Seja pelo princípio do prazer de Freud ou pela atividade criativa da psique explicada por Jung, amamos nos fantasiar. Eu, certamente, nem chego perto de conhecer o mínimo dessa psicanálise que citei, mas me fantasio de intelectual para darem algum crédito ao que escrevo. A vida é isso mesmo, meu imaginário leitor.
Engraçado é que não precisamos de vestuários ou apetrechos para nos fantasiar. Para cada lugar ou grupo de pessoas que frequentamos, temos uma fantasia. Não estou dizendo que somos todos falsos ou hipócritas… ou somos sim. Mas todas as facetas que usamos no dia a dia fazem parte de nós, é o que somos de verdade querendo ou não. É empolgante esse troca e veste de fantasia. E isso não é necessariamente ruim.
Quem melhor explicou, numa única frase, toda essa viagem que falei acima foi Oscar Wilde. Em O Retrato de Dorian Gray, ele disse que jamais pareçamos tão à vontade quanto nas vezes em que temos que fazer uma encenação. Eu ainda não li esse livro, portanto, não sei se ele falava de algo que se aproximasse ao meu devaneio. Mas talvez já tenha me passado de intelectual (de novo) nas inúmeras vezes que citei essa frase para alguém – nem sempre perguntam se eu li o livro e o óbvio ficou subententido (“Oscar Wilde, ein?” Pensou alguém).
Nossas fantasias são nossas condições de segurança. Não é que as usando nós iremos nos travestir de algo que não somos; elas são espontâneas. Elas fazem parte sim, de nós; estão guardadas em algum lugar do nosso inconsciente e, às vezes, quando precisamos delas trazemo-nas à consciência. Mas temos que tomar cuidado porque a fantasia é de alguma forma, nosso ego querendo um distanciamento do mundo externo. Assim, não podemos nos perder do “fio de Ariadne” que marca o caminho e não nos deixa ficar perdidos no labirinto que separa o real e o fantástico.
Cecília Meireles certa vez falou:
– Em que espelho ficou perdida a minha face?
Eu reflito:
– Em qual fantasia costumamos esquecer nossa realidade?


Comentários
Espero conseguir um dia escrever um livro; desejo muito. E valeu pelas visitas e crédito aos meus textos, isso me incentiva a escrever sempre. Abraços
EzequielFernandes 07-02-2012 21:55 #4
Valeu amigo, muito bom saber que o leste e gostou! Abraços
EzequielFernandes 07-02-2012 21:52 #3
na sua idade. Sua ótica da vida é verdadeira. Permita-me dar-lhe uma sugestão, procure o livro "Demian" de
Hermann Hesse (se ainda não o leu), penso que voce vai gostar. Eu o li mais ou menos na sua idade, recomen-
dado por um professor, e nunca esqueci a mensagem que ele traz.
Volta e meia dou uma olhada no seu trabalho que me agrada bastante, e penso que voce devia idealizar e escrever
um livro, quem sabe um romance. Talento e poder de persuação voce tem, acredite.
Abs.
jogonsantos 07-02-2012 17:48 #2
wicos 06-02-2012 10:27 #1
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