| DEPOIS DA CHUVA... |
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PERSONAGENS: CRISTIANO BRUNO MULHER (OFF) PASTOR (OFF)
ÉPOCA: Atual.
CENÁRIO: Um minúsculo apartamento, muito simples. Dois colchões, um puff, um rack onde estão o som, a TV, diversos CDs e livros de Direito como o Código Penal, por exemplo. No proscênio, uma sacada. Porta de entrada de um lado e do outro uma minúscula cozinha que conduz ao banheiro. (...) "Sejamos mais precisos: melhor que de homossexualidade, deveríamos falar de relações entre pessoas do mesmo sexo. Deveríamos, então, empregar o termo homofilia". Jean-Philippe Catonné CENA 1 (LUZ EM RESISTENCIA REVELANDO A SALA DO APARTAMENTO VAZIO. OUVE-SE RUÍDOS DE TRÂNSITO. A PORTA SE ABRE E ENTRAM BRUNO E CRISTIANO CARREGADOS DE EMBRULHOS)
BRUNO - É aqui. Que tal, hein???
CRISTIANO - (OLHANDO PELA JANELA) A vista não é das melhores, mas até que dá pra encarar. Morar no edifício São Benedito, do lado do cinema pornô, na frente do Minhocão e em cima do Ponto G?! Ninguém merece... BRUNO - Mas daqui até o Mackenzie é um pulinho. O foda é esse barulho infernal aí fora. E depois, quando a gente voltar da facul, vamos estar tão cansados que nem vamos ouvir nada. E com o tempo a gente se acostuma. CRISTIANO - Puta sorte ter te encontrado pra dividirmos o apê. Eu tava vendo umas pensões pra morar, mas quando via aqueles seres bizarros aparecendo, picava a mula. Eu tava desesperado atrás de alguém pra dividir o aluguel e o condomínio. Meu pai tinha pensado na hipótese de ficar lá em casa, mas eu não agüentaria ir e vir de Atibaia todos os dias. Não iria render nada no curso. BRUNO - É, o curso de Direito é foda. Não quero nem pensar como é que vai ser. CRISTIANO - Nem eu. Mas a gente tá junto nessa, véio. Um vai cuidar do outro. Ainda mais agora que não temos mais mamãe e papai por perto pra ficar pegando no nosso pé... Esse é o preço da tão sonhada liberdade. (CRISTIANO SOBE NO PARAPEITO DA SACADA) BRUNO - Sai daí, seu louco. Quer se esborrachar lá embaixo? CRISTIANO - (ABRE OS BRAÇOS) "Minhas asas estão prontas para voar. Eu gostaria de voltar no tempo. Ficaria mais tempo vivo se tivesse menos liberdade". BRUNO - Credo, voltar no tempo e ter menos liberdade. Estou contente com o aqui e agora. CRISTIANO - (SAINDO DA SACADA) Eu também tô. Falei por falar. Tô adorando esse gostinho de liberdade, cara. A gente vai ser muito feliz aqui, Bruno. BRUNO - Disso eu tenho certeza...
(AMBOS SE ABRAÇAM AFETUOSAMENTE)
CRISTIANO - Bem, ao trabalho... BRUNO - Ao trabalho.
(COMEÇAM A ARRUMAR O AMBIENTE ALEGREMENTE. BRUNO COLOCA UM CD NO SOM NUM VOLUME ENSURDECEDOR. DEPOIS DE UM TEMPO, OUVE-SE BATIDAS NA PAREDE)
MULHER - (OFF, GRITANDO) Abaixa esse rádio...
(CRISTIANO E BRUNO, SEM SE IMPORTAR, VÃO ATÉ A SACADA E GRITAM PARA FORA)
AMBOS - Hein? MULHER - (OFF, GRITANDO) Abaixa o diabo desse rádio... BRUNO - Ih... ser vizinho de velha é foda. CRISTIANO - Fala mais alto!!!! MULHER - (OFF) Eu vou falar com a síndica e ela vai dar uma multa pra vocês, seus malcriados. Não conhecem as regras de condomínio, não? AMBOS - Nããããoooo! MULHER - (OFF) Vocês vão ver... Eu sou a primeira moradora deste edifício e vou tomar providências contra vocês... BRUNO - Vai correndo... MULHER - (OFF) Vocês não perdem por esperar, moleques...
(AMBOS RIEM E VOLTAM PRA DENTRO)
CRISTIANO - Será que ela vai mesmo falar com a síndica? BRUNO - Se falar, falou... Olha só a minha cara de preocupado... Qualquer coisa, a gente arrebenta ela e a síndica de porrada... (RIEM) CRISTIANO - Cara, você é muito louco... BRUNO - Por que acha que escolhi essa profissão? Existe alguém mais louco do que um advogado? CRISTIANO - Ah, existe sim... BRUNO - Quem? CRISTIANO - Limpador de janela. BRUNO - Porteiro de cinema pornô. CRISTIANO - Maquiador de defunto. BRUNO - Puta! CRISTIANO - Padre! BRUNO - Ah, padre não é profissão! CRISTIANO - E puta também não é!
