| Bolsa de lembranças |
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| Literatura - Prosa Poética |
Escrito por aguidahettwer |
Qua, 24 de Junho de 2009 23:51 |
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Até que enfim, dar-me-ei o luxo de um curto e bom descanso, quebrei o ponteiro do relógio, guardei os compromissos na gaveta, adiei a sabatina, antecipei o feriado prolongado, para degustar a vida, com direito a sobremesa preferida.
Se existisse manual para arrumação de malas de viagem, seria a primeira a adotar a tese. Catequizando a memória para não esquecer os pertences, na previsão do tempo de um pequeno espaço. Empilhando emoções em cada peça de roupa, seguindo os rastros dos sapatos, deixados a esmo. Remexendo lembranças, guardadas na bolsa, escondo um pôr-do-sol em cada compartimento, num lugar longe de mim, carrego a varanda ensolarada de casa, os cânticos latidos dos meus cães. Em uma fração de segundos, transporto o mundo em minha volta, em um versículo lido para aquele dia. Na gravura dos sonhos, pintei riscos de esperança, curvei-me diante da natureza, sem acenar despedida, das muitas vidas constituídas. Vi-me, no pátio da infância, ansiosa, para o passeio promovido na escola, arrastando nas sacolas, cantigas de roda. Estendendo a toalha de renda para à hora da merenda, ofertando a vida oferenda, na permuta de ser feliz. Quiçá sair de mim, para não copiar-me outra vez nos mesmos erros. Os varais de minha existência balançam vestes lavadas, cheirando a capim-cidreira, colhido da horta nos fundos de casa. Traça os pés, em roteiro inédito, deleite merecido ao sol em gomos de bergamota. Enredam os anseios, em águas de calmaria, não culpo o vento por minhas pressas. Escolho envelhecer, nas linhas de minhas prosas, sem tirar férias de mim... Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : |
| Última atualização em Qui, 25 de Junho de 2009 19:22 |


