Ao Mestre Mário Quintana
O dilema do existir sempre nos complica
A vida – que em meros grãos nos faz apenas.
De verdade que constrói castelos de areia
E do que devora fino alicerce – a mentira.
Fortuna desalinhada foge do seu fim seguro –
Como engano que ilude com o tom de seu vinho.
Já que não sei ser pássaro – posso ser ninho –
Libertar o receio que mora em espaço oculto.
Um dia disse o Mestre, com pena e carinho –
Nas mudas linhas de um poema sem solução.
Com doces gotas de verdade – ainda que punção –
Que triste sorte de poeta é ser passarinho!