(AMBOS CAEM NA GARGALHADA E COMEÇAM UMA GUERRA DE TRAVESSEIROS)
CENA 2
(BRUNO E CRISTIANO SENTADOS NO PUFF COMENDO PIZZA E TOMANDO COCA-COLA.)
BRUNO - Tô vendo que essa será a nossa refeição diária: pizza com coca-cola. Desse jeito vou virar um hipopótamo. CRISTIANO - O único jeito é aprender a cozinhar... BRUNO - Eu não sei nem fritar ovo. O que sei é ferver o leite e fazer miojo. Mais nada. CRISTIANO - Eu até que sei fazer alguma coisa. Mas sou preguiçoso. Não tenho saco pra cozinha. E depois da comida pronta ainda tem que lavar as panelas, os pratos e os talheres. É muito trampo. BRUNO - Uma empregada seria o ideal, hein? O que acha? CRISTIANO - É uma idéia... BRUNO - Só não pode ser baranga. Porque o que mais existe nesse meio é mulher bagaceira. CRISTIANO - Pô, Brunão, você foi cruel! BRUNO - E não é verdade? Fala aí! As empregadas bonitinhas estão em extinção... E se conseguirmos arrumar uma gostosona pra trabalhar aqui, podemos aliviar nossas tensões sexuais de vez em quando. CRISTIANO - Você quer uma empregada ou uma puta? BRUNO - Se for as duas coisas, melhor ainda. (RIEM. EM SEGUIDA ARROTA) CRISTIANO - Suspende a feijoada que o porco tá vivo! BRUNO - Coca-Cola é foda... CRISTIANO - Foda é galo: dorme no pau, tem uma mulher galinha e um filho que é pinto... (RI) BRUNO - (SEM ACHAR GRAÇA) Que babaca, cara. CRISTIANO - Você não captou a minha piada... BRUNO - (DEPOIS DE UM TEMPO) Nossa, faz duas semanas que eu não dou uma boa bimbada. E você, Cris, há quanto tempo não trepa? CRISTIANO - Desde que nasci. BRUNO - Ah, brincou... Você ainda é virgem? CRISTIANO - Sou. BRUNO - Caralho! Como consegue? Mas nem uma chupadinha nos peitinhos, nem um dedinho na xoxotinha? Nenhuma menina te punhetou ou te chupou? CRISTIANO - Não... BRUNO - E nunca teve vontade? Curiosidade? Nunca teve desejo? Nunca ficou de pau duro ao ver uma gostosa de mini-saia passando rebolando perto de você? Nunca viu revistas de sacanagem, filmes pornôs? CRISTIANO - Já, claro. Como todo mundo. Mas eu... BRUNO - Você é tímido, né? Mas não tem problema. Amanhã eu vou te apresentar umas gatinhas lá do curso. Aí eu xaveco elas pra você e você arrasta alguma pra cá e faz a festa. Esse apê vai ser um verdadeiro puteiro, maluco. Mas como só tem um cômodo aqui, vamos usar o velho truque da toalha vermelha. Quando eu ou você estivermos na ativa com alguma gata, vamos colocar a toalha na janela pra evitar constrangimentos... Né? CRISTIANO - (COM UM SORRISO AMARELO) É.
(CRISTIANO COM UM CONTROLE-REMOTO MUDA OS CANAIS DA TV)
CRISTIANO - Merda. Não tem nada que preste este horário. BRUNO - TV aberta é um lixo. Essa hora só tem programa de igreja... (TIRANDO SARRO) Corre lá pegar um copo d'água pro pastor abençoar!
(CRISTIANO COLOCA NUM PROGRAMA DE IGREJA. OUVE-SE EM OFF A VOZ DE UM PASTOR)
PASTOR - "...liguem para o telefone que está aparecendo no seu vídeo e respondam a pergunta da nossa enquete de hoje: a homossexualidade é uma doença ou sem-vergonhice?" CRISTIANO - Vai se foder, pastor de merda. (VAI MUDAR DE CANAL) BRUNO - Não muda, não, Cris. Vamos ver esse circo. PASTOR - "... Deus criou o Homem e a Mulher. Se continuar como está, homem com homem e mulher com mulher, não haverá dentro em breve mais seres humanos neste Planeta. Você, amigo telespectador, que tem um filho homossexual, fique tranqüilo. Não o leve para um psiquiatra que não resolve nada. Esse desvio é espiritual. É coisa do tinhoso. Traga ele até aqui na nossa igreja, que irei resolver esse problema. Irei tirar o diabo que se apossou do corpo dele e faz com que ele só lhe traga desgostos..." CRISTIANO - (DESLIGA A TV) Vai se tratar, animal de bosta.
