| Relíquia do Passado |
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Eu era um arqueólogo respeitado na época em que um evento misterioso ocorreu no Egito, local em que minha equipe trabalhava numa expedição importante. Procurávamos uma relíquia antiga, mas o que encontramos mudaria todo o curso da história da humanidade. Vou lhes contar...
Era segunda-feira, dia sete de dezembro de 2010. Era um dia tranqüilo, o Sol estava bem alto e a escavação ia bem. Até que um dos homens gritou: - Steven! Você precisa ver isso! Fui até lá, e vi que um artefato muito antigo havia sido achado. Era uma espécie de cubo dourado, com várias marcas de encaixes e uma tecnologia avançada para os egípcios. - De onde veio isso? - Não sei. Mas com certeza não é dos egípcios. Levamos o artefato ao nosso cientista-mestre em sua tenda. Ele se surpreendeu com o formato do objeto e sua alta tecnologia inacreditável para a época. - Você acha que é da época dos egípcios? - perguntei. - Para ser sincero, uma tecnologia dessas só irá existir daqui a quarenta anos. - Está brincando? - Não. - Quer dizer que isso veio do futuro? - Talvez não. - Então de onde? - Eu presumo que "alguém" esteve aqui nessa época. - De fora? - Sim. - Isso é meio improvável. Vamos analisar mais a fundo. Ao tocarmos em sua parte externa, onde o desenho de uma esfera se encontrava, o cubo emitiu alguns sons e se abriu. Uma energia azulada direcionou-se ao céu, e logo em seguida, um enigma foi incrustado em uma das pedras de escavação. Ele dizia: "Ao portador. Regressaremos com a destruição. Se considerarmos sua inteligência superior, nada vai lhe acontecer. A cada hora perdida nos aproximaremos. A pergunta é: ‘se o nada existe, como ele pode ser o nada? E, o infinito tendo um fim, não exclui a possibilidade de ele ter um começo. Onde começa o infinito? E nesse caso, ele poderia ser considerado infinito? '". É lógico que não demos muita atenção ao enigma, e nos concentramos mais na tecnologia que aquele cubo oferecia abertamente. Nos anos seguintes, construímos várias coisas impensáveis há alguns anos atrás, exatamente como os egípcios fizeram. Deram um salto em sua inteligência grandiosamente de um dia para o outro. Mas o enigma permanecia lá, sem estar resolvido, ou com sua atenção merecida. Criamos vários protótipos estudando o cubo. Em pouco tempo, tínhamos máquinas voadoras, cidades suspensas, arquitetura piramidal e conhecimentos matemáticos nunca antes vistos. Então, passou-se quarenta anos... (...) A arquitetura do ano de 2050 era toda baseada no perímetro triangular usada na época egípcia. Todos os prédios eram de vidro e tinham uma estrutura reforçada pelo material alienígena. Havia uma torre principal, vazia, aparentando ser um hangar, onde o cubo descoberto nos tempos antigos estava guardado e muito bem protegido. Era o começo da era da nanotecnologia. Nada mais poderia parar os humanos. Somente um velho enigma, que havia sido descartado durantes os séculos. Até agora... - Chame o cientista-mestre! - Mas ele não está mais ativo! - Não importa. Isto foi descoberto na época dele! - Mas por que a pressa? - O cubo está abrindo! Naquele dia, tendo eu já sessenta anos, fui novamente chamado para desvendar os mistérios do cubo alienígena. Reunimos nossa equipe antiga e levamos o cubo para o laboratório. Devido a sua tecnologia, acabou por entrar em contato com nossos computadores. Flashes da história antiga nos foram mostrados. "Uma nave de proporções parecidas com uma águia fez sua descida suave no meio do deserto. O povo encontrado vivia em tendas. Um ser de luz esverdeada desceu da nave." "Logo, os nômades o consideraram um deus. Ele lhes deu a tecnologia necessária para viverem em sua época com um conhecimento que adquiririam somente no futuro." "Assim, as pirâmides foram construídas. A maior delas, apontava para a estrela de onde o visitante havia vindo. Após o povo tornar-se uma espécie avançada para seu tempo, o visitante entregou um cubo para o nômade mestre. Avisou-os que se não conseguissem decifrar o enigma, sua civilização deixaria de existir, em poucos segundos, engolidos por um vórtex temporal nuclear gerado pelo cubo. O enigma era simples: "se o nada existe, como ele pode ser o nada? E, o infinito tendo um fim, não exclui a possibilidade de ele ter um começo. Onde começa o infinito? E nessa caso, ele poderia ser considerado infinito?"" - Isso só pode ser brincadeira! O que isso quer dizer? - Que temos pouco tempo para achar uma resposta... - Steven. - E? - Eles estão vindo! Eu sinto. Estamos fazendo igual aos egípcios. Usamos sua tecnologia, mas esquecemos de resolver o enigma. - Steven. - E o que