquele prazer. A situação piorou quando Edna adoeceu. Vendo a esposa tão devota definhando aos poucos, Gabriel perdeu o pouco de fé que porventura ainda tinha e das discussões passou as ofensas. Momentos antes de morrer, Edna na esperança de resgatar o marido para a fé, o fez prometer que acenderia uma vela para ela todos os domingos e que assistiria a missa sem discutir com Olegário. Promessa cumprida mesmo depois de dez anos. Todo o domingo Gabriel ia à igreja, acendia uma vela para a esposa, sentava-se no último banco, assistia a missa e ia embora logo a seguir, calado. Não acredita em nada do que o padre falava e por muitas vezes acha uma perda de tempo, mas aquele foi o último pedido da esposa e ele cumpriria até o final da vida. O motor impulsionou o pequeno barco até a praia não passar de uma linha amarelada no horizonte. Gabriel ficou entre duas ilhotas, estendeu a rede e a atirou ao mar. De dentro da caixa de isopor, tirou um pedaço de peixe e o prendeu no anzol lançando-a na água. A vara era apenas para relaxar, tudo que fosse pescado com a vara seria devolvido. O trabalho seria com a rede. Pela posição do sol no céu, ele presumiu que deveriam ser por volta das dez da manhã. Nenhum barco havia passado por ele ou se aproximado, aquela era uma rota muito usada pelos pescadores e a calmaria lhe dizia que eles resolveram seguir o exemplo de Roberto e tirar o dia de folga. Era melhor daquele jeito. O barulho dos motores assustava os peixes. Gabriel estava recostado numa posição confortável no barco, segurando a vara com umas das mãos quando avistou ao longe contornando uma das ilhotas um ponto branco que logo se mostrou como sendo uma embarcação. Um pequeno barco a vela branco tripulado por uma única pessoa. O vento estava fraco, mas a embarcação avançava rápido. Gabriel se endireitou e ficou observando a aproximação do pequeno barco. Era no mínimo curiosa a situação, não se lembrava de ter visto turistas com veleiros ultimamente e mesmo que tivesse aquela não era um ponto muito procurado para a navegação. O veleiro se aproximou e finalmente emparelhou com o barco de Gabriel. Tratava-se de uma embarcação completamente branca, o casco, as cordas, a vela, até mesmo algumas peças metálicas e o navegador era um homem de aproximadamente quarenta anos. — Bom dia meu amigo. – disse o homem acenando. – Não teria por acaso um pouco de água? Esqueci como fazia calor nessa região. Gabriel abriu sua caixa de isopor e entregou a garrafa de água para o homem que a apanhou e bebeu com gosto um terço do conteúdo. Quando terminou, Gabriel reparou que o homem havia ficado sem graça pela quantidade bebida. — Eu realmente sinto muito. – disse o homem entregando a garrafa de volta a Gabriel. – Estava com muita sede e acabei tomando quase toda a sua água. Desculpe-me, por favor. — Não tem problema, eu quase não bebo, só está aqui para alguma emergência. – disse Gabriel. – Mas como é que um navegador esquece de trazer água? — Acho que foi a pressa com que eu saí. Mas se bem que eu ando meio esquecido ultimamente. Muito trabalho, a idade pesando, afinal eu não sou mais nenhum garoto. – o homem começou a rir. Uma risada que de certo modo trouxe paz a Gabriel. – E a pescaria anda boa? — Não muito. Para mim não faz muita diferença, eu não quero pescar toneladas, mas os grandes pesqueiros estão tendo prejuízos. A quem diga que demissões vão acontecer e se continuar desse jeito, nem mesmo os pequenos pescadores como eu terão o que pescar. — É uma pena. Realmente uma pena. – o homem pareceu abalado diante das dificuldades relatadas por Gabriel. – Vocês já sabem o motivo dessa escassez? — Todo o dia aparece alguém como uma teoria mais maluca do que a outra. – disse Gabriel. – Mas o motivo real, ninguém sabe. —É uma situação horrível, mas eu tenho certeza que logo tudo vai mudar. Meu amigo, muito obrigado pela água, agora eu preciso partir. O homem içou as velas e o barco começou a deslizar nas águas. Gabriel ficou olhando aquele estranho ir lentamente se afastando de seu barco pensado que em todos os anos como pescador, nunca havia visto ninguém navegar naquelas águas por diversão ainda mais abordar um pescador. Era muito estranho. O pequeno veleiro já tinha se afastado alguns metros quando o homem gritou: — Fique com Deus, meu amigo! A resposta de Gabriel foi quase instantânea: — Antes só do que mal acompanhado! O homem olhou para Gabriel com uma expressão séria, deu meia volta no veleiro e voltou para junto do barco do velho. Naquele momento, o pescador achou que tinha cometido um grande erro. Uma coisa era dizer aquilo para pessoas que já o conheciam e outra era dizer para estranhos. Ele olhou em volta e não viu ninguém. Se aquele estranho fosse algum tipo de fanático religioso e resolvesse mata-lo, não teria como escapar