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Esta aberta a temporada de caça a talentos, seja um colunista do site Autores.com.br| rua |
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Aquela rua me era sempre penosa, mais pela sua feiúra do que por qualquer lembrança que pudesse me causar. As calçadas sempre cobertas de sujeiras e outros dejetos jogados por estranhos que passavam. Seus muros pichados e algumas árvores que se observavam eram completamente indiferentes ao resto. Como se tivessem sido construídas por mãos raivosas, que depois de mau pagas só tivessem ódio para desejar. Ela sempre me trazia essa miséria, essa ingratidão que sempre doamos ou recebemos. No entanto insistia sempre em passar por aquela mesma rua. O que mais me atraia em seu aspecto era o caráter, que ela possuía; por que ruas e casas, são como seres humanos, possuem um caráter no olhar ou nas faces, com o qual julgamos mesmo quando não conhecemos. Eu não precisava conhecer tão bem aquela rua, apesar de passar anos por ela, desde a primeira vez já sabia de todo sangue, todas as discórdias que já passaram por ela. Podia observar isso no olhar soturno das janelas das casas ou na frieza das lajotas, quem sabe até mesmo nas ervas daninhas que sorrateiramente cresciam pelos cantos das calçadas. Durante o dia vivia na agonia dos carros e motos que passavam furiosamente sobre o seu chão e pareciam querer destruir tudo com seu ronco enfurecido que nem pragas lançadas no ar, à noite o mistério daqueles lares e seus habitantes de olhos cansados, de ânimo abatido pela labuta diária. Quando chegava a casa, logo que atravessava a porta ficava aliviado, como se tivesse atravessado uma jornada penosa e sobrevivido, ia agora me transformar como aqueles que eu tanto temia. O foco de luz iluminava a sala e eu ligava o aparelho de TV, destruindo assim a sensação de solidão que me envolvia, era como se a casa ganhasse vida, antes era uma coisa morta. Só minha presença não lhe bastava. Abria a geladeira e procurava algum alimento. Qualquer enlatado, que tinha sido orientado pelos comerciais. Sentava-me, quase deitado no sofá e ficava olhando a TV como se esquecese da minha própria mente. Aqueles rostos na tela; riam e choravam, usavam frases de duplos sentidos e mentiam, mentiam muito sobre tudo, até aquilo virar uma verdade da qual não pudéssemos escapar. Mais finalmente acordei daquelas verdades e mentiras. Como uma doença que matasse tudo por dentro, finalmente eu acordava agora para o humano dentro de mim e alimentado pelo meu próprio vazio eu desligava o aparelho e buscava um livro. Agora sim, naquela voz muda eu definhava em espírito o que imaginava viver no corpo.
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