| Por um momento |
|
|
|
A águia domou o ar,
festejos se ouviu! o céu sorriu, o mar, encantado; suas ondas brandiu! já o sol... Em gracejos refulgiu! Noutro lugar além mar, o puro-sangue nascia, e coberto de esperanças sua força crescia, a terra o acolhia, e o sol, na sua presença, se embevecia... A águia encantada de si, dizia, desejada eu serei, sim, dona do ar, do céu em todos os seus véus... Almejada do sol, o farol; e em todo o seu desejo me cingirei, e quanto ao mar, eu o singrarei... Porém noutro lugar o puro-sangue embebido de sua força se fazia. correndo as campinas, sibilando a crina, singrando o vento, cingindo-se do sol e do seu alento, e das aventuras, em extremo sedento... E um dia no horizonte, a silhueta perfeita se viu a águia no poente se ouviu, e o puro-sangue diante da mais bela visão, que viu, sentiu... Corro feito o vento, mais não posso cumprir este intento, tocar o sol e voar nas asas do vento. E chorou... E mais além, noutro extremo também naquele momento... A águia se enterneceu pela beleza que viu... O puro-sangue domando as campinas, esvoaçando a sua crina, cingindo-se de si mesmo, como que para guerra, reinando soberano em toda a terra... E sentiu... vôo nas asas do vento, mais não posso cumprir este intento, tocar a terra, e cavalgar em solo a dentro. E suspirou... Hipnotizados, o desejo dos dois foi um, por um momento, e quando se viram de perto, o cavalo bem reto, ergueu-se em suas patas, enquanto a águia o tocava com as asas... Os seus olhos se enamoraram numa dança sutil, realizados... o cavalo relinchou e a águia o ouviu, e a águia grasnou e o cavalo sorriu, e então os dois fizeram aquilo que o seu coração pediu. Correram juntos, como que se fossem um, pois no pensamento eram. O cavalo... Voou nas asas do vento e a águia... cavalgou em solo adentro. E então, eles cumpriram o maior dos intentos, pois por ele estavam sedentos! O de se sentirem um parte do outro... E foram, ainda que, por um momento...
|
Nenhum comentário
| < Anterior | Próximo > |
|---|