e provavelmente iriam pensar na vila que o pobre velho havia morrido na mar. — Pelo visto não crê em Deus. – disse o homem ao emparelhar novamente com o barco de Gabriel. — Cada um tem a sua maneira de pensar. – respondeu olhando dentro dos olhos do homem. Eram olhos azuis profundos que irradiavam uma aura diferente. — Concordo totalmente. O livre arbítrio. — Apenas a evolução da mente humana. – disse Gabriel num tom meio filosófico. – A medida que o homem foi evoluindo, foi tendo o discernimento de julgar o certo e o errado, no que acreditava e no que não acreditava. O livre arbítrio foi só um nome bonito inventado pelos homens para dar a Deus crédito sobre uma coisa da qual ele não é responsável. — Nossa! – o homem parecia espantado. – Me desculpe falar, mas para um pescador até que você sabe das coisas. — Ser humilde não significa ser burro. Sou pescador desde que nasci, terminei meus estudos e leio muito. Burrice seria parar no tempo e não acompanhar as mudanças. Muitas das crianças que eu ensinei, hoje trabalham com a pesca e a maioria não sabe escrever o próprio nome. — Tem toda a razão. – disse o homem batendo ao lado do barco de Gabriel. – A inteligência, uma dádiva de Deus. — Outro fruto da evolução humana. — Olhe em volta. – disse o homem. – O ar que se respira, as florestas, o mar, os animais. Alguém é o responsável por tudo isso. — Você só me dá exemplos da evolução natural das coisas. – retrucou Gabriel. – O planeta sofreu transformações ao longo de sua vida até chegar ao que é hoje. — Então você é do tipo científico? – perguntou o homem estendendo a mão para a garrafa de água. – Acredita naquilo que vê e no que lê. Não se contenta de que algumas coisas simplesmente não têm explicação. Como os milagres. — Milagres não existem. – disse Gabriel categoricamente. — Por quê? — Como assim? — Ora, você negou de forma tão certa a existência de milagres que eu quero saber a explicação. – disse o homem se servindo de um grande gole da garrafa. – Afinal quando uma pessoa se recupera de forma tão fantástica que nem mesmo os médicos conseguem explicar, isso não seria um milagre? Ou quando alguém sobrevive a algum acidente grave? E o nascimento? O que me diz do nascimento, por acaso é alguma obra da evolução? Gabriel ficou calado. — Existem coisas na vida que são obras de Deus. – continuou o homem. – Um Deus que ama a todos e que está olhando, zelando como um pai cuidadoso. — Um pai sai de casa para trabalhar e é assassinado deixando filhos e esposa. – disse Gabriel. – Um louco acha que deve purificar a humanidade e começa uma das maiores matanças da história. Uma mulher gentil e bondosa agonizando numa cama de hospital, sofrendo. – os olhos de Gabriel encheram de lágrimas ao dizer aquilo. – Onde está Deus nessa história? O homem abaixou a cabeça. Gabriel achou por um momento que a discussão havia acabado, porém se espantou quando ele ergueu a cabeça. O estranho estava chorando. — Meu filho, o mal está pela terra e o homem segue por vontade própria. – disse o homem. – Deus não pode interferir no livre arbítrio das pessoas. Elas têm a capacidade de discernir o certo do errado como você bem disse antes. O que resta a Deus é olhar por essas pessoas na esperança que eles se arrependam. — Passei dois meses ao lado da minha esposa num leito de hospital. – Gabriel não conseguiu conter as lágrimas. – Uma mulher devota que rezava todas as noites e que ia a igreja todos os domingos. Ajudava as pessoas no pouco tempo que tinha livre e como Deus a presenteou? Com um câncer. — Quem não vem por mim pelo amor, vem pela dor. – disse o homem. – Palavras do próprio. Gabriel não entendeu o que aquilo queria dizer. Os dois continuaram a conversa. Para cada argumento que o homem dizia a favor de Deus, Gabriel rebatia com um contra e vice-versa. A muito tempo o sol já havia se escondido no horizonte dando lugar a uma lua cheia que iluminava o mar. Sob as luzes de um velho lampião, os dois continuavam a tentar convencer um ao outro. O sol começava novamente a despontar no horizonte. Tanto Gabriel quanto o homem estavam acompanhando aquele espetáculo da natureza, mas dessa vez nenhum dos dois disse nada. Estavam cansados pela noite inteira em claro. O homem começou a se preparar para partir. Gabriel só observava. — Já me deparei com muitas pessoas teimosas. – disse o homem enquanto ajeitava o barco. – Mas você supera todas elas. — Não sou teimoso, apenas defendo o meu ponto de vista. — Gostaria de ter mais tempo. Nossa conversa foi muito boa, mas infelizmente eu preciso ir. Existem muitos outros assuntos que requerem a minha atenção. Foi um prazer conhecer você Gabriel e não vejo a hora de nos reencontrarmos. Até breve. Os dois selaram aquela longa discussão com um aperto de mão. Gabriel ficou observando o veleiro