Autores.com.br

EntrarCadastrar-se
A+ R A-
Enviado por: PauloLeandroValoto
PauloLeandroValoto

A musicalidade no poema. Introdução e parte 1.

Enviar por e-mail

Introdução:

Pergunta: O que é um poema?
Resposta: a poesia tem as suas raízes historicamente nas letras de acompanhamento de peças musicais e teatrais. A poesia no passado era cantada e declamada em praças publicas juntamente com os demais artistas que ali se apresentavam, principalmente até a Idade Média.


Assim como na musica, o ritmo e a musicalidade no poema são de uma importância fundamental mesmo sendo menosprezados e nem muito valorizadas nos momentos atuais pelos poetas da era atual.


Um poema é uma criação do poeta em forma de palavras escritas onde se precisa ter um roteiro, uma seqüência, um inicio, um meio e um fim para estar expresso o seu sentimento, sua emoção e, é claro, sua imaginação.


Com a evolução natural da raça humana, os meios de comunicação super atuantes, as informações mais rápidas, a linguagem da internet, a globalização, a informação com muita facilidade e as mudanças na fonética, nos deparamos com uma nova linguagem universal onde pouco se percebe a musicalidade em alguns versos de escritores e poetas de renomes e até de reconhecimento internacional.

Estes fatos fazem com que ‘os poemas’ fiquem desacreditados, empobrecidos e sem muito valor, pois, muitos estão escrevendo poemas e, diante disso, passa ser algo comum e trivial não necessariamente precisando de um artista por trás da obra para assim os criá-los.
Não se precisa de um artista para se criar um poema e nem tão pouco um individuo com um intelecto acima da média para se compor poemas.
O poema é fácil para escrever porque ele vem da alma, do fundo do coração. Vem de dentro. E por isso é fácil. Vou se mais objetivo: você põe pra fora o que tem dentro de você em forma de palavras, em forma de versos. Isso é um poema. Algo que sai de dentro da pessoa em um desabafo escrito por palavras tornando-se um poema construido por um ser humano em forma de poema.


Mas podemos melhorar suas palavras, os seus versos, o seu poema.


Poemas são obras simples, mas, precisam respeitar algumas regras e aqui o tema a musicalidade é fundamental.


A musicalidade em um poema está sendo menosprezada e ficando clara a expressão simples de se não precisar musicar os versos do poema e deixar que o leitor defina se é realmente um poema com uma sonoridade boa ou não. Quem define a qualidade do poema é o publico.

Mas isso é bom?
Ou não?
Posso rascunhar algo aqui no Word e chamá-lo de poema?
Serão assim os poemas do futuro?
Estamos prontos para entender poemas assim?
Seremos mais felizes lendo poemas assim?
Quantos livros de poesias estão ‘encalhados’ nas prateleiras das livrarias?
Muitos bons poetas com bons livros estão sendo editados todos os dias?
Há uma demanda enorme de consumidores das nossas poesias esperando nossos livros serem editados?
Por que as editoras não querem editar livros de poesias?
O que há com a poesia escrita pelos poetas brasileiros?
Por que as pessoas não lêem as poesias dos poetas brasileiros?
Como julgar um poema de um poeta lhe dizendo que ele precisa melhorar sua obra e ele se acha ‘o ultimo escritor’, após o apocalipse, lhe dizendo ser o melhor do planeta?
Cadê a humildade em reconhecer certos erros em algumas obras ao qual não agradam ao publico?
E qual é o publico que nos interessa?


Creio que precisamos rever o melhor para o futuro da poesia.


E por outro lado, aqui no Brasil, as academias de letras espalhadas pelo País estão pouco se lixando pelo conteúdo pragmático e intelectual dos poetas atuais e se preocupando mais em colocar pseudo-escritores nas ‘cadeiras acadêmicas’, elegendo os membros que lhes interessam politicamente e que estes ‘vulgos poetas e escritores’ venham somar artifícios de interesses financeiros, troca de favores, barganha de cargos públicos, apadrinhamento em questões sociais e sem se dar conta e nem se preocupar com o nível intelectual do acadêmico ao qual foi eleito e escolhido.
Isso gera um reflexo. Um reflexo da pobreza intelectual que assola o Brasil. Academias pobres culturalmente, com membros e obras pobres..., povo pobre e menos esclarecido culturalmente. E a soma disso é a pobreza intelectual da classe baixa e o conhecimento cultural pobre e desprezível para a população menos esclarecida e somente a tal cultura intelectual é restrita aos poucos com poder de comprar e/ou pagar por ela.


