
Fico feliz quando vejo um jovem talento.
Bom o seu trabalho.
| Carta do Futuro II - Alfred e a Morte |
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| Literatura - Contos - Ficção |
Escrito por Fábio Ribeiro |
Sáb, 28 de Março de 2009 00:47 |
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E lá estava a morte. Pude vê-la depois que minha visão se turvou quando caí no chão, num baque. Aparentemente tudo parecia estar acontecendo da forma como eu havia imaginado: não havia túnel, um espectro com uma foice e nem nenhum outro tipo de folclore que se aprende a acreditar em vida.
É lógico que tive medo. Eu sabia que morreria em pouco tempo, mas não esperava que fosse no dia do me aniversário. Eu estava velho, admito, e tinha tratado meu corpo muito mal. Aproveitei a vida como pude (expliquei essa história em outra carta) e mesmo que tomasse às vezes minhas cápsulas anti-morte, eu sabia que ali não era meu lugar. Você deve estar se perguntando como um velho de 193 anos poderia estar vivo com essa idade e ainda assim escrever uma carta depois de morto. Mas esse ainda não é o foco nesta carta. A verdade é que quando o vento frio da morte me atingiu naquele dia eu soube naquele exato momento que finalmente minha paz havia chegado. O engraçado é que algo que eu não esperava aconteceu: Eu consegui mudar muitas das minhas antigas opiniões quando a ciência comprovou e desmascarou mitos, mas em um lugar ela errou: A alma não morre com a morte do corpo, e os pensamentos não existem só onde existe um cérebro funcionando. Me vi renovado, lá estava eu com um novo tipo de raciocínio, totalmente desvinculado com o mundo em que vivi. O pensamentos não ocorriam em forma de palavras, mas em forma de sentimentos e foi somente assim que pude conversar com a morte. Pra quem esperava todas as respostas de todas as perguntas tive outra surpresa, a morte não me respondeu nada, apenas me explicou uma coisa: Eu voltaria a viver e as respostas para minhas indagações só poderiam ser respondidas na minha fase imortal, no momento em que eu estivesse morto para sempre, e não era a própria morte que me diria o que eu queria saber. No momento em que tive a vontade de perguntar a ela onde estava quem iria me responder tudo que eu queria saber daquele meu novo estado, abri os olhos. Ainda meio grogue pensava com sentimentos e lentamente voltei a usar meu cérebro da forma como era acostumado. Quando dei por mim, que estava ali de novo, velho e acabado, e que sabia que em pouco tempo morreria, quis esganar quem havia me trazido de volta. - Seu remédio anti-morte o salvou senhor Alfred. - disse a enfermeira daquele hospital meigamente, com o sorriso que havia aprendido a usar em cursos do hospital para deixar os pacientes melhores. Eu rispidamente peguei minha pasta e comecei a escrever as primeiras palavras desta carta. Só tinha uma semana de vida, e é óbvio que logo que saí do hospital já estava com todo o meu plano pronto de voltar no tempo, e viver seja lá como fosse no único lugar que gostaria de estar no meu aniversário. Entregarei ao público pessoalmente essa carta e então esse será o único jeito de saberem se consegui ou não realizar o que queria. Quem sabe no passado, do qual distante estou, eu consiga viver plenamente uma velhice feliz e morrer finalmente pra uma pós-vida sem fim. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Ter, 07 de Abril de 2009 07:44 |