(CRISTIANO DESLIGA A TV. ESTÁ VISIVELMENTE NERVOSO)
BRUNO - O que foi, cara? CRISTIANO - Eu fico puto quando escuto uma coisa dessa. Essa falsa moral me irrita. E esse cara é homofóbico. BRUNO - Calma, cara. Relaxa. Da maneira que você reagiu, parecia até que ele estava se referindo à você. CRISTIANO - E se estivesse, Buba? E se eu fosse um homossexual? Como acha que eu me sentiria? BRUNO - Você tá muito abalado, Cris. Mas eu te entendo. Você acabou de sair de casa e agora é que tá percebendo a barra que vamos enfrentar daqui pra frente. Vem cá... (ABRAÇA O AMIGO) Pensar muito no futuro estraga o presente.
(CRISTIANO TEM O OLHAR PERDIDO. LUZ CAI EM RESISTÊNCIA)
CENA 3
(LUZ SOBE LENTAMENTE. CRISTIANO ACORDA, LEVANTA-SE E VAI ATÉ O BANHEIRO. LAVA O ROSTO, ENXUGA-O COM UMA TOALHA E VEM PARA A COZINHA, PEGA UM COPO DE ÁGUA E BEBE. VOLTA PRA SALA E FICA OLHANDO PARA BRUNO, QUE AOS POUCOS VAI DESPERTANDO)
CRISTIANO - Boa tarde!!!! BRUNO - (BOCEJA) Que horas são? CRISTIANO - Duas horas. BRUNO - Putz, por que não me acordou antes? CRISTIANO - Porque também acabei de acordar. BRUNO - E aí, melhorou? CRISTIANO - De quê? Ah, claro. Nem me lembrava mais. Foi bobagem minha... Às vezes eu dou umas dessas. Vai se acostumando... BRUNO - (MEXENDO NO PÊNIS) Mijar com o pau duro é foda!
(LEVANTA-SE E VAI ATÉ O BANHEIRO. VIRA-SE DE COSTAS E MIJA. DÁ A DESCARGA E VOLTA PARA A CAMA)
BRUNO - Já tomou banho? CRISTIANO - Ainda não. Vou tomar mais tarde. BRUNO - Então vou eu.
(TIRA TODA A ROUPA. CRISTIANO VIRA-SE DE COSTAS PARA ELE, ENVERGONHADO)
BRUNO - Por que ficou de costas, Cris?... Vai me dizer que nunca viu outro homem pelado? CRISTIANO - Já, mas... BRUNO - Mas o quê? Pode se virar, cara. O que eu tenho entre as pernas você também tem... E você, por que não fica pelado também? É muito bom, mano. O legal é criar o "bicho" solto. E se estamos sozinhos, porque não ficar mais à vontade? Maldita a hora que inventaram peças de roupa. Se dependesse de mim, todo mundo andava pelado. E você? Vai ter vergonha de tirar a roupa na minha frente? CRISTIANO - É que eu não me sinto à vontade. Sei lá. Acho estranho... Eu não queria que achasse que eu estivesse me insinuando pra você. BRUNO - Ah, pára meu. E eu, por acaso, estou me insinuando pra você? CRISTIANO - Não. Claro que não. BRUNO - Então não tem grilo... Não quero te ver constrangido, belê? CRISTIANO - Beleza, Buba. Vai pro seu banho.
(BRUNO ENTRA NO BANHEIRO E ABRE O CHUVEIRO)
BRUNO - Vou aproveitar pra tocar uma punheta. Vamos fazer um campeonato de punheta, véio? CRISTIANO - Não tô a fim agora... Quem sabe, mais tarde. Vai fundo... BRUNO - Quando era moleque vivia com medo de bater punheta. Diziam que dava espinha, pêlo na palma da mão, que o pau ia cair. Mas que é bom, é. Qual foi o seu recorde? CRISTIANO - Recorde de quê? BRUNO - De punheta. Quantas você conseguiu bater num dia? CRISTIANO - Duas. BRUNO - Só duas? O máximo que eu consegui num dia foram nove. CRISTIANO - Porra... Poderoso o rapaz!!! BRUNO - Mas no outro dia, nem conseguia andar direito. Acho que a minha mão tem a alma feminina. Quando vê meu pau, já quer grudar. Ela até hoje foi a minha namorada mais fiel... Bem, vou nessa. Tô com um tesão danado.
(BRUNO VAI PARA O BANHEIRO)
CRISTIANO - Oferece essa punheta pra velha aqui do lado... BRUNO - (VOLTA, CABISBAIXO) Porra, cara. Brochei.