Mas tudo isso faz parte do nosso contexto, infelizmente.


Existe uma premissa no poema e é obvio ao cunho vernáculo para qualquer poeta em escrever e fazer-se a necessidade de se ter musicalidade no poema e assim torná-lo agradável ao leitor ou ao ouvido de quem está ouvindo o poema quando declamado.

Um poema é a expressão de sentimentos descrita em palavras e isso precisa vir e sair do fundo do coração, escrito com sentimentos, muita emoção, cheio de criatividade e muita imaginação. Admiramos e reverenciamos um bom poema, quando sentimos emoção, criatividade, imaginação e percebemos a musicalidade nas palavras escritas pelo poeta.


Há a necessidade de lirismo nos poemas para assim colocar os sentimentos como uma forma de expressar as emoções, os desejos, o conhecimento e o domínio do tema escolhido pelo poeta, demonstrando uma visão geral do que se propôs á escrever exposto e expresso nas linhas em forma de poema.


Um poema não tem uma regra definida como normas para se obedecer. Ele só precisa ter enredo, conteúdo, inicio, meio e fim. É como um filme ou como uma peça teatral. Isso tudo dito em poucas palavras e com muita criatividade e imaginação.


Um detalhe importantíssimo para se construir e escrever um poema:

Nunca escreva um poema para você. Escreva sempre para o leitor. Escreva sempre um poema para alguém. Poemas são feitos para doar, para dedicar, para expor seu talento, para expressar seu amar, seu carinho, seu sentimento, sua imaginação e, de novo, sua criatividade e imaginação.

Os poemas são inspirados em ‘Musas’ e ‘Musos’ ou em um contexto geral que você está vivendo e querendo dividir o momento atual com as pessoas, podendo ser um momento feliz, triste, melancólico, extraordinário, fúnebre, festivo, etc..., portanto, não é só para a sua ‘inspiração’ única e exclusiva que será encaminhado o seu poema.
Escreva seu poema para os outros gostarem de ler.
Escreva seu poema para o leitor.
Lembrando que a sua inspiração poderá agradar á mais de 200 milhões de Brasileiros, mesmo sabendo que nem todos são leitores, mas é um numero bem interessante para apreciar a sua obra. Então, escreva aquilo que o seu coração mandar, mas, escreva para o leitor. Escreva pensando em mim, que serei um dos seus leitores. Eu e uns milhares de leitores. Pense nisso. Não pense em seu ego, pense em ‘nós’.

Fim da introdução.

 

 

A musicalidade no poema: 1ª parte:


A musicalidade em um poema pode ser construída através das rimas e do compasso das palavras expressas no conteúdo do poema. Aqui se enquadra em muitos casos a metrificação dos versos para enriquecer a sonorização das palavras (Leia: “A métrica no poema e como metrificar os versos de um poema”, editado aqui no site em meu perfil).


Quando falamos em ‘sonorização’ é por que os sons é que fazem aparecer à musicalidade no poema.
Véu rima com céu, bom com dom, flor com amor, tal com mal, amar com beijar, ser com entender, etc.
O som é o instrumento fundamental no poema para se ter a musicalidade desejada. É o som que enriquece o poema e o permite ser agradável para quem o está lendo ou aos ouvidos de quem o está ouvindo-o quando declamado.
Vou repetir: o som é fundamental na musicalidade de um poema.


No momento que você estiver escrevendo e construindo seu poema, escreva-o em voz alta. Leia seu poema para você. Declame seu poema. Cante seu poema. Fale alto ao ler o seu poema. Cante seu poema em voz alta. Grite ao ler seu poema. Você precisa escutar ‘o som’ do seu poema e assim você ouvirá a musicalidade de seu poema.
Se você não perceber nenhuma musicalidade em seu poema, esqueça.
Ninguém irá perceber. Se você, sendo o autor da obra, não percebeu, crê que os outros também não perceberão.


