
| DEUS NA FILA DO SEGURO DESEMPREGO |
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| Crônicas - Crônicas |
Escrito por JCostaJr |
Dom, 07 de Fevereiro de 2010 13:34 |
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A vovó – a minha, a sua, finado leitor, enfim, a de todos – dizia que papel aceita tudo. Não sem razão. Disto já sabiam Irineu, Jerônimo, Agostinho, os mui doutos da Igreja Católica, e mais adiante, os monges copistas, e antes disso, os imperadores romanos. E, mais recentemente, os filósofos do século XIX, como Nietzsche, o sujeito bigodudo, sisudo, retraído e meio esquisitão como todo bom alemão, que meu amigo Lourenço Favari (pelo menos até o final do ano passado, definia como o frasista mais cara de pau da história da humanidade, no que data vênia, eu devo concordar com o Lora ipis is literis). Também os filósofos do século passado dentre os quais, Witt... (lá vem outro daqueles difíceis!) Espera aí finado leitor deixe-me recorrer ao pai dos burros moderno. Sim Mr. Google, help me. Ok. Começa com W. Bom, mas isto eu sabia. E depois temos um... Deixe-me ver, só um instantinho... Ah, sim! Aí está: Ludovico. Na verdade, Ludwig. Mais conhecido pelos botecos austríacos como Wittgenstein. Enfim, esse sujeito de nome difícil, cara de aloprado e dono de idéias mirabolantes como, por exemplo: a lógica tem um significado ético e religioso. Influenciado em princípio por Schopenhauer, tomou conhecimento das idéias de Tolstoi durante a primeira guerra mundial e, acreditem seu objetivo menos ambicioso era solucionar de vez o problema da filosofia. Por falar nisso, finado leitor, qual o problema da filosofia? Bem, a coisa vai por aí, eu mesmo, relés aprendiz de escriba, consumi laudas e mais laudas para dar vazão às minhas idéias que certamente fariam – se não fez – meu avô Atílio revirar na tumba. Há gente demais no mundo, eis a verdade; gente escrevendo demais, gente pensando demais. E isso, de certa forma, atrasa o progresso da humanidade porque aquilo que realmente vale a pena (não é o caso deste texto, evidentemente) se perde no todo do nada que se tornou a mente humana do século XX e que paulatinamente atingirá o seu ápice neste século XXI. Ou seja, todos nós seremos sarados e esbeltos estúpidos. Uma situação desesperadora, deprimente senão humilhante, em que o ser humano se tornou simplesmente um ser que produz e consome e que se acredita detentor de todos os direitos, e dono de verdades absolutas, que o fará certamente daqui algum tempo mandar Deus para a fila do seguro desemprego. Enfim, aqueles dentre estes que realmente escrevem e pensam são obrigados a pisar em ovos ou atravessar pântanos ou se desvencilhar de teias de aranha porque a democratização ao acesso aos meios de comunicação faz com que idéias que realmente interessam e signifiquem alguma coisa que mereça a atenção se percam ou, se sobrevivem, não ganham a repercussão devida e, dessa forma deixem de ser assimiladas seja pelos formadores de opinião pública ou pela própria. Afinal uma maneira eficiente de esconder alguém ou alguma coisa é misturá-la entre muitas outras de modo a dificultar sua identificação.
Finado leitor, eles não querem que pensemos. Por isso nos entorpecem com tantas formas de estímulo aos prazeres inúteis cada vez mais acessíveis a todos. Porque sabem que se não pensamos não agimos. E nossa inércia é o que eles precisam para se manter no poder e decidir sobre nossas vidas sem que nos apercebamos disto porque estamos entorpecidos pelos prazeres inúteis que eles nos oferecem todos os dias, a cada instante.
Fenômeno escabroso que também se verifica é o da mania em se listar pessoas com objetivo de estabelecer padrões outra praga da liberdade humana. A cada dia nos deparamos com listas de melhores do mundo. Seja lista de cães, livros, atletas, atrizes, cantores, músicas, filmes e jogadores de futebol. Toda semana sai uma. Até parece pesquisa eleitoral. Nem Nick Hornby que valorizou essa mania ridícula com o seu romance Alta Fidelidade agüenta mais. Quem organiza alguma coisa visa algum interesse senão vários. O primeiro, sem dúvida é estabelecer o seu poder sobre um determinado espaço, uma determinada célula da sociedade. O segundo é enriquecer-se à custa da boa fé e ignorância alheia. E as religiões são os melhores exemplos disso; os governos, outros. Uma sociedade livre só será possível quando a maioria das pessoas respeitarem-se umas às outras. E isso significa essencialmente não exceder aos seus direitos, compartilhar o seu conhecimento e as suas conquistas de ordem humana e espiritual. Não basta ter leis escritas e em vigência se estas não são respeitadas. A verdadeira lei é saber discernir o certo do errado. Não fazer ao outro o que não gostaríamos que nos fizessem. E o único tribunal infalível e que não pode ser enganado é o da consciência. É triste, muito triste mesmo, chegar ao final do primeiro decênio do século XXI com incomoda certeza de que este cenário ainda é apenas uma utopia. Entretanto, independentemente da má vontade e do egoísmo daqueles que estão tendo e desperdiçando a sua oportunidade o progresso é inevitável e alcançará a todos nós por mais que, movidos por nosso orgulho e egoísmo, resistamos a ele. Crie um banner deste artigo em outros sites Para criar um banner deste artigo em outro site, copie e cole o texto abaixo em sua página. Visualizar : ![]() |
| Última atualização em Dom, 07 de Fevereiro de 2010 13:57 |
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08/02/2010 - 14:22:04 |Registered| Cilas_Medi
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10/02/2010 - 20:15:52 |Registered| Monique_Lemes
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Quando leio seus escritos já sei de antemão que ficarei satisfeito. Concordo inteiramente com sua crônica e com sua pesquisa a respeito dos grandes "pensadores". Acho que existem muitos blefes por aí, mas no fundo penso que somos todos produtos descartáveis. Estamos apenas esperando a nossa hora chegar como dizia o nosso grande Raul Seixas. Parabéns, estrelei. Abraços
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18/02/2010 - 08:44:52 |Registered| Abreu
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24/02/2010 - 20:48:22 |Registered| tania_martins
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05/03/2010 - 10:13:48 |Registered| victortedeschi
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09/03/2010 - 16:25:31 |Registered| Pamaro
Como você disse bem, Deus nos deu o discernimento. Saibamos distinguir o bem do mal e, acima de tudo, respeitemos o direito alheio. Nosso direito acaba onde começa o de outro. Se todos agirem assim, já estarão atendendo grande parte dos designios do Criador, colaborando para o bem comum da Humanidade. Parabéns pela crônica. Abraços.