(LUZ CAI EM RESISTÊNCIA)
CENA 4
(CRISTIANO E BRUNO ENTRAM CARREGADOS DE MATERIAIS. EXAUSTOS, JOGAM OS MATERIAIS NUM CANTO E DEITAM-SE NA CAMA)
CRISTIANO - Ufff, tô o pó da rabiola! BRUNO - O professor pegou pesado mesmo. Logo no primeiro dia de aula. Vai se foder. CRISTIANO - Tem um "beck" aí? BRUNO - Tem.
(BRUNO TIRA UM PAPELZINHO DO BOLSO DA CALÇA, ABRE-O, PREPARA UMA SEDA E COMEÇA A DICHAVAR A MACONHA)
CRISTIANO - Nunca tive saco pra dichavar maconha, preparar o cigarro de baseado. O "beck" já deveria vir pronto. BRUNO - Aí não teria graça nenhuma. O barato é o ritual de preparação da erva. CRISTIANO - Nunca consegui enrolar direito. Como consegue? BRUNO - Anos de prática... Maconheiro profissional.
(BRUNO ACENDE O BASEADO, DÁ UM TAPINHA E PASSA PARA CRISTIANO)
BRUNO - Esse fumo é do bom... CRISTIANO - De quem você comprou? BRUNO - Do Dani Maluco, do quarto semestre... CRISTIANO - Esse curso tá começando bem... BRUNO - E o que você esperava? A gente só faz duas coisas numa faculdade: fuma maconha e trepa... Ah, seguinte: sabe a Paulinha? CRISTIANO - Que Paulinha? BRUNO - Aquela loirinha tesuda da nossa sala que eu tava azarando, saca? Aquela com cara de puta da Augusta!!!! CRISTIANO - Hum, sei... O que é que tem? BRUNO - Então, eu chamei ela pra ver um filme aqui amanhã depois da aula. CRISTIANO - E ela vem? BRUNO - Topou na hora. CRISTIANO - Essa eu pago pra ver... Mas a gente não tem DVD aqui... Ah, não, não me diga que você vai assistir ao Intercine. BRUNO - Não... nada disso. Não existe filme nenhum, meu amigo. É uma jogada. Ela vem aqui, eu procuro o DVD e aí eu me lembro que esqueci de trazer o aparelho lá de casa, entendeu? Captou o meu raciocínio? Aí a gente ouve uma musiquinha romântica, toma vinho à luz de velas. O clima vai esquentando, eu faço ela beber bastante vinho... e parto pro ataque. Aí ela vai estar tão chapada que nem vai se lembrar do que aconteceu. (ESFREGA AS MÃOS) Nem acredito que isso está acontecendo... É bom demais pra ser verdade. CRISTIANO - É. Mas não precisa se preocupar, viu? Eu não vou atrapalhar vocês. Eu passo a noite naquele hotelzinho da esquina. É um pulgueiro, mas dá pra encarar por uma noite... BRUNO - Deixa disso, Cris. CRISTIANO - Eu não vou me sentir à vontade com vocês aqui. Era só o que me faltava. Ficar de voyeur vendo você comer a mina. BRUNO - Você não vai ficar de voyeur porque ela vai trazer uma amiga com ela. (CRISTIANO SE AFOGA COM O BECK) Desta vez você não escapa. Vai perder o cabacinho... E vai gozar muuuuuuuuito nos peitos da cachorra. CRISTIANO - Mas eu nem sei quem é a garota! BRUNO - Na hora você conhece. CRISTIANO - Do jeito que sou sortudo, imagino o "dragão" que vai aparecer aí... BRUNO - Deixa de ser pessimista, truta. E mesmo que seja um jaburu, ela tem buceta, não tem? Tapa a cara dela com um travesseiro e manda ver. (RI) CRISTIANO - Ria, seu bosta, ria da minha desgraça. Queria ver se fosse contigo. BRUNO - Ih, eu já comi tanta baranga que uma a mais, uma a menos não iria fazer diferença. O que vier, eu traço mesmo... CRISTIANO - Até viado? BRUNO - Pô, não precisa apelar, né? Não sou chegado em viado, não. Credo! Meu negócio é buceta. Só buceta. Nem cu de mulher eu curto. Muito menos um cu peludo de uma bicha filha da puta...