Você pode construir o som com as rimas e a seqüência de uma linguagem escrita em linhas compassadas, escrevendo uma linha primeira, outra linha depois, outra em seguida, outra logo depois. Crie um ABAB com rimas bem elaboradas ou conforme você desejar:

AAA amar

BBB viver

AAA sonhar

BBB ser.


Evite linhas com versos longos. Procure manter uma métrica e uma seqüência de batidas das palavras. Sonetos tem 14 silabas poéticas e esse numero é ótimo, evite passar deste numero. Os mais apreciados são versos linhas de 8, 9, 10, 11 e 12 silabas poéticas. Estas sílabas poéticas são as ideais.


Caso você não saiba contar as silabas poética, considere a escrita gráfica, se-pa-ran-do / as / si-la- bas / em / um / ver-so / de / ou-tro (a-que-la, con-for-me vo-cê a-pren-deu na es-co-la).
Pois se você seguir sem uma métrica pausadamente nos versos, você, ao contrário terá uma linha com um verso de 12 silabas gráficas e um outro em seguida outro com 24, o dobro do anterior e aí não haverá um com-pa-sso entre um verso e o outro e muito menos se perceberá a mu-si-ca-li-da-de entre estes versos.
Você não precisará de uma régua medir seus versos, mas, você precisará de um compasso em seus versos para se ter a mu-si-ca-li-da-de de-se-ja-da.
Monte os versos de seu poema com calma e paciência. Se for preciso, corte uma palavra aqui, inclua outra ali. Modele seu poema. Lapide seu poema. Enriqueça seu poema. Faça de seu poema uma obra prima. Trate seu poema como um diamante cru e um diamante cru precisa ser lapidado.
Vai com calma. E preste bem atenção no ‘som’ nos versos de seu poema.


O som é o segredo da mu / si / ca / li / da / de de seu poema.


Mas nem todos os poemas precisam ter rimas para assim estar com a musicalidade desejada e a sonorização ideal. Alguns poemas, por exemplo, não se encaixam nesta regra seguindo á de rimas no poema para se ter musicalidade e uma sonorização agradável. Eles necessariamente não precisam estar com rimas para estarem com a musicalidade desejada.


Você pode construir poemas com uma musicalidade excelente e sem rimas.


Existe uma técnica muito interessante e muito bem utilizada por alguns grandes poetas para dar uma musicalidade ao poema sem rimas. Esta técnica é a repetição. A musicalidade surge então, de outra forma: repetindo-se os sons.


Veja bem: repetir os sons!
Novamente o ‘som’ em seu poema é fundamental.


Esta técnica é como você repetir um refrão de uma musica, mas, usando outras palavras para expressar todo o seu sentimento. Você muda as palavras, mas o conteúdo e a musicalidade do poema permanecem as mesmas.


Você pode construir poemas com uma musicalidade excelente e sem rimas.

Dentro das linhas do verso do seu poema você repete algumas palavras e muda outras com a mesma rima e a sonorização vai aparecendo automaticamente dando musicalidade ao poema.

Alguns autores utilizam a técnica de repetir as palavras com o mesmo som, tipo, dar com amar, som com dom, são com paixão, ser com viver, existir com permitir..., etc e assim, a sonorização das palavras cria uma musicalidade dentro do poema e é percebível de imediato quando lemos ou escutamos alguém declamar o poema.

É como você repetir um refrão de ‘sons’, com as mesmas tonalidades. Repetindo os sons das palavras dentro dos versos você terá a musicalidade de-se-ja-da em seus versos.

A pronuncia das palavras são idênticas para os ouvidos se tornando algo agradável este som quando apresentado no meio do conteúdo dos versos do poema.

Alguns poemas escritos desta forma demonstram uma uma técnica de extrema beleza nos versos, percebendo-se a musicalidade e um compasso nas linhas de cada verso.
Isso encata o leitor.
São versos criativos, de extrema beleza e com sons repetitivos e com uma musicalidade extraordinária. Eles são de uma beleza que encatam!
Percebemos nos versos o nivel do talento do poeta.

 

Fim da 1a parte.

Comments

O SOM É O SEGREDO DA MUSICALIDADE DE SEU POEMA!!!

