Seu riso frouxo diz que sim, você faz que não. Não. Não quer avançar comigo porque seu sorriso fica frouxo e você tem que ficar fingindo que não se importa, mesmo sabendo que se importa. Importa-se o bastante para notar minha ausência e alfinetar-me com alguns memorandos de quanto sou exíguo em sua vida, ou quão feia e estranha é a minha figura ante os seus olhos.
Faz tudo isso para se enganar, para sufocar o que sente pelo saltimbanco, pois ele não é nenhum dos “Maítres” que você sonhava, desses que tem pele alva, olhos claros e uma carteira cheia de “Eu-te-amo-cifrados”.
Eu acharia mais graça em toda essa resistência não fosse ter que ouvir “Live with me” toda vez que se distancia para provar que consegue viver sem mim. Você percorre essa estrada de tijolos amarelos encontrando príncipes encantados, fazendo-se de princesa em apuros para que eles a salvem.
Você os flerta com veemência, você os ama por um segundo, você os beija um beijo libidinoso e oco, e até abre um sorriso de contentamento por saber que consegue se envolver com outros além de mim, mas tal sorriso vai embora, como um tesão que acaba do outro lado da cama, e você percebe que de nada adianta esses contos de fada se você não tem um final feliz. Eu sou seu final feliz. Sabendo disso você corre pra mim sedenta do sorriso que eu te abro toda vez que te esnobo e em seguida te faço um carinho, ou pra sentir corar-lhe a pele quando arranjo algum pretexto para segurar suas mãos, ou te enlaçar pela cintura naqueles nossos abraços desengonçados.
Queria um príncipe e tem um sapo. Você não vê, mas pra mim você é muito mais que uma perereca – no sentido amplo da coisa. A minha vontade era deixar esse texto incompleto, e subitamente bater na sua porta pra te roubar um beijo desajeitado. Quem sabe assim me transformaria num príncipe?
Ao invés disso, retenho-me ao meu complexo de inferioridade, caneta em mãos discorro sobre nossa incapacidade em nos entregarmos, e entre uma vírgula e outra me pego te beijando em pensamentos, ou imaginando eu segurar forte suas mãos naquelas reuniões de família que você não se sente a vontade quando o assunto é você. Pergunto-me se faz o mesmo, ou se sou eu o psicopata da história. Não sei se te querendo eu vou vivendo, ou morrendo um pouco mais a cada dia.
Dia desses, ainda te jogo umas verdades na cara, uns beijos na boca e uns dedos em sua nuca, só pra ver ficar sem graça a menina que recusa o amor do sapo e espera um príncipe que fugiu com alguma princesa que estava em apuros perdida no meio da estrada de tijolos amarelos.
Eu deveria ter previsto que para ganhar alguém do seu valor eu teria que pagar um alto preço. E pego, juro que pago. Mas deixa disso, vem cá e me toma pra si que eu to cansado de confessar meu amor em textos quase intermináveis sem finais felizes.

