| Singela Homenagem - Mergulho profundo |
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O mergulho de Peter Mc. Miller Johnson seria inesquecível; aliás, ele não só seria conhecido como o atleta que mais tempo ficou submerso numa prova de triatlon como também sendo o primeiro que não voltou e nem deixou vestígios. A descida ao mais profundo abismo do pacífico o reteria para sempre no fundo do oceano. Assustador! Fantástico! Inexplicável! Tudo bem, o leitor pode não acreditar, mas o nosso personagem e protagonista está no mundo sobrenatural e lá viu o que todos nós temíamos: a morte.
Aonde nasce toda a vida? De onde originaram todas as coisas? Fácil resposta - conclui Tomas M. Coban Oneill, um pesquisador náutico da costa oeste. Sim, lá, nas profundezas dos mares surgiu toda as formas de vida existentes. Refutem o quanto queiram, mas, de fato, a vida surgiu das águas. Você, amigo, surgiu neste plasma biológico. Assim, Peter, acidentalmente, viu o que estava oculto. Nas formas intramembranosas da águas férteis deste mar, num misto de água salina e gosma proteica, antes do total naufrágio, suas pupilas enxergaram um misto de sombra, frio e pungência com olhos de peixe... No "habitat" onde formavam-se todas as espécies que se movem sobre a terra também nadava de olhos abertos atrás de formas incautas nossa maior antagonista. Ela que forma tsunamis inexplicáveis em busca do seu alimento nas costas de todo o mundo; sim, a mais aterradora personagem que nos confronta rápida e vorazmente no dia-a-dia das grandes metrópolis, uma sutil, as vezes microscópica forma que sobe dos bueiros, esconde-se nas formas triviais, virais, retrovirais do inimaginável microcosmo planetário e que a qualquer pretexto surge instantaneamente nas zonas de grande tráfego rodoviário, aeroviário; enfim, quem nos revezes climáticos, nos terremotos, maremotos esconde rítmica e sonora sua dança traiçoeira e o desejo de acomodar em nossa carne húmida os seus tentáculos e presas. Não será outra que nos abre portas, fecha as cortinas às mínimas composições existenciais? Quem senão ela visita-nos à porta e pede entrada por um gesto simples e suave toque letal?Sim, é ela que nos convence da conveniência de experimentar a isca para enveredarmos nas sendas dos vícios. É ela sim que se oferece a abrigar-nos ao peito quando a tristeza se faz sinônimo de total declínio? É a que se enamora dos que se arriscam a qualquer preço para alcançar metas inatingíveis? Senão não fosse ela quem seria a que espera mais um Peter arriscar mergulhos além de suas forças e psicomotricidade? Quem senão a morte abre seus olhos somente quando alguém os fecha? Essa, amigos, tem uma forma humana, uma decrépita, insinuante e bela silhueta. Ela, desde a gênese, uma forma embrionária que espera-nos crescer. Imita-nos a existência, surge conosco bem frente ao espelho, invejou-nos a vida e se compraz em tomá-la mesmo que não seja para si. É quem sempre nos espera, talvez ali, na próxima esquina. Aquela que desde a infância cultivou-nos como plantas para a infalível ceifa, sua mordaz colheita. Se nos quer na maturidade, e nos apressamos, mais dolorosa e tangível, mais tenaz sua mordida, mais fugaz nossa esperança. Como rebentos viçosos, sorvidos a seu apetitoso e obsequioso degustar, de que adianta implorar ou tentar voltar atrás?... Ela tem fome. Não vá nadar! Ela manda nas águas do mar... É seu território. Assim foi Peter e irão outros mais ao tempero dos anabolizantes, das anfetaminas, das drogas e do esforço em se superar. Acolhidos por ela, forma tão efêmera, os que eram do barro voltam ao barro. Aqui fica minha homenagem. A Peter? Não. A quem realmente vence quando a prova chega ao fim; a Morte... Vai nadar? Boa viagem!... Hahahahahahahahahahaha.
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