(CRISTIANO LEVANTA-SE FURIOSO E DÁ UM SOCO NA PAREDE)
BRUNO - O que foi, Cris? CRISTIANO - Eu nunca imaginei que você fosse preconceituoso. BRUNO - Mas eu não sou preconceituoso. Foi só uma maneira de falar. CRISTIANO - Maneira de falar! Jamais esperava ouvir isso de você. Justo de você, o meu melhor amigo. BRUNO - Por que isso agora? Não existe nenhuma razão pra se comportar assim. Você tomou as dores que não são suas. Você nem é gay... CRISTIANO - Mas tenho um primo que é. E eu sei o quanto ele sofre com isso. Quando meu tio pegou ele trepando no banheiro com o outro moleque, bateu tanto nele, até sangrar. Chamou-o de lixo dos lixos e o internou numa clínica psiquiátrica, porque achava que ele estava louco e que precisava de um tratamento. Na clínica, enfiaram um cabo no cu dele e deram tanto choque, mas tanto choque que o coitado acabou pirando... Eu tenho vergonha de ser um ser humano. Vergonha de pertencer a esse mundo desordenado, preconceituoso. Eu tenho medo do futuro. Pior ainda, eu tenho pânico quando sinto o desprezo das pessoas. Porque poderia ser comigo. Poderia ser com você, Buba. Que crime o meu primo cometeu? E por que ele tem de pagar por esse crime?... Às vezes eu fico com vontade de acabar com tudo. É tão simples. Pular desta janela, tomar veneno, ter uma overdose, cortar os pulsos, dar um tiro na cabeça, sei lá... Só precisa um pouco de coragem. Um pouco de coragem pra gente acabar com todo esse inferno. Não pode haver um lugar pior do que essa merda de cidade, essa merda de estado, essa merda de planeta... O inferno é aqui, o inferno são as pessoas que vivem aqui... BRUNO - Desculpa, Cris. CRISTIANO - Nunca mais fale dessa maneira. Nunca mais. A história do meu primo é muito forte pra mim. Entende agora o motivo da minha raiva por aquele pastor de merda? E depois quando você falou daquela maneira... É como se tivesse me dado uma punhalada pelas costas. BRUNO - Desculpa pela minha falta de tato. CRISTIANO - Eu precisava falar isso, senão eu iria explodir... BRUNO - Claro. E pode contar sempre comigo. Pra tudo...
(BRUNO COLOCA A CABEÇA DE CRISTIANO NO SEU COLO)
BRUNO - Tá mais calmo agora? CRISTIANO - Buba... BRUNO - Hum?! CRISTIANO - Eu amo você. BRUNO - (SORRI) Eu também amo você.
(LUZ CAI EM RESISTÊNCIA)
CENA 5
(UMA FORTE CHUVA CAI LÁ FORA. SOMENTE RELÂMPAGOS E TROVÕES CLAREIAM A CENA. A PORTA SE ABRE E ENTRAM OS GAROTOS ENSOPADOS. BRUNO TEM UM LITRO DE VINHO NAS MÃOS)
CRISTIANO - Que dilúvio! Só está faltando a Arca de Noé... BRUNO - (LIGANDO E DESLIGANDO O INTERRUPTOR DE LUZ) Pra ajudar acabou a energia... CRISTIANO - Vamos tirar essas roupas antes que a gente fique doente.
(BRUNO COLOCA O VINHO NO CHÃO E AMBOS TIRAM AS ROUPAS)
CRISTIANO - Não se enxerga nada aqui dentro. BRUNO - Vou ver se acho as velas. (ILUMINANDO A CENA COM UM ISQUEIRO) Achei!
(ACENDE AS VELAS. ESSA CENA PERMANECERÁ POR UM BOM TEMPO A LUZ DE VELAS. CRISTIANO PEGA UMA TOALHA E ENTREGA PRA BRUNO)
CRISTIANO - A toalha... (PEGA OUTRA E AMBOS SE ENXUGAM) BRUNO - Cara, sacanagem da Paulinha, né? Preferir a carona do Caio do que vir aqui. Eu tava certo.. Ela é mesmo mó putona. CRISTIANO - Pelo menos eu me livrei da amiga dela. Eu tinha certeza que ela era monstruosa. Toda gatinha anda com um dragão do lado... Obrigado, meu São Sinfrônio por atender as minhas preces... BRUNO - Que porra de santo é esse? CRISTIANO - Sei lá. BRUNO - Por que as mulheres são interesseiras, né? Bastam ver um carro ou dinheiro que estão logo abrindo as pernas. Aquela frase está mesmo correta: Quem gosta de homem é viado. Mulher gosta de dinheiro... (PERCEBE A GAFE) Ah, desculpa, cara. CRISTIANO - Tudo bem, fica frio. BRUNO - E nem um banho quente vai dar pra gente tomar... CRISTIANO - Mas tem vinho. BRUNO - (ABRINDO O VINHO) Este vinho está longe de ser o do Porto. Mas vamos encarar, né? Se a gente tivesse grana pra comprar um melhor. CRISTIANO - E isso embebeda rapidinho... BRUNO - Eu sou péssimo pra beber. Bastam três tacinhas e já estou capotando... CRISTIANO - Ah, foda-se. Vamos chapar mesmo.
(BRUNO COLOCA O VINHO NAS TAÇAS)
BRUNO - (LEVANTANDO UM BRINDE) Um brinde à nossa amizade.
(BRINDAM. BEBEM)
BRUNO - Como esquenta... CRISTIANO - Vamos virar tudo de uma vez? BRUNO - Ah, não. Eu sou fraco. CRISTIANO - Relaxa... Vamos curtir. Não vamos fazer isso todo o dia...
