| Das estórias de Pedro,o côxo |
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Eram muitos: cercavam-me com punhais,com tochas e animais. Não havia espaço e havia,não havia sangue e havia,não havia dor e havia,não havia cor... Era um leito matinal de tábuas e páginas de jornais encontrados nos receptores de lixo onde a louca semi-nua fazia um numero especial a pedidos e o noturno guarda-cidade com sua dócil e velha arminda (nome carinhosamente dado à bicicleta) perambulava guardando a todos contra possiveis ataques de bonecos marginais e,ainda um cão,apodrecido pelo tempo engolia um latido seco que mais ainda lhe consumia a carcaça. Sim,na verdade eram muitos a apresentar os seus dentes de ouro e marfim ou os dentes repletos de cáries e cujas línguas faziam passar por limpadoras oficiais. Tinham,muitos deles,as pernas finas e longas braços hercúleos,queixos quebrados para a esquerda, grandes bolas nas barrigas e nas costas um mar de corcundasd. Tinham uma postura digna dos "imperadores" e riam de mim. Vejam só:riam de mim por ser côxo... ah,ah,ah,achava-os ridiculos rindo de mim... (não se faz mais galhofas como antigamente) Felizmente acharam que deviam libertar-me... e foram-se. Continuei a perambular e voltei aos amigos mais íntimos que todavia não me conheciam:: primeiro, o cão,que só tinha cinco minutos de vida (palavras do veterinário), segundo,a louca,agora nua recitando Fernando Pessoa, Garcia Lorca :verde que te quero verde, e Drummond de Andrade:e agora José,a festa acabou. Mas a festa continuava n!uma divina e majestosa confusão poética. Por último,o guarda-cidade com a velha e dócil arminda,passeando, levando um cigarro por entre os dedos...
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