| AULA DE LITERATURA |
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Ou será que foi uma aula de Português??? Não lembro...
Sempre fico espantado com a quantidade de pessoas que afirmam que não gostam de ler. Inclusive no meio universitário, não raro, ouvi esta manifestação de repulsa pelo hábito da leitura. Quando afirmo que tenho gosto pelas palavras, um ar aterrador toma conta dos presentes e quando falo que, de vez em quando, me arrisco até a escrever, as pessoas ficam abismadas. E ainda por cima adoro dar um tom sensacionalista na minha colocação. "Gosto de ler apesar da escola". Uma frase de impacto. Parece radical, mas tem uma explicação bastante razoável. Quando cursava a 5ª série do primeiro grau tive minha primeira experiência catastrófica com a leitura. Contava com 10 anos e a professora tinha me dado a tarefa de ler Memórias Póstumas de Brás Cubas. Evidentemente que após a leitura eu deveria construir uma ficha contando o desenrolar da trama, os personagens, a época, etc. Confesso que tentei, inclusive mais de uma vez...mas não deu. Machado de Assis é um dos maiores escritores da literatura mundial. Sua obra carrega extrema complexidade de idéias e além disso foi publicada em 1881 numa linguagem bem diferente da atual. Diga-se de passagem que uma bagagem de conhecimento histórico também ajuda a entender o desenvolvimento da narrativa. Este livro é o marco que deu início ao Realismo, é considerado o primeiro romance psicológico da literatura brasileira. Se hoje sou fã incondicional do primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, naquela época só pretendia fugir de tudo quanto era relacionado a literatura machadiana. Para tudo existe uma fase. Creio que o objetivo maior destes anos iniciais seria estimular o gosto pela leitura, contando, é claro, com textos apropriados para cada faixa etária. Por sorte eu sabia que o mundo dos livros era gigantesco e que não estava resumido aos exemplares indicados (obrigados) pela professora. Divertia-me com livros infanto-juvenis, com textos mais simples. Gradativamente fui amadurecendo e também me capacitando para poder apreciar leituras mais complexas. Assim como todos meus colegas (neste caso não houve exceção) fiz um resumo baseado no resumo, ou seja, copiei o comentário das "orelhas de contra-capa" da edição que possuía. Mas a alegria durou pouco e novos desafios estavam para vir...Castro Alves seria o próximo e uma seqüência de autores clássicos o seguiria. Este processo sempre me instigou dúvidas a respeito da responsabilidade da escola em ajudar o desgosto do brasileiro pela literatura. Estou afastado das salas de aula já a algum tempo, não acredito que este tipo de problema se perpetue, ou será que estou enganado? Uma pulguinha para os educadores de plantão...
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