BuscaPé, líder em comparação de preços na América Latina
Das estórias de Pedro,o côxo Imprimir Enviar para um amigo
Avaliação desta obra: / 0
RuimÓtimo 
 
Escrito por Cezar Ubaldo de Oliveira Araujo, em 03-04-2008 16:29
Avaliação média    (1 voto)
Visitas 1258    
Favoritos Nenhum

Eram muitos:
cercavam-me com punhais,com tochas e animais.
Não havia espaço e havia,não havia sangue
e havia,não havia dor e havia,não havia cor...
Era um leito matinal de tábuas
e páginas de jornais encontrados nos receptores de lixo
onde a louca semi-nua fazia um numero especial a pedidos
e o noturno guarda-cidade
com sua dócil e velha arminda
(nome carinhosamente dado à bicicleta)
perambulava guardando a todos
contra possiveis ataques de bonecos marginais
e,ainda um cão,apodrecido pelo tempo
engolia um latido seco
que mais ainda lhe consumia a carcaça.
Sim,na verdade eram muitos
a apresentar os seus dentes de ouro e marfim
ou os dentes repletos de cáries
e cujas línguas faziam passar por limpadoras oficiais.
Tinham,muitos deles,as pernas finas e longas
braços hercúleos,queixos quebrados
para a esquerda,
grandes bolas nas barrigas
e nas costas um mar de corcundasd.
Tinham uma postura digna dos "imperadores"
e riam de mim.
Vejam só:riam de mim por ser côxo...
ah,ah,ah,achava-os ridiculos rindo de mim...
(não se faz mais galhofas como antigamente)
Felizmente acharam que deviam libertar-me...
e foram-se.
Continuei a perambular
e voltei aos amigos mais íntimos
que todavia não me conheciam::
primeiro, o cão,que só tinha cinco minutos de vida
(palavras do veterinário),
segundo,a louca,agora nua
recitando Fernando Pessoa,
Garcia Lorca :verde que te quero verde,
e Drummond de Andrade:e agora José,a festa acabou.
Mas a festa continuava
n!uma divina e majestosa confusão poética.
Por último,o guarda-cidade
com a velha e dócil arminda,passeando,
levando um cigarro por entre os dedos...


Publicado em : Literatura, Poesias
Quote this article in website Favoured Send to friend

Comentários (1)
Postado em Álvaro Luís, em 29-05-2008 11:54, , Membro Registado
Gostei muito deste texto, muito descritivo, cheio de significados! Alguns já nascem com o Dom e às vezes nem percebem o quanto ele floresceu... 
 
Além disso me sensibilizou... 
 
Um grande abraço! Adorei lê-lo!
 
» Responder a este comentário...

Adicionar comentário

< Anterior   Próximo >