| A menina que roubava livros - Markus Zusak |
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"A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte".
Até que ponto isto é verdade? Para Markus Zusak, isto é verdade até nas situações mais extremas. E para defender este ponto de vista, ele ambienta seu "A menina que roubava livros" num cenário para lá de extremo: a Alemanha durante a segunda guerra mundial. Mas é uma Alemanha muito diferente daquela que nós, descendentes dos Aliados, nos acostumamos a ver nos filmes de guerra americanos, em que todos usavam uniformes da SS e tinham como único objetivo na vida ajudar seu ditador a exterminar os judeus e a conquistar o mundo. Como se fosse possível um país em que todos fossem militares fanáticos. A Alemanha apresentada por ele é um país muito mais verossímil, habitado por pintores de paredes, lavadeiras, alfaiates, pequenos comerciantes, enfim, por gente pobre e trabalhadora, para quem conseguir o sustento de cada dia é muito mais importante e urgente do que a supremacia da raça ariana. E cujos pecados são muito mais por omissão do que por ação. São pais de família desesperados para conseguir comida para seus filhos, numa época em que falta tudo, e o pouco que se tem é direcionado para o esforço de guerra. Mães que passam as frias noites de inverno em claro ao lado do fogão, única fonte de calor da casa, preocupadas, rezando pelos filhos que foram enviados para a frente de batalha. E crianças que continuam inventando brincadeiras em meio ao caos inventado pelos adultos. E essa gente que xinga e que ronca, que canta e que joga futebol, essa gente cuja ideologia é sobreviver e tentar ser feliz, é quem acolhe Liezel, uma órfã de onze anos a quem tudo fora negado, do convívio com a família à educação mais elementar. E é nesse contexto totalmente desfavorável, no qual comer uma maçã era um luxo e ter pensamentos próprios era um risco, que Liezel adquire a mais improvável das paixões: a paixão pelos livros. Paixão que ela alimenta da única maneira possível naquela situação: roubando. A história de como a paixão de Liezel pelos livros mudou a sua vida e a vida daqueles que a cercavam, de tão impressionante, chamou a atenção até de quem mais estava ocupada naquela época: a própria Morte. E é ela quem se prontifica a nos narrar essa história. "A menina que roubava livros" é um livro obrigatório para quem acha que a vida é mais do que comida.
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