vai acontecer? - Seremos uma civilização esquecida! Naquele dia, o cubo emitiu um raio comunicador através dos céus. Em pouco tempo, os alienígenas estariam aqui, prontos para nos destruir. Eu precisava resolver o enigma. Mas, já era tarde demais. Na noite de sete de dezembro de 2050, o céu escureceu em pleno meio-dia. Pontos surgiram na metade sul do céu. Em pouco tempo, em torno de cem naves, de formato semelhante a condores, apareceram. Reuniram-se ao redor do laboratório. No cubo, uma contagem regressiva iniciou-se. Tínhamos vinte e quatro horas para resolver o enigma. - Professor. Precisamos descobrir o que isso quer dizer. - Eu sei. Vamos ao trabalho, ou estaremos condenados a ser descobertos por arqueólogos daqui a mil anos. - Vamos começar com o "nada". - O nada. É uma definição vaga sobre algo que está vazio. O nada seria o contrário da existência. Mas isso quer dizer que ele existe. Então como pode ser o oposto de existir? A existência teve um início e terá um fim. Mas antes do início, havia o nada. O nada também é uma existência. Acho que o nada é um ciclo. "Nada-início-fim-nada". Como um círculo. O círculo é infinito. Aí entramos na outra questão. - Steven. - Não sei não, professor. Talvez o senhor já tenha decifrado metade do enigma, mas parece que cada vez que chegamos a uma conclusão, voltamos ao início. - Vamos prosseguir. O infinito começaria no nada e terminaria no nada. Então o início do infinito seria o nada? E se o nada não existe, isso quer dizer que não existe o infinito? Quando olhamos para cima, as naves abriram suas comportas, e revelaram um armamento de energia que parecia ser muito poderoso. Achei que seria nosso fim. - Professor! Rápido! - Resumindo: o nada é o início do infinito. O início do infinito é o início da existência. O fim de tudo é o nada, e voltamos ao início do infinito. - E? - Isso quer dizer que vivemos no infinito! Estamos num ciclo interminável! - Acho que entendi. Eles querem nos libertar desse ciclo. Por isso sempre voltam. - Libertar? Como? - Pense. Como se faz para um círculo ter um início e um fim? - Cortando um pedaço? - Exatamente. Seremos destruídos de qualquer maneira. Precisamos fazer alguma coisa. Para eles, estão nos fazendo um favor. A "liberdade" é nossa destruição. Foi isso o que aconteceu com os egípcios, porque não entenderam o enigma. Temos uma chance. Eles estão interessados na contagem regressiva do cubo. É agora que devemos agir! Naquela noite, usamos as naves que tínhamos construído e partimos para o ataque. Eles se surpreenderiam se houvesse alguém capaz de descobrir seu enigma indecifrável. Os F-22 novos eram rápidos. Reunimos nossa equipe e partimos para o ataque. (...) Após algumas horas, nossa esquadra foi inteiramente dizimada. A hora estava chegando. As naves abriram as comportas e preparam o ataque final. Foi aí que compreendi que eles também faziam parte do ciclo infinito. Era necessário destruir a fonte dos males... O cubo. Dirigimos-nos para o laboratório em meio a uma chuva de raios emitidos pelas naves. Com muito esforço, chegamos ao centro do prédio. - Tem certeza disso, professor? Toda nossa tecnologia diária foi baseada no conhecimento extraído desse cubo. - Sim. Tenho certeza. Ou estaremos condenados a sermos destruídos para sempre. O nada, e ao mesmo tempo, o infinito. Programei os sensores para darem uma descarga central que destruiria por completo o cubo. Pensei duas vezes antes de apertar o botão, mas era algo necessário. Apertei. Os cabos de força racharam devido ao acumulo de energia e subiram ao encontro do cubo. Um raio de proporções impressionantes foi disparado em direção ao céu. O cubo esmigalhou-se em pedaços. Então, senti meu corpo formigando e notei que tudo ao redor estava voltando ao seu estado pré-construção. Sim, o tempo estava voltando. Em poucos segundos, me vi novamente naquela escavação, em frente à minha equipe. Era segunda-feira, dia sete de dezembro de 2010. Era um dia tranqüilo, o Sol estava bem alto e a escavação ia bem. Até que um dos homens gritou: - Steven! Você precisa ver isso! - Não! Destrua! - Steven. - Está maluco? Procuramos essa estátua de Amenphis Sath durante anos... - Estátua? - Sim. Olhe! Teria tudo aquilo sido apenas uma alucinação? Uma visão do futuro? - Há uma inscrição junto da estátua. - E o que diz? - "Aquele que busca o infinito, acaba voltando ao nada." O que isso quer dizer? - Não sei. Mas algo me diz que entendo... E entendo muito bem. A escavação prosseguiu normalmente, sem nenhum atraso. A noite chegou, e não consegui parar de olhar as infinitas estrelas que povoavam o céu...
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