quando se deu conta de que o homem havia lhe chamado pelo nome, mas ele não se lembrava de ter dito seu nome. O veleiro foi se afastando do barco lentamente. — Como você sabe meu nome? – perguntou Gabriel antes que o veleiro se afastasse muito. — Porque eu lhe conheço. – respondeu o homem com um largo sorriso. – E eu já ia me esquecendo. Edna lhe agradece pelas velas e principalmente pelas missas. Pediu também para lhe dizer para não chorar mais e que vocês dois irão se reencontrar em breve. Gabriel não podia acreditar no que acabara de ouvir. Ninguém sabia das missas e das velas. Como aquele homem podia saber de tantas coisas? O veleiro foi ganhando velocidade à medida que ia se afastando do barco de Gabriel. Muitas perguntas tinham surgido e ele não tinha como fazer todas e por isso optou pela mais simples. — Qual é seu nome? – perguntou Gabriel. — Javé. – disse simplesmente. — E você se enganou novamente! Seu Deus não podia exigir que Edna passasse dor para segui-lo porque ela já seguia. — E quem disse que era ela quem ele queria para segui-lo? O barquinho branco foi deslizando pela água azul do mar até contornar uma das ilhotas e desaparecer da vista de Gabriel. O velho ficou ainda alguns minutos tentando digerir toda aquela conversa. Repassava na memória a conversa tentando achar o momento em que mencionava a tal promessa feita pela esposa, mas não conseguia se lembrar de ter dito qualquer coisa. Estava cansado, queria ir para casa o quanto antes e dormir. Quando ia ligar o motor do barco lembrou da rede que havia ficado toda a noite submersa. Inclinou-se para puxar e por mais força que fazia só conseguia tirar da água apenas alguns centímetros. Alguma coisa estava puxando a rede para baixo. Finalmente consegui trazê-la para dentro do barco e para sua surpresa, ela estava repleta de peixes. A muito tempo não tinha uma pesca tão produtiva quanto aquela. Acomodou o que podia no barquinho e devolveu os outros para o mar, ligou o motor e rumou para a praia. A viagem de volta levou quase o dobro do normal. Em alguns momentos, Gabriel achou que o velho motor não agüentaria o peso que impulsionava. Quando chegou a praia, uma multidão veio ao seu encontro. Eram pescadores preocupados que se preparavam para sair em sua procura, a maioria deles antigos aprendizes do velho pescador. — Por onde você andou mestre? – perguntou Roberto com o rosto lavado de lágrimas. – Passar a noite no mar com um barquinho pequeno como esse. Está louco? Poderia estar morto. — Mas não estou não é. – disse o velho enquanto pegava suas coisas de dentro do barco. – Ainda vai demorar muito para minha morte. Os pescadores olhavam incrédulos para a quantidade de peixe dentro do barco de Gabriel. — Eu peguei o que me é suficiente. Dividam essa parte com vocês. – disse o velho apontando para o restante de peixe no barco. — Aonde vai mestre? – perguntou Roberto preocupado. — Dormir meu rapaz. Vou para casa dormir. Gabriel atravessou a praia, subiu os degraus que separavam a praia da rua e foi lentamente se dirigindo para casa. No caminho era cumprimentado por várias pessoas e algumas exaltavam a Deus pelo fato de o velho ainda estar vivo depois de uma noite inteira passada no mar num barco pequeno. Em ocasiões normais ele dirigiria alguma palavra contra, mas estava muito cansado para retrucar, o máximo que fez foi erguer as mãos acenando e agradecendo a preocupação de todos. No caminho passou em frente à igreja e isso o fez lembrar de uma coisa que o homem havia dito e que o padre também já havia mencionado em um dos seus sermões. Entrou na igreja e viu Padre Olegário ajoelhado em frente ao altar. Aproximou-se e ficou parado ao lado do padre esperando que a prece acabasse. O padre vendo a figura de Gabriel parada do lado dele imaginou outra discussão sobre religião. — Depois de tantos anos, veio discutir de novo Gabriel? – perguntou o padre se apoiando num banco para se levantar. — Gostaria de lhe fazer uma pergunta. O que é Javé? O padre não esperava por uma pergunta daquelas, ainda mais vindo de Gabriel. Por um minuto achou que o velho estava fazendo alguma piada, entretanto suas suspeitas se dissiparam ao ver seus olhos. Estavam ávidos por uma resposta. — Javé é o nome de Deus. – disse o padre. A resposta foi como um tapa na cara de Gabriel. Largou as coisas que trazia consigo desde a praia e se ajoelhou diante de Padre Olegário que não sabia como agir de tão surpreso com a atitude. Gabriel chorava copiosamente. Olhava para o altar arrependido de tudo o que tinha dito ao longo de sua vida. Agarrou a mão do padre e disse as palavras que Olegário, em suas preces, sempre desejou ouvir da boca daquele homem: — Padre, daí me a benção porque pequei... Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Qua, 14 de Janeiro de 2009 05:17 |