(VIRAM A TAÇA. ENCHEM NOVAMENTE AS TAÇAS DE VINHO)
CRISTIANO - De novo.
(VIRAM A TAÇA NOVAMENTE)
BRUNO - (BÊBADO) Ah, Cris. Não agüento mais... Parei. (RI) Já tô doidão... Vou capotar. Boa noite.
(DEITA-SE NA CAMA E ADORMECE IMEDIATAMENTE. CRISTIANO TERMINA DE BEBER MAIS UM CÁLICE DE VINHO. FECHA A GARRAFA, SENTA-SE AO LADO DE BRUNO E OBSERVA O CORPO DO RAPAZ. PASSA AS MÃOS NOS CABELOS DO AMIGO, EM SEGUIDA ACARICIA O SEU ROSTO E SUA BOCA. TOMADO POR UM SÚBITO DESEJO, CRISTIANO BEIJA SUA BOCA. É UM BEIJO SUAVE, QUE SE PROLONGA POR UM TEMPO. CRISTIANO AFASTA SUA BOCA DA DO AMIGO. EM SEGUIDA BEIJA O PEITO, DESCE PRO ABDOMEN E FINALMENTE CHEGA AO SEXO DE BRUNO, MASTURBANDO-O. CRISTIANO AOS POUCOS, INTRODUZ O PÊNIS DE BRUNO EM SEU ÂNUS. GEME DE DOR E AO MESMO TEMPO DE PRAZER. CRISTIANO TERMINA A CENA DEITADO EM CIMA DE BRUNO. OBS: A CENA, EM MOMENTO ALGUM DEVERÁ SER APELATIVA, PELO CONTRÁRIO, DEVE ESTAR CARREGADA DE LIRISMO.)
CENA 6
(A LUZ AINDA NÃO VOLTOU. AMANHECE AOS POUCOS. BRUNO CONTINUA DORMINDO. CRISTIANO, NA SACADA, SENTE A CHUVA FINA MOLHAR O SEU ROSTO)
BRUNO - (DEITADO, RESMUNGANDO) Ai que dor de cabeça... Maldito vinho.. Que horas são, Cris? CRISTIANO - Tá amanhecendo. BRUNO - A luz já voltou? CRISTIANO - Já... Vem aqui na janela sentir os pingos da chuva na cara. (BRUNO LEVANTA-SE E VAI ATÉ A JANELA) CRISTIANO - Que tal? BRUNO - Ótimo pra curar a ressaca. CRISTIANO - Vem aqui comigo? BRUNO - É perigoso, cara. E eu morro de medo de altura. Eu sempre tenho a impressão de que alguém vai chegar e me empurrar... CRISTIANO - Vem cá. BRUNO - (APROXIMA-SE, TEMEROSO) Que cagaço.
(CRISTIANO OLHA COM PAIXÃO PARA BRUNO)
BRUNO - Que cara é essa, Cris?... Você tá me olhando de uma forma... Até parece que... CRISTIANO -...que o quê? BRUNO - Nada, não. Bobagem... coisa de bêbado. CRISTIANO - Bruno, eu preciso te contar uma coisa BRUNO - Conta aí... CRISTIANO - É um segredo que eu guardo a sete chaves por um bom tempo. Tinha medo, vergonha de contar pra alguém, mas eu não consigo guardar isso por mais tempo. E eu preciso me abrir com você.
(A CHUVA PARA E O SOL COMEÇA A NASCER)
BRUNO - Não me assuste, cara. Fala de uma vez. CRISTIANO - Vamos sair daqui...(SAEM DA JANELA E SENTAM-SE NA CAMA) Bruno...Não fala nada, só me escuta, por favor... Me escuta e tenta me entender... Desde pequeno, eu minto pra mim mesmo. Até ontem eu fingi ser uma pessoa que não era, uma pessoa em que fui educado para ser. E quanto mais o tempo passava, mais forte essa coisa se manifestava em mim. Até o dia em que resolvi arrumar uma namorada pra provar pra todo mundo, inclusive para mim, que eu era um garoto normal e não um alienígena que todo mundo achava que eu fosse. Foi uma catástrofe a relação com essa menina. Não durou duas semanas. Terminei com ela e sequer disse o motivo pelo qual estava terminando. Eu não sentia tesão por ela. Ela poderia ficar pelada na minha frente que eu não iria ligar. E não só ela. Qualquer menina poderia ficar pelada na minha frente que não iria ligar, porque nunca senti tesão por garotas. Nem por garotos.... Apenas por um garoto. Um garoto que a cada olhar, a cada toque, a cada gesto me fez sentir vivo e amado. Como nunca ninguém me amou. Só que esse garoto nunca vai me olhar como eu queria que olhasse. BRUNO - E quem é esse garoto? Eu conheço? CRISTIANO - Você é tão ingênuo a ponto de não perceber de quem eu estou falando? BRUNO - Juro que não faço idéia de quem seja. CRISTIANO - É você, Buba! Eu sei que é difícil pra você entender, mas por favor, não me queira mal... Quando eu vim morar pra cá e a nossa relação se tornou mais íntima, aí eu tive certeza daquilo que queria. Eu te dei várias indiretas que você nem percebeu. Quando eu disse que te amava, você levou por outro lado. Amor de amigo, amor de irmão... Eu também te amo como amigo, como irmão... Mas, o que eu sinto por você é... amor de homem. BRUNO - (SEM PALAVRAS) Francamente, não sei o que dizer... CRISTIANO - Não, não diga nada, deixe eu terminar... E ontem a noite, depois que você caiu bêbado na cama, eu fiquei te observando por um tempo. E ao te ver ali, dormindo, não pude segurar o meu desejo. Experimentei um prazer que nunca havia experimentado antes. Me sentir protegido pelos seus braços, deitar no teu peito e ouvir o bater descompassado do seu coração. Sentir o teu gozo inundando o meu corpo como a água pura e cristalina que brota da rocha...