PauloJose 18-06-2012 07:52 #15

Um texto compreensivo e muito bem escrito. Passarei depois à segunda parte dele. Meus aplausos. Estrelei 5* e favoritei.

Daniel_Bohrer 04-03-2011 06:57 #14

Oi, achei interessante uma boa parte do que foi exposto. Ou seja, "o poema vem da alma... o poema surgiu com a oralidade...",
mas quanto a musicalidade, aí é onde o bicho pega, porque com o modernismo a poesia alçou novos vôos e libertou-se dos grilhões canônicos. O maior poeta brasileiro, Carlos Drummond de Andrade (na minha concepção) não fazia uso deste artifício clássico na maioria de seus poemas e, mesmo assim, o que ele escrevia continha mais poesia do que muitos poemas rimados e metrificados. A concepção atual da poesia é tão abrangente que ficaria impossível caracterizá-la plenamente, ou mesmo dizer de sua feitura. Isto deixo para o literatos. Mas cito aqui um pequeno trecho de Massaud Moisés, em seu livro "A criação Literária - poesia"
"o que é poesia? ...Uma teoria do fenômeno poético que levasse em conta todas as propostas, ou as mais relevantes, correria o risco de tornar-se um monstro de mil cabeças. Inoperante, pois, tal procedimento, caberia reclamar a cooperação das teorias naquilo em que realmente pudessem ajudar no esclarecimento de algun recanto do problema. Por outro lado, nenhuma delas poderia ser adotada como absoluta, sem deixar em suspenso questões importantes."
por exemplo: O "eu" poético, o tempo, o enredo, o espaço, emoção e pensamento, a linguagem poética, o ritmo, a metáfora, enfim. Uma gama de recursos ou caracteristicas poéticas. E, ainda, o estilo poético pessoal de cada um e o contexto literário de sua época ou linha temporal poética.
obrigada pela excelente discussão!
abraço.

Gladys 21-06-2010 21:29 #13

Sábias e interessantes palavras. Um poema musicalizado traz até mais suavidade e sentimento.
Merece um prêmio! Estrelas mil.

Nayrib 22-04-2010 12:45 #12

Parabéns pela aula, Paulo! Muito clara e precisa. Aguardo a 2ª parte.

Pamaro 21-04-2010 17:50 #11

Paulo, estou maravilhada com a tua generosidade em dividir conosco tamanho conhecimento. Favoritei e vou reler sempre. Dez.

rackel 21-04-2010 08:45 #10

~Muito bom; É muito bem vindo informações que enriquecem nosso conhecimento. Abraços. Marlene

mvieiraa 15-04-2010 03:22 #9

Eu fiz alguma coisa que fez com que seu segundo comentario sumisse, não foi de proposito não. Apertei no botão de data e sumiu, não sei se guardou ou se apagou por engano... Espero que não tenha acontecido este ultimo.

Dinho 12-04-2010 12:40 #8

Você nos deus ótimas dicas. Isso nos enriquece e nos faz analisarmos nossos poemas antes de publicá-los. Valeu.

Juarez_do_Brasil 12-04-2010 07:49 #7

Oi...
Bom, eu gostei do artigo, mas (sei que deve saber disso)acredito que há certos poemas que não necessitam de métrica ou mesmo rimas para serem considerados poemas ou mesmo serem agradáveis de serem ouvidos ou lidos. Alguns poemas possuem uma musicalidade implicita em si (como Bob Dylan já disse, é necessessário cantar as palavras e, acredito que há casos em que as palavras são cantadas nos poemas mesmo sem possuir rimas, repetições ou qualquer métrica). Alberto Caeiro é um exemplo disso. Segundo o próprio - que tristeza é sofrer para compor um poema, trabalha-lo como se fosse uma jóia, o poema deve ser fluido da alma e não fruto de algum esforço ou resultado de algum suor, mas isso quem diz é um mestre, não é?! Eu, pobre mortal, não sou louco de afirmar o mesmo... Bom, mas isso é o que eu acho. Há poemas sim, lindos e que preenchem todos os queesitos mensionados no seu artigo, mas acredito que há aqueles que não precisam de nada do que ali foi escrito, mas consebe-los,com o disse é uma dádiva de mestres, coisa que também tenho certeza que deves tu saber.
Abraços...

Dinho 09-04-2010 13:19 #6

Entrar