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Lágrimas de Prata - cont. Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Brunno, em 03-04-2008 22:52
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Abril de 1936, Base da Força Aérea Norte-Americana em Houston. O oficial comandante, Coronel Byron acordara ansioso e não tocara no café da manhã que sua esposa havia preparado.

Ligou para a intendência e pediu que um jeep fosse buscá-lo mais cedo que de costume. O sargento destacado era como um filho para o coronel, davam-se muito bem. Logo no início do caminho, o jovem perguntou a seu superior o motivo daquela expressão pesada.

O coronel manteve-se silencioso, limitando-se a somente sorrir de leve ao rapaz que dirigia calmamente até o prédio da intendência. O Sargento Christian sabia o motivo, mas queria descontrair seu superior.

Na sala de reuniões do prédio de controle uma dúzia de oficiais aguardava o coronel. Todo mundo igualmente ansioso. Sentaram-se e conversaram rapidamente sobre como agir naquela situação. Ao final, o coronel Byron desejou a todos boa sorte e lembrou-se de correr até os vestiários dos pilotos.

Glenn Miller tocava mais uma de suas novas canções no rádio enquanto o piloto de primeira linha Tenente Hitchens ajeitava o bigode fino sobre o lábio diante de um espelho e ria abertamente com seus colegas.

Assim que o coronel entrou o rádio ficou mudo, os homens pararam o que faziam e perfilaram-se diante de seus armários. O coronel vinha acompanhado de mais alguns oficiais.

__Boa dia senhores. Sabem que esta é uma manhã importante para este Estado Maior. A missão que irão receber é de igual grandeza para todos. Vamos precisar de suas habilidades para convencer a comissão de que esta força é capaz de defender a nação, se necessário.

Parou diante do Tenente Hitchens.

__Tenente, o senhor está pronto? – perguntou o coronel diante de um Hitchens ainda de toalha presa à cintura e cheirando a cigarro sem filtro.

O primeiro-tenente Hudson Hitchens tinha vinte e dois anos. Corpo atlético pelas partidas de futebol na escola e pelas baterias de exercícios pesados todos os dias. Um aviador clássico: esguio, rápido, incisivo e inteligente. Sua folha de serviço era decorada com honras e citações sobre manobras arriscadas em aviões protótipos.

__Senhor, sim senhor! – gritou o tenente.

De uma das janelas do vestiário dos pilotos, o coronel pôde ver que um comboio de carros pretos entrava pela rua a caminho da intendência, era a comissão.

Assim que entrou, o coronel foi cumprimentar Cordel Hull, Chefe de Estado Maior Americano, o Ministro da Guerra. Cordialmente o homem enviado pelo presidente disse algumas palavras de incentivo. Por si só, ele queria que aquela missão desse certo, mas havia uma ala no Congresso que não estava disposta a aprovar um projeto tão ousado quanto aquele.

Combinaram que seriam todos jutos e honestos quanto às suas expectativas. Um dos membros da comissão, o senhor Antony C. Rubens era representante da empresa North American Aviation, a responsável pela concepção do projeto.

Feitas todas as apresentações, inclusive do sorridente tenente Hitchens, todos foram levados ao hangar onde descansava, coberto por uma lona branca o avião que seria posto à prova.

Os demais pilotos iriam voar nos conhecidos SM-81 contra o novo projeto, se aprovado aquele vôo teste a nova aeronave seria produzida em escala industrial e receberia a denominação de nova estrela da aviação norte americana.

Depois de todos autorizados a lona foi retirada e o belo P-51 Mustang foi rebocado até a pista de decolagem. Seu real vôo inaugural entraria para os registros históricos como tendo ocorrido em Maio de 1941, mas foi graças àquela manhã em Houston, que o Chefe de Estado Maior sorriu e aprovou o projeto.

A NAA começaria a produção em pouco tempo. Nas palavras do próprio tenente Hitchens assim que saiu da cabine do Mustang “Essa belezinha sobe mais depressa que saia de vedete. Os controles aqueceram um pouco na retomada e ele ficou sem resposta por trinta segundos. Achei que iria deixar uma marca no asfalto, mas então, os lemes e as derivas guinaram rapidamente e foi aquele rasante que todo mundo viu”.

E que tirou o fôlego dos espectadores, sem falar no barulho infernal produzido pelas asas curtas e grossas.

Passado o susto inicial, a comissão almoçou na base e a única coisa que deixou Hull chateado foi o fato de seu assessor trazer uma pasta contendo informações sobre os raptos de crianças na Europa.

Um dos seqüestradores presos pela polícia de Istambul falou sob tortura e pouco antes de morrer, estendeu o braço direito com a mão em riste e disse “Heil Hitler”.

O Ministro da Guerra arqueou o corpo para seu assessor e murmurou: “Quem diabos é esse tal Adolf Hitler, afinal? Chegou ao poder legalmente há três anos e parece estar causando furor na Europa! Já sinto saudade do Hindenburg!”

Guardou a pasta com os relatórios, terminou seu almoço e voltou direto para Washington, tinha uma reunião no dia seguinte com o presidente Roosevelt.


Publicado em : Literatura - Contos, Diversos
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