(BRUNO ESTÁ PERPLEXO. LEVANTA-SE E NÃO TEM CORAGEM DE OLHAR PARA CRISTIANO. FICA DE COSTAS PARA ELE. VOLTA A ENERGIA. UMA LUZ SE ACENDE )
BRUNO - (A MEIA VOZ) Eu tenho... nojo de você... Por que você fez isso comigo? Nunca me senti tão sujo! Nenhum banho, água nenhuma vai limpar a sujeira que você deixou em mim. Essa sujeira não tá no corpo, não. Tá na alma. Minha alma tá imunda! CRISTIANO - E a minha tá mais pura do que a alma de um bebê recém-nascido, porque eu fui honesto com você. BRUNO - Não, não foi. Você se aproveitou de um momento de fraqueza que eu tive pra me usar. CRISTIANO - Eu não te usei... BRUNO - Ah, não? E o que fez, então? E eu que achava que você fosse o meu melhor amigo. Que a gente iria construir algo junto, e você pegou tudo isso e jogou pela janela... Sai daqui, cara. Sai daqui antes que eu faça uma besteira. Mesmo você sendo o asqueroso que é, eu não quero te fazer mal. CRISTIANO - E existe mal maior que me odiar? BRUNO - Você é um traidor da pior espécie. CRISTIANO - Se eu fosse um traidor você nunca saberia o que tinha acontecido entre a gente. Eu guardaria isso só pra mim. Seria um segredo só meu. BRUNO - Que também trancaria a sete chaves como fez com a sua homossexualidade... Não confiou nem na sua própria família. CRISTIANO - Pra quê? Pra eles me apedrejarem como o meu tio fez com o meu primo? Pra eles me levarem ao psiquiatra, me tratarem como doente mental? Eu me abri com você porque tinha a certeza de que me entenderia... Só que você me apedreja e ainda é capaz de ir correndo contar esse segredo para os meus pais. BRUNO - Não vou fazer isso.
(CRISTIANO CHORA E VAI ABRAÇAR BRUNO)
BRUNO - Tire suas mãos nojentas de cima de mim. Eu não quero mais olhar pra tua cara. Eu quero que você se mude daqui o quanto antes. E por favor, não piore as coisas. CRISTIANO - Você fala como se estivesse disposto a não ceder e a não acreditar? BRUNO - É a minha última palavra. Procure um outro lugar para morar porque aqui, não dá mais. Acabou... (PEGA UMA TOALHA) E agora dá licença que eu preciso muito de um banho. Vou tentar me livrar dessa nhaca que você me deixou. Que nojo! (VAI PARA O BANHEIRO) CRISTIANO - Nenhuma mulher vai te dar o amor e o carinho que lhe dei e ainda tenho pra dar. Pensa nisso. Se conseguir provar que tudo o que eu fiz foi com má-intenção, aí sim, pode me chamar de traidor.
(ABRE A PORTA E SAI.)
CENA 7
(BRUNO ESTÁ DEITADO NO PUFF, PERTURBADO. OUVE-SE UMA CHAVE GIRANDO NO TAMBOR. A PORTA SE ABRE E POR ELA ENTRA CRISTIANO. ESTÁ ABATIDO. FICA PARADO NA PORTA ESPERANDO ALGUMA REAÇÃO DE BRUNO, QUE PERMANECE INDIFERENTE O TEMPO TODO)
CRISTIANO - Posso entrar?
