| 5 gramas. |
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Lá vai ele pela última vez caminhando de fininho na madrugada gelada cabeça baixa, olhos vidrados, tropeçando nas suas próprias mancadas. Na sua mente não há sonhos não há nada, sua vida, sem metas, é triste e tenebrosa sua única opção e correr atrás daquilo que lhe resta. A procura é sedenta ele na verdade não quer mais mas não pode não querer, seu corpo já está condicionado a sofrer. Mais uma esquina outra rua um carro de policia, um susto; outro inimigo.... Ele muda de lado troca de passos um aperto no coração entra em paranóia. Dessa vez ninguém o viu... sorte? azar? isso não importa ele tem de continuar. Vielas e escombros, almas perdidas pelo chão estes são os seus “brothers” os seus únicos irmãos. E encontra, enfim no meio da madrugada em um beco qualquer o doce alívio da ilusão. 5 gramas, algumas pedras essa quantia deveria dar. Agora ele tinha em suas mãos a síntese de todas as suas amarguras ele sai às presas, deixando tudo que tinha e até o que não era seu, sem dívidas nem créditos, sem amigos nem desafetos. Ele caminha pelas ruas escuras, atrás de um buraco para se entocar e confidenciar aos seus próprios ouvidos as angústias que passam os dias a lhe atormentar. Ele caminha mais alguns metros mas já não pode continuar parado no meio da rua, ele já não pensa em mais nada e pela ultima vez, começa a se drogar. Nem sempre ele esteve assim, na verdade, ele só queria ser feliz queria ter tido alguém na vida, uma família, um pouco de atenção nunca conheceu ninguém que o amasse, que o tratasse com respeito, dignidade e carinho nem um beijo, nem um abraço só pancada e safanão. Essa foi a sua vida vida louca, vida bandida uma mistura de medo e agonia resumida em algumas gramas. Então ele se foi, naquela madrugada fria de inverno ele partiu, sem partir nenhum coração. Passou despercebido nessa vida sem memórias nem lembranças ninguém chorou pelo seu corpo nem amigos, nem irmãos. Uma vida breve, uma vida apagada deixada aos dezessete sem uma única palavra. Agora ele não tinha mais o medo, não tinha mais a dor overdose foi o seu único nome seu sobrenome? falta de amor.
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