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Escrito por Edney, em 18-03-2008 12:07
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Lá vai ele pela última vez
caminhando de fininho na madrugada gelada
cabeça baixa, olhos vidrados,
tropeçando nas suas próprias mancadas.
Na sua mente não há sonhos
não há nada,
sua vida, sem metas, é triste e tenebrosa
sua única opção e correr atrás daquilo que lhe resta.

A procura é sedenta
ele na verdade não quer mais
mas não pode não querer,
seu corpo já está condicionado a sofrer.
Mais uma esquina
outra rua
um carro de policia,
um susto; outro inimigo....

Ele muda de lado
troca de passos
um aperto no coração
entra em paranóia.
Dessa vez ninguém o viu...
sorte? azar?
isso não importa
ele tem de continuar.

Vielas e escombros,
almas perdidas pelo chão
estes são os seus “brothers”
os seus únicos irmãos.
E encontra, enfim
no meio da madrugada
em um beco qualquer
o doce alívio da ilusão.

5 gramas, algumas pedras
essa quantia deveria dar.
Agora ele tinha em suas mãos
a síntese de todas as suas amarguras
ele sai às presas,
deixando tudo que tinha
e até o que não era seu,
sem dívidas nem créditos,
sem amigos nem desafetos.

Ele caminha pelas ruas escuras,
atrás de um buraco para se entocar
e confidenciar aos seus próprios ouvidos
as angústias que passam os dias a lhe atormentar.
Ele caminha mais alguns metros
mas já não pode continuar
parado no meio da rua, ele já não pensa em mais nada
e pela ultima vez, começa a se drogar.

Nem sempre ele esteve assim,
na verdade, ele só queria ser feliz
queria ter tido alguém na vida, uma família,
um pouco de atenção
nunca conheceu ninguém que o amasse,
que o tratasse com respeito, dignidade e carinho
nem um beijo, nem um abraço
só pancada e safanão.
Essa foi a sua vida
vida louca, vida bandida
uma mistura de medo e agonia
resumida em algumas gramas.

Então ele se foi,
naquela madrugada fria de inverno ele partiu,
sem partir nenhum coração.
Passou despercebido nessa vida
sem memórias nem lembranças
ninguém chorou pelo seu corpo
nem amigos, nem irmãos.

Uma vida breve,
uma vida apagada
deixada aos dezessete
sem uma única palavra.
Agora ele não tinha mais o medo, não tinha mais a dor
overdose foi o seu único nome
seu sobrenome?
falta de amor.


Publicado em : Literatura, Poesias
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