BRUNO - Já entrou... CRISTIANO - Cara, a gente precisa conversar. BRUNO - Não tenho mais nada pra falar com você. CRISTIANO - E o que você vai fazer? BRUNO - Esperar que você tome vergonha nesta cara imunda e se mande daqui... CRISTIANO - Eu preciso de um tempo. Não é fácil alugar um apê. E como eu vou explicar pro meu pai o motivo pelo qual estou saindo daqui? Ele vai querer saber. E se descobrir o verdadeiro motivo, nem sei o que ele seria capaz de fazer... acho que seria capaz até de me matar. BRUNO - Eu teria feito o mesmo se eu tivesse um filho como você. Coitado do seu pai!!! Que humilhação pra ele... CRISTIANO - Eu cometi algum crime? Porra, cara. Pensa que é fácil pra mim? Você acha que eu estou feliz com essa situação? BRUNO - E eu, Cristiano? Como acha que eu tô me sentindo? Você conseguiu quebrar todos os laços de carinho que eu tinha por você. CRISTIANO - E é em nome desse carinho que eu te peço: tenta, ao menos, entender o porquê "daquilo". BRUNO - Pára de ser ridículo! Você destruiu a minha vida. Será que isso já não foi o suficiente? Por favor, não fale mais comigo. Agora deixe eu ver a TV. CRISTIANO - (ENTRA NA FRENTE DA TV) Não. A gente precisa conversar nem que seja pela última vez. BRUNO - Sai da frente... CRISTIANO - De jeito nenhum. BRUNO - Se você não sair da frente da porra desta TV, eu não respondo por mim. CRISTIANO - Vai fazer o quê? BRUNO - Não me provoca... CRISTIANO - Vai fazer o quê? BRUNO - (EMPURRA CRISTIANO VIOLENTAMENTE) Sai daí... Me deixa em paz... Seu, seu... sua, sua... CRISTIANO - Diga... O que eu sou? Diga! Ficou mudo porquê? Vai fugir mais uma vez? Mais uma vez vai se comportar como um covarde? BRUNO - Covardia foi o que você fez comigo. Quando eu olho pra sua cara eu tenho vontade de vomitar. Eu devo ser muito burro mesmo. Como não fui perceber isso antes? Mas tem uma coisa que não nega: a tua cara. É só olhar com mais atenção pra você que logo a gente percebe o que está por trás desta sua máscara.
(BRUNO COLOCA UMA BERMUDA E UMA CAMISETA REGATA E FAZ MENÇÃO DE SAIR)
CRISTIANO - Onde você vai? BRUNO - Não é da sua conta. CRISTIANO - Vai fugir mais uma vez? BRUNO - Entenda como quiser.
(BRUNO SAI. CRISTIANO CORRE ATÉ A PORTA E GRITA PARA FORA)
CRISTIANO - Vai... foge... vai pro inferno! BRUNO - (OFF) Vai se foder.
(CRISTIANO BATE A PORTA. DEITA-SE NA CAMA. PEGA O TRAVESSEIRO DE BRUNO, CHEIRA-O E ABRAÇA-O EM SEGUIDA, CHORANDO. DEPOIS DE UM TEMPO ELE SE LEVANTA E COMEÇA A COLOCAR SUAS ROUPAS NUMA MALA. BRUNO VOLTA)
BRUNO - Por que você tá arrumando a mala? CRISTIANO - Não era isso que você queria? Que eu sumisse daqui? Muito bem. Seja feita a sua vontade. BRUNO - Peraí, cara. Não é assim. Vamos conversar. CRISTIANO - Não temos mais nada pra conversar. Você já disse tudo o que tinha pra me dizer. BRUNO - Pra onde você vai? CRISTIANO - Que importância tem isso agora? BRUNO - Mas e a facu? CRISTIANO - Antes de cair na estrada eu passo lá pra trancar a matrícula. BRUNO - Não faz isso, cara. CRISTIANO - Não tava curtindo o curso. E também porque não vou conseguir ficar perto de você depois de tudo o que aconteceu entre a gente. Tô tirando meu time de campo. (VAI SAINDO)
(BRUNO SEGURA CRISTIANO PELO BRAÇO E NUM IMPULSO, BEIJA-O. QUANDO PERCEBE O QUE FEZ, EMPURRA CRISTIANO)
BRUNO - Vá embora, cara. Vai embora.
(BRUNO NÃO CONSEGUE ENCARAR CRISTIANO)
CRISTIANO - (AO CHEGAR NA PORTA, PÁRA E VIRA-SE PARA BRUNO) Até quando vai continuar mentindo pra si mesmo, Bruno? Até quando vai fingir ser uma pessoa que não é? Até quando vai conviver com esse medo? Eu não queria estar no seu lugar, porque viver com medo, Bruno, é viver pela metade.
(CRISTIANO SAI. BRUNO MANTÉM-SE INDIFERENTE. CRISTIANO BATE A PORTA. NESSE MOMENTO, BRUNO DEIXA AFLORAR TODOS OS SEUS SENTIMENTOS E FICA OLHANDO PARA O VAZIO ENQUANTO UMA LÁGRIMA ESCORRE PELO SEU ROSTO. LUZ CAI EM RESISTÊNCIA ATÉ O BLACK-OUT FINAL)
FIM
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