Tantos versaram sobre a morte, a dor,
Sobre a falta de sorte, amor, o verme.
Poetizaram, que eu, muito melhor;
Celebraram festim em carne inerte.
O que te posso acrescentar em verso
Torto, com imperfeição de mortal,
Quando esse mundo já foi rua e berço
De gente que escreveu Flores do Mal?
Augusto, Charles, Carlos e Cecília...
Quanta angústia, paz nas dores e amores!
Tanta mágoa que se fez maravilha...
No meu palco da vida estão os atores
Que me fazem ver essa arte que brilha;
E calado exalto seus despudores.

